Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde
Módulo II – A Coordenação do Cuidado na APS
Disciplina 6
Ferramentas e Tecnologias para a Coordenação do Cuidado
Iniciamos, agora, a disciplina Ferramentas e Tecnologias para a Coordenação do Cuidado.
Dando continuidade ao Módulo II – A Coordenação do Cuidado na APS, esta disciplina aborda como diferentes ferramentas e tecnologias podem apoiar a integração entre equipes, serviços e pontos de atenção à saúde.
Ao longo desta trajetória de estudos, você conhecerá instrumentos que contribuem para fortalecer o trabalho em rede e qualificar o cuidado, tornando-o mais contínuo, oportuno e centrado nas necessidades das pessoas.
Continue para conhecer os objetivos de aprendizagem que irão orientar a sua jornada formativa.
Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de:
Clique nas setas para navegar.
Compreender o papel das tecnologias na coordenação do cuidado, reconhecendo sua importância para assegurar integralidade, continuidade e qualidade na atenção à saúde.
Conhecer diferentes tecnologias gerenciais e de cuidado, utilizadas no processo de trabalho colaborativo das equipes multiprofissionais.
Entender o papel das inovações tecnológicas na prática da APS para o fortalecimento da tomada de decisão clínica e gerencial baseada em evidências, contribuindo para a qualificação do cuidado.
Entender a função do prontuário eletrônico como dispositivo central para a coordenação do cuidado.
Compreender os fluxos de informação e comunicação entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS) e como a interoperabilidade dos sistemas pode favorecer a continuidade do cuidado e a centralidade da pessoa no processo assistencial.
Conhecer e utilizar as ferramentas de Telessaúde como estratégias para a coordenação do cuidado, para a educação permanente e para a ampliação do acesso.
Nesta aula, o conteúdo está organizado em duas unidades de aprendizagem:
Clique nos botões para conferir os conteúdos que serão abordados.
Esta temática apresenta ferramentas para o planejamento integrado do cuidado, com foco no trabalho interprofissional e no uso de evidências científicas para qualificar as decisões e fortalecer a atuação na APS.
O objetivo é apoiar as equipes na construção de ações mais articuladas, resolutivas e centradas nas necessidades das pessoas, das famílias e dos territórios.
Projeto Terapêutico Singular (PTS)
Vamos começar pelo Projeto Terapêutico Singular (PTS). O PTS é uma ferramenta utilizada no cotidiano de trabalho para organizar o cuidado de forma compartilhada e centrado na pessoa. Ele consiste em um conjunto de ações articuladas, construídas pela equipe multiprofissional junto com o usuário e, sempre que possível, com sua família.
Ao elaborar um PTS, você não deve olhar apenas para as necessidades de saúde, mas também para a história, o contexto de vida e as potencialidades de cada pessoa. É um processo que valoriza vínculos, reconhece singularidades e mobiliza a rede de apoio, como familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho, junto à equipe de referência. Além disso, conta com o suporte técnico dos profissionais da equipe eMulti e de outros pontos da RAS.
Mais do que um instrumento, o PTS é uma oportunidade de construir caminhos de cuidado mais humanos, integrados e potentes, nos quais cada voz importa e cada passo é compartilhado.
Para orientar essa construção coletiva, o PTS é organizado em QUATRO ETAPAS FUNDAMENTAIS, que estruturam o processo e tornam o cuidado mais integrado, participativo e efetivo.
Observe o esquema a seguir e perceba como cada etapa contribui para transformar necessidades em ações concretas e compartilhadas:
Diagnóstico Situacional (ou análise do caso)
São reunidas informações sobre o usuário, considerando aspectos clínicos, psicológicos, sociais, culturais e familiares, com o objetivo de identificar necessidades e construir uma compreensão compartilhada do caso.
Definição de metas
São estabelecidos objetivos de cuidado claros, realistas e mensuráveis, pactuados com o usuário.
Planejamento das ações
São organizadas as intervenções a serem realizadas, com definição de responsáveis e prazos, contemplando diferentes dimensões do cuidado.
Avaliação e reavaliação
São acompanhados os resultados das ações e realizados os ajustes necessários ao longo do tempo.
