Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde
Módulo V – Saúde Bucal na APS
Disciplina 12
Saúde Bucal na APS
Chegamos a um novo momento do curso no qual abordaremos a Saúde Bucal na Atenção Primária à Saúde (APS)
Seu percurso formativo avança agora para o Módulo 5 – Saúde Bucal na Atenção Primária à Saúde (APS), composto por uma única disciplina dedicada a compreender o papel da Saúde Bucal na organização do cuidado e na atuação das equipes no âmbito da APS.
Nesta aula, propomos uma reflexão sobre a prática odontológica no Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecendo a Saúde Bucal como parte indissociável da saúde geral. A partir da integração entre Promoção da Saúde e Vigilância em Saúde na Rede de Atenção à Saúde Bucal, buscamos fortalecer uma clínica ampliada e resolutiva, centrada no sujeito-usuário e orientada por ferramentas, como a estratificação de risco e a odontologia de mínima intervenção, favorecendo a oferta de um cuidado integral, humanizado e socialmente comprometido.
Conheça a seguir os objetivos de aprendizagem desta disciplina.
Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de:
Relembrar os conceitos de clínica ampliada, de bucalidade, de saúde bucal coletiva, de Determinantes Sociais da Saúde e os impactos sociais na Saúde Bucal.
Entender a RASB, diferenciando os papéis da APS, dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), dos Serviços de Especialidades em Saúde Bucal (Sesb), dos Laboratórios de Próteses Dentárias e da Rede Hospitalar com ênfase no diagnóstico precoce do câncer de boca.
Aplicar a clínica ampliada conforme protocolos do Ministério da Saúde, com foco em OMI, ART, remoção seletiva e manejo dos agravos em Saúde Bucal na APS.
Interpretar os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023) e outros inquéritos de base populacional para identificar vulnerabilidades e planejar a busca ativa no território.
O Olhar Estratégico sobre o território
Nesta disciplina, exploraremos como a Promoção da Saúde pode transformar condições de vida e fortalecer a equidade, atuando de forma estratégica sobre as “causas das causas” por meio da integração entre Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde (APS) na Rede de Atenção à Saúde Bucal (RASB).
Nosso objetivo é capacitar você para uma clínica ampliada e resolutiva, que desloca o foco do “objeto-dente” para o “sujeito-usuário”, utilizando ferramentas, como a estratificação de risco e a odontologia de mínima intervenção, fundamentais para a oferta de um cuidado integral, humanizado e socialmente comprometido.
Você já ouviu esta afirmação?
Não se faz Saúde Bucal somente com escova, pasta dente e fio dental!
A Promoção da Saúde constitui uma estratégia fundamental para reorientar as práticas sanitárias e enfrentar os desafios do sistema de saúde, sendo um eixo estruturante da Vigilância em Saúde e do modelo de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS).
Nesse contexto, a Política Nacional de Promoção da Saúde destaca a importância de uma concepção ampliada de saúde, da articulação intersetorial e da integração das ações de promoção em todos os pontos de atenção.
Essas ações visam ampliar as potencialidades de indivíduos e coletividades, promover equidade e reduzir vulnerabilidades relacionadas aos determinantes sociais.
Estratégias de Promoção da Saúde Bucal
Na saúde bucal coletiva, é essencial considerar os aspectos estruturais que influenciam o processo saúde-doença, reconhecendo que os agravos bucais estão diretamente relacionados às condições de vida das populações. Nesse sentido, as estratégias de Promoção da Saúde devem atuar sobre os determinantes sociais, por meio da articulação de políticas públicas, da intersetorialidade e da ampliação do acesso universal.
Essa perspectiva exige que as práticas odontológicas superem o enfoque exclusivamente curativo e adotem uma abordagem ampliada, participativa e socialmente comprometida. Assim, ao compreender o território e fortalecer o vínculo com as famílias, os profissionais de Saúde Bucal podem desenvolver ações efetivas de Promoção da Saúde, com impacto direto nas condições bucais da população.
Para além da atuação dos profissionais de Saúde Bucal, de que forma os demais membros da equipe da APS contribuem para o cuidado nessa área?
Na prática do dia a dia, a Promoção da Saúde Bucal vai muito além da realização de procedimentos clínicos. Ela se constrói no território, no vínculo com as famílias e nas ações educativas desenvolvidas de forma contínua. Nesse processo, os profissionais de Saúde Bucal – cirurgiões-dentistas, técnicos em Saúde Bucal e auxiliares em Saúde Bucal – têm um papel fundamental ao compartilhar saberes, apoiar e realizar o matriciamento dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e demais profissionais da APS.