#Fica a dica!
A participação ativa do usuário e de sua família é um princípio fundamental na construção do Projeto Terapêutico Singular.
Lembre-se: o PTS é dinâmico e deve ser revisado conforme as mudanças no quadro de saúde e nas condições de vida do usuário.
Agora que você já conhece o Projeto Terapêutico Singular (PTS) e compreende sua força como ferramenta de cuidado compartilhado, veja, a seguir, um exemplo de sua aplicação em um caso prático.
Caso de Maria Eduarda
Clique nos conceitos para compreender o PTS do caso:
Neste caso, a participação do Agente Comunitário de Saúde (ACS) é fundamental, pois ele:
Confira, a seguir, duas ferramentas que auxiliam na elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS):
Ecomapa
O ecomapa é um diagrama que representa as relações de uma pessoa ou família com o seu contexto social.
Como ele é estruturado:
Para que ele serve?
Genograma
O genograma é uma representação gráfica da estrutura familiar, semelhante a uma árvore genealógica, porém mais detalhada.
O que ele permite identificar?
Para que ele serve?
#Fica a dica!
Na prática, o Genograma e o Ecomapa são ferramentas complementares.
Quando utilizadas em conjunto, ampliam a compreensão do cuidado de forma integral, considerando aspectos familiares, sociais e territoriais.
Plano de Cuidado Compartilhado
Agora, vamos conhecer o Plano de Cuidado Compartilhado. Essa estratégia é essencial para organizar o cuidado em saúde de forma integrada reunindo diferentes profissionais, o usuário e sua rede de apoio em um mesmo propósito. Na Atenção Primária à Saúde (APS), ela ganha mais força, especialmente em situações que exigem articulação integrada entre serviços e atuação colaborativa.
Clique nos ícones para entender melhor como o Plano de Cuidado Compartilhado é organizado:
Objetivos
Etapas
Participantes
Indicações
Confira, a seguir, como o Plano de Cuidado Compartilhado se diferencia do Projeto Terapêutico Singular:
Quadro 3 ─ Quadro Comparativo entre Plano Terapêutico Singular e Plano de Cuidado Compartilhado
Aspecto
Plano Terapêutico Singular
Plano de Cuidado Compartilhado
Foco
Um caso singular, com abordagem personalizada.
Caso complexo que envolve mais de uma equipe ou serviço.
Elaboração
Feita pela equipe de referência com o usuário.
Construída em parceria entre equipes e serviços.
Objetivo
Organizar o cuidado integral do usuário.
Garantir articulação e corresponsabilidade entre profissionais e setores.
Instrumento de apoio
Geralmente usado na APS, CAPS e hospitais-dia.
Usado em redes de atenção e apoio matricial.
Aspecto
Foco
Plano Terapêutico Singular
Um caso singular, com abordagem personalizada.
Plano de Cuidado Compartilhado
Caso complexo que envolve mais de uma equipe ou serviço.
Aspecto
Elaboração
Plano Terapêutico Singular
Feita pela equipe de referência com o usuário.
Plano de Cuidado Compartilhado
Construída em parceria entre equipes e serviços.
Aspecto
Objetivo
Plano Terapêutico Singular
Organizar o cuidado integral do usuário.
Plano de Cuidado Compartilhado
Garantir articulação e corresponsabilidade entre profissionais e setores.
Aspecto
Instrumento de apoio
Plano Terapêutico Singular
Geralmente usado na APS, CAPS e hospitais-dia.
Plano de Cuidado Compartilhado
Usado em redes de atenção e apoio matricial.
Fonte: elaborado pelo autor, 2026.
Na prática!
Observe como um paciente com transtorno de Ansiedade e Diabetes pode ser acompanhado por meio do Plano de Cuidado Compartilhado:
Todas essas ações são articuladas, registradas e acompanhadas no Plano de Cuidado Compartilhado, com responsabilidades definidas e comunicação contínua entre os envolvidos.
Apoio Matricial na APS
Dando continuidade ao cuidado compartilhado na APS, o Apoio Matricial se apresenta como uma forma de organização do trabalho em saúde baseada no suporte de profissionais especialistas às equipes de referência, promovendo a troca de saberes e fortalecendo a integralidade do cuidado, sem hierarquias rígidas.
Clique nos conceitos para conhecer como ele se organiza:
Como acontece: reuniões, rodas de conversa, oficinas e discussões de caso.
Exemplo de utilização: o matriciador em saúde mental realiza uma oficina sobre abordagem de crises e manejo do sofrimento psíquico.
Como acontece: consultas compartilhadas, visitas domiciliares em dupla e grupos terapêuticos.
Exemplo de utilização: assistente social e médico da Estratégia Saúde da Família (ESF) realizam consulta conjunta com um usuário com Diabetes tipo 2 e dificuldades socioeconômicas que impactam no autocuidado.
Como acontece: reuniões periódicas com revisão do caso, planejamento do cuidado e acompanhamento conjunto.
Exemplo de utilização: reunião mensal entre a equipe da ESF e a maternidade de referência para discutir casos em acompanhamento.
Como acontece: oficinas temáticas, estudo de protocolos, análise dos processos de trabalho e formação em serviço.
Exemplo de utilização: capacitação sobre novas diretrizes para o manejo de Hipertensão Arterial.
Como acontece: articulação com CRAS, escolas, conselho tutelar e serviços especializados.
Exemplo de utilização: a eMulti APS articula reunião com a escola e o CAPS para acompanhamento de um adolescente em situação de vulnerabilidade.
Como acontece: reuniões virtuais, teleconsultorias, grupos de mensagens e plataformas digitais.
Exemplo de utilização: a equipe solicita apoio de especialista, por teleconsultoria, para o manejo de dermatite persistente em criança.
Refletindo…
Você já imaginou como o apoio matricial pode transformar desafios do cotidiano em oportunidades de aprendizado coletivo?
Para que isso aconteça na prática, alguns fatores são essenciais. Clique nas setas para conhecê-los:
Vínculo
A proposta é que a ESF e os profissionais de apoio construam vínculos, tornando o cuidado mais acolhedor e evitando encaminhamentos impessoais.
Horizontalidade
As relações entre as equipes devem ser mais dialógicas e menos hierárquicas.
Participação democrática
É importante garantir a participação ativa de todos os envolvidos no processo de decisão, promovendo autonomia e protagonismo dos trabalhadores e da população atendida.
Horizontalidade:
As relações entre as equipes devem ser mais dialógicas e menos hierárquicas.
Vínculo:
A proposta é que a ESF e os profissionais de apoio construam vínculos, tornando o cuidado mais acolhedor e evitando encaminhamentos impessoais.
Participação democrática:
É importante garantir a participação ativa de todos os envolvidos no processo de decisão, promovendo autonomia e protagonismo dos trabalhadores e da população atendida.
Tipos de Apoio Matricial na prática
A Equipe de Saúde da Família (eSF) pode acionar diferentes formas de apoio matricial no seu processo de trabalho. Confira algumas delas:
#Fica a dica!
O trabalho entre a equipe de Saúde da Família e as equipes de apoio especializado tem caráter colaborativo, qualifica o cuidado e amplia a resolutividade das ações em saúde.
Manejo de Casos Complexos na APS
Outro elemento importante nesse contexto é o Manejo de Casos Complexos na APS, que envolve múltiplas dimensões no processo saúde-doença, como aspectos biológicos, psicológicos e sociais, exigindo cuidado contínuo, interprofissional e articulado em rede, com foco na integralidade e na singularidade da pessoa.
A complexidade pode estar relacionada entre diferentes fatores que se entrelaçam e ampliam os desafios do cuidado. Entre eles, destacam-se:
Clínicos e biológicos:
presença de múltiplas condições de saúde, agravos e comorbidades.
Psíquicos:
sofrimento mental e dificuldade de adesão ao cuidado.
Sociais:
pobreza, desemprego, violência e outras situações de vulnerabilidade.
Familiares e relacionais:
conflitos ou ausência de rede de apoio.
Territoriais e institucionais:
barreiras de acesso e fragmentação da rede.