Os ACS constituem o maior contingente de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (Brasil, 2025a), e estão diariamente em contato direto com a comunidade. Quando fortalecidos por meio da educação permanente, tornam-se agentes estratégicos para identificar necessidades, orientar as famílias e promover a Saúde Bucal de forma integrada às demais ações de cuidado no território.
Ao considerar a multiprofissionalidade na APS e priorizar o atendimento integral dos usuários, os profissionais da ESF, das Equipes Multiprofissionais (eMulti) e demais formatações que atuam na APS, a Saúde Bucal pode ser inserida nas diversas rotinas de trabalho. Para isso, o empenho da equipe inicialmente é o de “desodontologizar” o tema e compreender que a Saúde Bucal é parte da saúde sistêmica.
Vejamos, na prática, como a equipe multiprofissional pode atuar:
Ao abordar a saúde da criança como exemplo, a Promoção da Saúde Bucal deve ser um eixo comum entre os profissionais, integrando-se naturalmente ao acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento.
Confira clicando em cada profissional:
Durante as consultas de puericultura, o ENFERMEIRO exerce papel vital ao orientar sobre a higienização dos primeiros dentes e o manejo de hábitos, como o uso prolongado de bicos artificiais.
Simultaneamente, o MÉDICO pode monitorar a cronologia de erupção dental e identificar sinais de respiração bucal.
Por sua vez, o NUTRICIONISTA atua na prevenção da Cárie na primeira infância ao desestimular o consumo precoce de açúcares.
Nessa abordagem conjunta, o FONOAUDIÓLOGO também poderia estar presente, reforçando o aleitamento materno não apenas como nutrição, mas também como estímulo primordial para o adequado desenvolvimento das funções de mastigação e fala.
Durante as consultas de puericultura, o ENFERMEIRO exerce papel vital ao orientar sobre a higienização dos primeiros dentes e o manejo de hábitos, como o uso prolongado de bicos artificiais.
Simultaneamente, o MÉDICO pode monitorar a cronologia de erupção dental e identificar sinais de respiração bucal.
Por sua vez, o NUTRICIONISTA atua na prevenção da Cárie na primeira infância ao desestimular o consumo precoce de açúcares.
Nessa abordagem conjunta, o FONOAUDIÓLOGO também poderia estar presente, reforçando o aleitamento materno não apenas como nutrição, mas também como estímulo primordial para o adequado desenvolvimento das funções de mastigação e fala.
A prevenção de agravos em Saúde Bucal
A prevenção de agravos em Saúde Bucal é um componente essencial da saúde pública, orientando a reorganização dos serviços de saúde no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) e buscando a integralidade do cuidado.
Para ser eficaz, a prevenção envolve intervenções amplas que ultrapassam os limites do consultório odontológico e buscam modificar as circunstâncias sociais e ambientais que afetam a saúde coletiva (Brasil, 2008a).
A prática na APS abrange os quatro níveis de prevenção:
PREVENÇÃO PRIMÁRIA:
remove causas e fatores de risco antes do desenvolvimento de uma condição clínica (Brasil, 2010).
Destacam-se a fluoretação das águas de abastecimento público, a educação em Saúde Bucal, a orientação quanto à higiene oral, a escovação dental supervisionada, a aplicação tópica de flúor e o incentivo à alimentação saudável, especialmente com a redução do consumo de açúcares.
PREVENÇÃO SECUNDÁRIA:
busca identificar precocemente os problemas, ainda em estágio subclínico (Brasil, 2010).
Incluem-se os exames odontológicos periódicos, o diagnóstico precoce da cárie dentária e da doença periodontal, o rastreamento de lesões bucais potencialmente malignas e a aplicação de selantes de fóssulas e fissuras (Brasil, 2012a).
PREVENÇÃO TERCIÁRIA:
reduz prejuízos funcionais em problemas agudos ou crônicos, como a reabilitação (Brasil, 2010).
Exemplificam-se como ações desse nível os procedimentos restauradores, o tratamento de doenças periodontais avançadas, as cirurgias odontológicas indicadas e a reabilitação oral com próteses dentárias (Brasil, 2012a).
PREVENÇÃO QUATERNÁRIA:
visa evitar as consequências do intervencionismo excessivo em indivíduos em risco de intervenções inadequadas (Brasil, 2010).