Clínicos e biológicos:
presença de múltiplas condições de saúde, agravos e comorbidades.
Psíquicos:
sofrimento mental e dificuldade de adesão ao cuidado.
Sociais:
pobreza, desemprego, violência e outras situações de vulnerabilidade.
Familiares e relacionais:
conflitos ou ausência de rede de apoio.
Territoriais e institucionais:
barreiras de acesso e fragmentação da rede.
No manejo de casos complexos na APS, a VISITA DOMICILIAR é uma ferramenta fundamental, pois permite ampliar o olhar sobre a realidade do usuário.
Ela possibilita:
Confira, a seguir, outra importante ferramenta utilizada no manejo de casos complexos na APS, o mapa mental.
O MAPA MENTAL é uma ferramenta visual que auxilia na compreensão e organização de casos complexos, especialmente quando há necessidade de articulação entre diferentes profissionais, serviços e setores.
Ele coloca a pessoa ou a família no centro e organiza, em ramificações, os aspectos clínicos, psicológicos, familiares, sociais e territoriais envolvidos.
Logo, ele serve para:
Veja, ao lado, um exemplo de como ele pode ser utilizado em um manejo de caso complexo na APS.
Veja, abaixo, um exemplo de como ele pode ser utilizado em um manejo de caso complexo na APS.
CLÍNICA
Doenças crônicas.
Polifarmácia.
SOCIAL
Isolamento.
Sem apoio familiar.
CASO
COMPLEXO
FUNCIONAL
Dificuldade de sono.
Autonomia comprometida.
COGNITIVA
Esquecimento.
Confusão.
CLÍNICA
Doenças crônicas.
Polifarmácia.
SOCIAL
Isolamento.
Sem apoio familiar.
COGNITIVA
Esquecimento.
Confusão.
Na discussão de casos complexos, a equipe pode organizar o cuidado a partir da identificação dos seguintes aspectos:
#Fica a dica!
Neste momento, é importante que todos que tenham conhecimento ou vivência sobre o caso possam contribuir.
Diretrizes Clínicas Baseadas em Evidências
Por fim, as Diretrizes Clínicas Baseadas em Evidências também se destacam como um conjunto de ferramentas importantes para a coordenação do cuidado interprofissional.
Elas consistem em recomendações fundamentadas nas melhores evidências científicas disponíveis, como ensaios clínicos, revisões sistemáticas e metanálises, articuladas à experiência profissional e às preferências do paciente.
Essas diretrizes apoiam a tomada de decisão em diagnóstico, tratamento e prevenção, orientam a condução de casos complexos e contribuem para a atualização das práticas e a elaboração de protocolos. Sua construção envolve a análise e síntese das evidências, com recomendações que são revisadas e atualizadas periodicamente.
Clique aqui para visualizar um exemplo de classificação das evidências pelo método GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation).
Logo, as diretrizes baseadas em evidências podem ser resumidas da seguinte forma:
Quadro 4 ─ Resumo sobre Diretrizes Baseadas em Evidências
Elemento
Conceito
Significado
Recomendações clínicas elaboradas com base nas melhores evidências científicas.
Elemento
Objetivo
Significado
Padronizar condutas, reduzir erros e melhorar os resultados em saúde.
Elemento
Base
Significado
Revisões sistemáticas, metanálises e estudos de alta qualidade.
Elemento
Aplicação
Significado
Apoiar decisões clínicas individualizadas e seguras.
Elemento
Significado
Conceito
Recomendações clínicas elaboradas com base nas melhores evidências científicas.
Objetivo
Padronizar condutas, reduzir erros e melhorar os resultados em saúde.
Base
Revisões sistemáticas, metanálises e estudos de alta qualidade.
Aplicação
Apoiar decisões clínicas individualizadas e seguras.
Fonte: elaborado pelo autor, 2026.
Agora vamos iniciar a segunda temática, que aborda as tecnologias de comunicação voltadas à coordenação do cuidado, destacando seu papel na organização dos fluxos e na articulação entre os serviços.
Essas tecnologias contribuem para o fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde (RAS), ampliando a continuidade do cuidado e apoiando uma atuação mais integrada na APS.
Prontuário Eletrônico e-SUS APS
A primeira tecnologia que vamos explorar é o Prontuário Eletrônico e-SUS APS. Trata-se de uma estratégia do Ministério da Saúde voltada à modernização e integração das informações da Atenção Primária à Saúde (APS) em nível nacional.
Disponibilizado gratuitamente desde 2013, consolidou-se como uma das principais tecnologias de coordenação do cuidado, tornando-se o sistema oficial de registro clínico e acompanhamento longitudinal no SUS. A ferramenta apoia o trabalho das equipes, organiza informações e fortalece a continuidade da atenção à saúde.
Além disso, permite o compartilhamento das informações com outros serviços, conta com recursos como Telessaúde e agendamento pelo aplicativo Meu SUS Digital e incorpora protocolos e diretrizes nacionais, contribuindo para uma atenção mais organizada e alinhada aos indicadores de saúde.
Com os registros do cidadão reunidos eletronicamente, o prontuário torna-se um instrumento estratégico para a coordenação do cuidado. Ele favorece o acompanhamento contínuo, facilita o compartilhamento de informações entre equipes e contribui para uma atenção mais resolutiva, integrada e centrada na pessoa.
Clique nos cards para conhecer como o prontuário pode facilitar a coordenação do cuidado:
#Fica a dica!
Interoperabilidade dos Sistemas de Informação
A segunda tecnologia que vamos abordar é a Interoperabilidade dos Sistemas de Informação, que permite a integração entre diferentes serviços de saúde, garantindo a troca segura e qualificada de informações.
Na APS, essa integração fortalece a coordenação do cuidado ao possibilitar o acesso a informações de outros níveis de atenção, acompanhar a trajetória do usuário e qualificar o planejamento do cuidado. Também reduz a fragmentação, evita repetições desnecessárias e melhora a segurança do usuário.
Além disso, é uma das prioridades da Estratégia de Saúde Digital 2020–2028 e vem sendo fortalecida por iniciativas como a SEIDIGI e o Programa SUS Digital, que consolidam a Rede Nacional de Dados em Saúde como plataforma nacional de integração.
Veja, ao lado, a representação da Rede Nacional de Dados em Saúde como plataforma nacional de inovação, informação e serviços digitais em saúde (Brasil 2020).
Por meio dessa representação, é possível perceber como a rede de informação integra diferentes serviços de saúde.
Veja, abaixo, a representação da Rede Nacional de Dados em Saúde como plataforma nacional de inovação, informação e serviços digitais em saúde (Brasil 2020).
Por meio dessa representação, é possível perceber como a rede de informação integra diferentes serviços de saúde.
Refletindo…
Você já pensou, em sua prática, na importância de os sistemas de informação utilizarem uma linguagem padronizada?
A interoperabilidade dos sistemas de informação permite que diferentes sistemas, como prontuário eletrônico, regulação e notificações, troquem informações de forma automática, segura e confiável.
Clique nos ícones e observe como a interoperabilidade pode fortalecer a coordenação do cuidado:
Ao permitir que o histórico do usuário esteja disponível em diferentes serviços, possibilita o acesso a consultas, exames, planos de cuidado e medicamentos em uso.
Desta forma, evita perdas de informação, reduzindo repetições desnecessárias e aumentando a segurança do paciente.
Ao integrar os sistemas, facilita o envio de encaminhamentos, o retorno da contrarreferência e a atualização das informações entre os pontos de atenção.
Assim, qualifica o cuidado compartilhado e o acompanhamento do usuário.
Ao diminuir a necessidade de registrar as mesmas informações em diferentes sistemas, reduz o tempo gasto com tarefas administrativas e otimiza o processo de trabalho.
#Fica a dica!
A fragmentação das informações ainda é uma das principais barreiras para a coordenação do cuidado. Sem interoperabilidade, os serviços passam a trabalhar com dados incompletos, o que pode gerar retrabalho, atrasos e descontinuidade no cuidado.
Para fortalecer a coordenação pela APS, é essencial que diferentes sistemas estejam integrados, como:
Todas essas ações são articuladas, registradas e acompanhadas no Plano de Cuidado Compartilhado, com responsabilidades definidas e comunicação contínua entre os envolvidos.