Incluem-se evitar procedimentos invasivos sem indicação clínica e adotar condutas fundamentadas na avaliação de risco e na real necessidade de tratamento (Brasil, 2012a).
É fundamental para a APS encontrar um equilíbrio entre as ações de prevenção e a atenção à demanda espontânea originada do sofrimento das pessoas, para que a legitimidade da equipe se consolide e a redução das iniquidades em saúde seja priorizada (Brasil, 2010).
Entenda melhor as ações de promoção e prevenção em Saúde Bucal
Várias são as ações, sejam elas individuais ou coletivas de promoção e prevenção em Saúde Bucal disponibilizadas pelo Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM – órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção – do SUS (SIGTAP). O SIGTAP deve ser compreendido como instrumento de registro e financiamento, e não como limitador do cuidado.
Cada ação/procedimento possui um código específico, utilizado para realizar o lançamento pelos profissionais e, consequentemente, a contabilização das informações pelo Ministério da Saúde.
Para acessar o sistema basta clicar aqui.
Fluoretação da água como estratégia de saúde pública
Quando a água vira aliada da Saúde Bucal!
O efeito do fluoreto no controle da cárie é local e depende da sua presença constante na cavidade bucal, o que é garantido de forma simples e abrangente pela fluoretação da água. Esse efeito ocorre tanto pela ingestão direta quanto pelo consumo de alimentos preparados com água fluoretada, permitindo que o flúor seja continuamente reintroduzido na boca por meio da saliva, reforçando, assim, sua ação protetora.
A fluoretação é classificada como uma estratégia de equidade social. Segundo Narvai (2001), essa medida garante que mesmo as parcelas da população sem acesso a produtos de higiene bucal ou serviços odontológicos privados recebam o benefício do flúor, reduzindo o abismo epidemiológico entre as classes sociais.
Você conhece quais são as condições mais prevalentes em Saúde Bucal?
Para atuar no manejo dessas condições, é fundamental que tenhamos conhecimento da situação epidemiológica da nossa região e, se possível, do nosso município.
Entre os agravos mais prevalentes no âmbito da Saúde Bucal destacam-se a cárie dentária, a doença periodontal, os traumatismos dentários, a dor odontogênica, as lesões de mucosa oral e as alterações funcionais do sistema estomatognático, cujo manejo exige abordagem baseada em evidências científicas e alinhada às diretrizes nacionais (Brasil, 2008a; Brasil, 2018).
Entenda melhor cada uma delas:
Para entender a saúde, é preciso olhar além do indivíduo!
As condições de vida – como trabalho, consumo e contexto social – influenciam diretamente a saúde, expondo diferentes grupos a riscos e proteções que resultam em perfis epidemiológicos distintos. Nesse contexto, é importante diferenciar desigualdade de iniquidade: enquanto a desigualdade é apenas uma diferença, a iniquidade refere-se a situações injustas e evitáveis, que colocam certos grupos em desvantagem.
Como você classificaria as condições a seguir? Arraste as frases para o quadro correspondente:
Clique no ícone abaixo:
Na Atenção Primária à Saúde (APS), reconhecer as diferentes necessidades da população é fundamental para orientar práticas equitativas. Nesse contexto, a estratificação de risco é utilizada como ferramenta para organizar o cuidado e planejar ações de forma contínua, garantindo a oferta de mais atenção a quem mais precisa.
Organização do cuidado em Saúde Bucal: estratificação de risco
Na APS, a organização do cuidado em Saúde Bucal substitui a ordem de chegada pela priorização baseada na vulnerabilidade social, na natureza do agravo e no grau de sofrimento. Para isso, utiliza-se a estratificação de risco de forma multidimensional, considerando três níveis:
RISCO COLETIVO: refere-se aos determinantes territoriais que afetam a saúde da população, como o acesso à água fluoretada e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM).
RISCO FAMILIAR: avalia a vulnerabilidade do núcleo familiar por meio de sentinelas identificadas na Escala de Coelho-Savassi, na Escala de Vulnerabilidade Familiar (EVFAM-BR) ou no recebimento de benefícios sociais, como o Bolsa Família (PBF) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
RISCO INDIVIDUAL: avalia as condições clínicas e comportamentais do usuário, como experiência de cárie, dor, doença periodontal e hábitos de saúde, permitindo organizar o cuidado de forma equitativa e priorizar quem mais necessita.