Sistemas de Regulação do Acesso e Gestão de Filas
Você já se perguntou:
Essas questões estão relacionadas aos Sistemas de Regulação do Acesso, que organizam a entrada dos usuários na rede, articulando a demanda com a oferta de serviços.
Quando bem estruturados, permitem priorizar atendimentos com base em critérios clínicos, de risco e de vulnerabilidade, promovendo maior equidade no acesso.
Mais do que um processo administrativo, a regulação é uma função estratégica que articula a demanda da população com a oferta de serviços, contribuindo para um acesso mais justo e organizado.
Principais funções:
A gestão de filas organiza as demandas por atendimento, promovendo maior equidade no acesso. Nesse processo, a APS tem papel central ao encaminhar e acompanhar o usuário, garantindo continuidade do cuidado na rede.
#Fica a dica!
Gestão de filas ≠ fila cronológica simples.
Na lógica do SUS, a fila regulada:
Protocolos de Encaminhamento e Linhas de Cuidado
A quarta tecnologia que vamos explorar são os Protocolos de Encaminhamento e as Linhas de Cuidado, que têm a função de organizar o percurso do usuário na RAS de forma longitudinal, contínua e centrada nas necessidades de saúde. Eles definem os pontos de atenção, as responsabilidades dos serviços, os critérios de acesso e os retornos à APS.
Dessa forma, fortalecem a coordenação do cuidado, reduzem a fragmentação da assistência e funcionam como referenciais técnicos e éticos para a atuação das equipes e para os processos de regulação, sendo instrumentos essenciais para qualificar a interface entre os diferentes níveis de atenção.
Quando construídos de forma compartilhada, com base em evidências e adaptados ao contexto local, os protocolos de encaminhamento contribuem para qualificar o cuidado.
Clique nos números, ao lado, para conhecer alguns de seus benefícios.
Quando construídos de forma compartilhada, com base em evidências e adaptados ao contexto local, os protocolos de encaminhamento contribuem para qualificar o cuidado.
Clique nos números, abaixo, para conhecer alguns de seus benefícios.
Auxiliam na tomada de decisão clínica.
Evitam encaminhamentos desnecessários.
Garantem que os casos que realmente demandam atenção especializada sejam priorizados.
Explicitam critérios de devolutiva e contrarreferência.
#Fica a dica!
Os protocolos de encaminhamento fortalecem a articulação entre os níveis de atenção, apoiando a tomada de decisão e a organização dos fluxos de cuidado.
Assim, contribuem para evitar encaminhamentos desnecessários, priorizar casos mais graves e orientar a contrarreferência, reforçando o papel da APS na coordenação do cuidado.
Telessaúde
Chegamos à última tecnologia de comunicação para a coordenação do cuidado: a Telessaúde.
Trata-se de uma estratégia que promove a comunicação entre os diferentes pontos da RAS, facilitando o compartilhamento de informações e o cuidado integrado.
Na APS, contribui para reduzir encaminhamentos desnecessários, fortalecer a continuidade do cuidado e ampliar a capacidade resolutiva das equipes.
Clique nas abas para conhecer suas principais potencialidades:
Ampliação do acesso
Facilita o atendimento em regiões remotas e reduz barreiras geográficas e deslocamentos desnecessários.
Apoio à decisão clínica
Permite discutir casos com especialistas, aumentando a segurança e a qualidade das condutas.
Redução de encaminhamentos desnecessários
A teleconsultoria qualifica a avaliação dos casos, evitando encaminhamentos indevidos e reduzindo filas.
Integração da rede de atenção
Conecta diferentes pontos de cuidado, favorecendo a continuidade e a coordenação do cuidado.
Educação permanente em saúde
Oferece cursos, webaulas e discussões de caso, promovendo atualização contínua dos profissionais.
Economia de tempo e recursos
Reduz deslocamentos e custos, otimizando o tempo das equipes e dos usuários.
Agilidade no diagnóstico e no cuidado
Possibilita diagnósticos mais rápidos e intervenções precoces, reduzindo o tempo de espera.
Acompanhamento remoto
Permite monitorar usuários à distância, melhorando a adesão ao tratamento e prevenindo complicações.
Apesar dos avanços, a Telessaúde na Atenção Primária à Saúde ainda enfrenta desafios relevantes para sua consolidação.
Clique nas abas para conhecer alguns deles:
Infraestrutura insuficiente
Limitações de internet e falta de equipamentos adequados ainda dificultam o uso das ferramentas em muitos territórios.
Baixa integração entre os sistemas de informação
Dificuldades na comunicação entre prontuários e plataformas comprometem a troca contínua de informações.
Capacitação dos profissionais
A necessidade de formação contínua e a baixa familiaridade com tecnologias podem limitar o uso das ferramentas.
Segurança da informação
Exige protocolos robustos para garantir o sigilo e a proteção dos dados dos usuários.
Barreiras culturais e organizacionais
Desafios na incorporação das tecnologias ao processo de trabalho e na valorização do seu potencial no cuidado.
#Fica a dica!
Agora é sua vez de colocar em prática o que aprendeu e verificar seus conhecimentos.
Classifique os elementos a seguir, relacionando cada um à sua categoria correta.
Arraste e solte nos campos correspondentes:
Classifique os elementos a seguir, relacionando cada um à sua categoria correta.
Clique e solte nos campos correspondentes:
Chegamos ao final desta disciplina e convidamos você a olhar a prática na APS com ainda mais intencionalidade na coordenação do cuidado.
As FERRAMENTAS apresentadas ao longo do percurso qualificam o trabalho interprofissional e fortalecem a tomada de decisão no cotidiano. Ao mesmo tempo, as TECNOLOGIAS exploradas ampliam a comunicação, integram a rede e facilitam o acesso ao cuidado.
Quando utilizadas de forma ARTICULADA, ferramentas e tecnologias potencializam o cuidado, tornando-o mais integrado, contínuo e resolutivo. Além disso, reforçam o papel da APS como coordenadora do cuidado e ordenadora da rede.
Desejamos que os conhecimentos apresentados sejam incorporados ao seu processo de trabalho e contribuam para práticas mais colaborativas, qualificadas e centradas nas necessidades das pessoas, das famílias e dos territórios.
Desta forma, podemos fortalecer o cuidado tornando-o cada vez mais potente e alinhado ao SUS que fazemos todos os dias.
Continue sua trajetória formativa!
Para alcançar um bom desempenho nos estudos, é fundamental acessar e utilizar todos os recursos didáticos disponibilizados na disciplina. Nesse sentido, recomendamos que você:
Até a próxima disciplina!
FICHA TÉCNICA
Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves – SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – SAPS/MS
Ana Paula Pinho – A.C. Camargo
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Mauro Junqueira – CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS
Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata – CONASEMS
Marta de Sousa Lima – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – CONASEMS
Thaís Coutinho – SAPS/MS
Valdívia França Marçal – CONASEMS
Assessoria executiva:
Antônio Jorge de Souza Marques
Elaboração de Conteúdo:
Renata Correa de Barros
Designer Educacional:
Gustavo Henrique Faria Barra – CONASEMS
Coordenação de Desenvolvimento Web e Gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS
Desenvolvimento Web:
Aidan Bruno – CONASEMS
Alexandre Itabayana – CONASEMS
Caroline Boaventura – CONASEMS
Projeto Gráfico e Design de Experiência:
Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS
Ilustração:
Lucas Corrêa Mendonça – CONASEMS
Revisão Linguística:
Camila Miranda Evangelista – CONASEMS
Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Flickr Ministério da Saúde
Flickr CONASEMS
Envato Elements
https://elements.envato.com
Freepik
https://br.freepik.com
Pexels
https://www.pexels.com/pt-br/
Evidência alta: resultados consistentes e pouco suscetíveis a mudança.
Evidência moderada: provavelmente verdadeira, mas com algum grau de incerteza.
Evidência baixa: limitada ou inconsistente.
Evidência muito baixa: incerteza considerável.
Evidência moderada: provavelmente verdadeira, mas com algum grau de incerteza.