Vamos explorar melhor esse tema? Assista ao vídeo a seguir e observe como, no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), o trabalho em Saúde Bucal pode ser adaptado às especificidades do território e da população. Clique aqui para acessá-lo.
E lembre-se:
Ignorar os determinantes sociais na avaliação do risco em Saúde Bucal pode gerar iniquidades, ao tratar como iguais indivíduos em condições de vida distintas.
Pessoas em situação de vulnerabilidade, como beneficiárias do Programa Bolsa Família (PBF), apresentam maior risco de agravamento dos problemas de saúde, devido à menor proteção social e maior exposição a riscos.
Nesse contexto, o PBF atua como sentinela de risco familiar, sendo um critério relevante para a estratificação. Na prática, essas informações orientam as equipes na identificação de grupos que demandam maior vigilância, considerando que a vulnerabilidade social potencializa riscos biológicos e dificulta a adesão ao cuidado.
Além disso, o descumprimento das condicionalidades do programa funciona como sinal de alerta para possíveis fragilidades, como barreiras de acesso ou desestruturação familiar.
Assim, a integração entre saúde e assistência social permite priorizar famílias mais vulneráveis, direcionando ações, como visitas domiciliares e busca ativa, e fortalecendo o cuidado integral e equitativo na APS.
Mas o cuidado não termina na APS!
Você sabe como a Rede de Atenção organiza-se para garantir a integralidade do cuidado em Saúde Bucal?
É o que veremos a seguir!
Em maio de 2023, foi sancionada a Lei n.º 14.572, que Institui a Política Nacional de Saúde Bucal no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e suas diretrizes, bem como altera a Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990, para incluir a Saúde Bucal no campo de atuação do SUS (Brasil, 2023b).
Essa lei transformou o programa Brasil Sorridente em uma Política de Estado, o que significa que a Saúde Bucal passou a ser um direito garantido por lei federal, independentemente de mudanças de governo.
Você conhece a RASB?
A Rede de Atenção à Saúde Bucal (RASB) é o conjunto articulado de ações e serviços de Saúde Bucal no SUS, organizados em diferentes níveis de atenção, com o objetivo de garantir cuidado integral, acessível, equitativo e resolutivo à população. Essa organização em rede permite atender às necessidades dos usuários com qualidade e continuidade do cuidado.
Os diferentes pontos de atenção que compõem a RASB são:
Analise um exemplo de percurso do usuário na Rede de Atenção à Saúde Bucal.
Clique em cada um dos box abaixo:
Saúde Bucal nos ciclos de vida
Na Atenção Primária à Saúde, o cuidado com a Saúde Bucal é contínuo e adaptado para cada fase da vida.
Clique nas imagens abaixo e entenda como o processo ocorre em cada etapa.
✨ O cuidado em saúde bucal acompanha todas as fases da vida — e a APS coordena esse percurso.
Como a integração da Saúde Bucal na APS transforma o cuidado de procedimentos isolados para uma abordagem integral e centrada no usuário?
A integração da Saúde Bucal na Atenção Primária à Saúde representa a superação de um modelo tradicional, centrado em procedimentos, para um cuidado mais amplo, resolutivo e inclusivo. Nesse contexto, a saúde bucal coletiva fortalece ações de Promoção da Saúde, de integralidade do cuidado e de trabalho interprofissional.
O conceito de bucalidade sustenta essa mudança, ao deslocar o foco do dente para o sujeito, compreendendo a boca como parte das relações sociais, da comunicação e da qualidade de vida. Essa perspectiva fundamenta a clínica ampliada, que reconhece o usuário em sua integralidade e orienta a construção de projetos terapêuticos que considerem sua singularidade, autonomia e contexto de vida.
Assim, o cuidado em Saúde Bucal deixa de ser isolado e passa a ser compartilhado entre profissionais, baseado na escuta qualificada, na corresponsabilização e na atenção às múltiplas dimensões do sujeito.
Organização do cuidado
Na Atenção Primária à Saúde (APS), a organização do cuidado parte do reconhecimento das necessidades da população, permitindo ordenar a rede e garantir acesso de forma equitativa e resolutiva. Nesse processo, o cuidado em saúde – incluindo a Saúde Bucal – deve priorizar o uso de tecnologias leves, como escuta qualificada, vínculo e diálogo, favorecendo a autonomia do usuário e a construção de relações de corresponsabilização.