Quadro 2 ─ Planejamento das Ações no Caso de Maria Eduarda
Área
Ação
Responsável
Frequência/Prazo
Saúde
Avaliação médica e psicológica para descartar Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outras causas orgânicas.
Médico e Psicólogo.
Até 30 dias.
Educação
Reunião com a escola para definir estratégias pedagógicas (reforço escolar e leitura guiada).
Enfermeira e ACS.
15 dias.
Família
Orientações para a mãe e a avó sobre rotina, estímulos e tempo de tela.
ACS e Psicólogo.
Durante visitas domiciliares.
Comunidade
Inserir Maria Eduarda em oficina de grupos de leitura na biblioteca comunitária.
ACS.
2 meses.
Equipe
Discussão de caso e reavaliação do PTS.
Equipe multiprofissional.
A cada 3 meses.
Área
Saúde
Ação
Avaliação médica e psicológica para descartar Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outras causas orgânicas.
Responsável
Médico e Psicólogo.
Frequência/Prazo
Até 30 dias.
Área
Educação
Ação
Reunião com a escola para definir estratégias pedagógicas (reforço escolar e leitura guiada).
Responsável
Enfermeiro e ACS.
Frequência/Prazo
15 dias.
Área
Família
Ação
Orientações para a mãe e a avó sobre rotina, estímulos e tempo de tela.
Responsável
ACS e Psicólogo.
Frequência/Prazo
Durante visitas domiciliares.
Área
Comunidade
Ação
Inserir Maria Eduarda em oficina de grupos de leitura na biblioteca comunitária.
Responsável
ACS.
Frequência/Prazo
2 meses.
Área
Equipe
Ação
Discussão de caso e reavaliação do PTS.
Responsável
Equipe multiprofissional.
Frequência/Prazo
A cada 3 meses.
Fonte: elaborado pelo autor, 2026.
Quadro 1 ─ Metas do PTS no Caso de Maria Eduarda
Prazo
Meta
Critério de avaliação
Curto (1 mês)
Estabelecer uma rotina diária de estudos e horários de sono.
Relato da mãe e do ACS.
Médio (3 meses)
Melhorar a concentração nas atividades escolares.
Avaliação da professora.
Longo (6 meses)
Avançar na leitura e na escrita e melhorar a autoestima.
Reavaliação multiprofissional.
Prazo
Curto (1 mês)
Meta
Estabelecer uma rotina diária de estudos e horários de sono.
Critério de avaliação
Relato da mãe e do ACS.
Prazo
Médio (3 meses)
Meta
Melhorar a concentração nas atividades escolares.
Critério de avaliação
Avaliação da professora.
Prazo
Longo (6 meses)
Meta
Avançar na leitura e na escrita e melhorar a autoestima.
Critério de avaliação
Reavaliação multiprofissional.
Fonte: elaborado pelo autor, 2026.
Maria Eduarda é uma criança de 9 anos, estudante do terceiro ano do ensino fundamental, que apresenta dificuldades na leitura e na escrita, baixa autoestima e comportamento escolar impulsivo e disperso em sala de aula.
Ela reside com a mãe e com a avó materna, em uma casa simples. Sua mãe, Luciana, é trabalhadora autônoma e passa a maior parte do dia fora de casa.
Temática 2 – Tecnologias de Comunicação para a Coordenação do Cuidado
Aborda tecnologias que apoiam a integração da Rede de Atenção Saúde (RAS) e facilitam o acesso ao cuidado.
Temas: Prontuário Eletrônico, Interoperabilidade dos Sistemas de Informação, Sistemas de Regulação do Acesso e Gestão de Filas, Protocolos de Encaminhamento, Linhas de Cuidado e Telessaúde.
Temática 1 – Ferramentas para a Coordenação do Cuidado Interprofissional
Apresenta ferramentas para o planejamento integrado do cuidado, com foco no trabalho interprofissional e no uso de evidências científicas.
Temas: discussão de Casos Clínicos (Projeto Terapêutico Singular, Plano de Cuidado Compartilhado, Apoio Matricial e Manejo de Casos Complexos) e Diretrizes Clínicas na APS.
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