A clínica ampliada orienta essa prática, ao integrar o cuidado biológico às dimensões sociais e subjetivas, superando intervenções isoladas. Essa integração concretiza-se, principalmente, por meio do Projeto Terapêutico Singular (PTS), que organiza o cuidado de forma compartilhada entre profissionais a partir das necessidades do usuário e do apoio matricial, que promove a troca de saberes entre equipes, ampliando a resolutividade da APS e evitando encaminhamentos desnecessários.
Outros dispositivos fortalecem esse trabalho interprofissional, como interconsultas e atendimentos conjuntos, reuniões de equipe, visitas domiciliares e ações de Educação Permanente em Saúde, que qualificam as práticas e sustentam a integração da Saúde Bucal na Rede de Atenção.
Como se concretiza a clínica ampliada na rede?
Para compreender essa abordagem, vamos acompanhar o exemplo do câncer de boca, um agravo que exige olhar atento, atuação interprofissional e detecção precoce.
Clique em cada um dos títulos abaixo:
O câncer de boca representa um importante problema de saúde pública no Brasil, com alta incidência e maior acometimento em homens.
Diante desse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) assume papel central na coordenação do cuidado e, principalmente, na detecção precoce, fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade.
A atuação da APS inicia-se na prevenção, com foco na identificação e no controle dos principais fatores de risco, muitos deles evitáveis. Destacam-se o tabagismo e o consumo de álcool, que, quando associados, aumentam em até 30 vezes o risco de desenvolvimento da doença. Além disso, mesmo pequenas quantidades de álcool já representam risco, não havendo nível seguro de consumo.
Outros fatores importantes incluem a infecção pelo HPV16, especialmente em casos de câncer de orofaringe em jovens, e a exposição solar sem proteção, principal fator relacionado ao câncer de lábio.
Nesse contexto, cabe à APS desenvolver ações educativas, orientar a população e realizar o exame clínico sistemático, favorecendo a identificação precoce de lesões suspeitas e o encaminhamento oportuno na Rede de Atenção.
Essa atuação é decisiva para o diagnóstico em estágios iniciais e para a efetividade do cuidado.
O câncer de boca representa um importante problema de saúde pública no Brasil, com alta incidência e maior acometimento em homens.
Diante desse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) assume papel central na coordenação do cuidado e, principalmente, na detecção precoce, fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade.
A atuação da APS inicia-se na prevenção, com foco na identificação e no controle dos principais fatores de risco, muitos deles evitáveis. Destacam-se o tabagismo e o consumo de álcool, que, quando associados, aumentam em até 30 vezes o risco de desenvolvimento da doença. Além disso, mesmo pequenas quantidades de álcool já representam risco, não havendo nível seguro de consumo.
Outros fatores importantes incluem a infecção pelo HPV16, especialmente em casos de câncer de orofaringe em jovens, e a exposição solar sem proteção, principal fator relacionado ao câncer de lábio.
Nesse contexto, cabe à APS desenvolver ações educativas, orientar a população e realizar o exame clínico sistemático, favorecendo a identificação precoce de lesões suspeitas e o encaminhamento oportuno na Rede de Atenção.
Essa atuação é decisiva para o diagnóstico em estágios iniciais e para a efetividade do cuidado.
A atuação da Saúde Bucal na APS vai muito além das paredes do consultório
Ela se integra ao território e a outros campos do cuidado por meio de ações voltadas a populações vulneráveis (como comunidades tradicionais, pessoas em situação de rua, PcD e idosos), ao acompanhamento de ciclos de vida e condições crônicas (pré-natal, diabetes, hipertensão, câncer) e à promoção de hábitos saudáveis, como o combate ao tabagismo.
Essa atuação amplia-se em programas estratégicos, como o Saúde na Escola (PSE) e o atendimento domiciliar (Melhor em Casa), além de incluir a educação permanente, com a equipe de Saúde Bucal apoiando e qualificando outros profissionais.
O trabalho interprofissional fortalece a integralidade, aumenta a segurança do paciente, melhora a adesão ao cuidado e permite respostas mais efetivas às necessidades de saúde, ao mesmo tempo em que exige a ampliação do escopo das práticas profissionais, acompanhando as mudanças no perfil da população e na organização do SUS.
Na Atenção Primária à Saúde (APS), as intervenções em Saúde Bucal abrangem diagnóstico, tratamento, reabilitação, prevenção e promoção da saúde, além da coordenação do cuidado das pessoas e suas famílias. Nesse contexto, as equipes de Saúde Bucal, especialmente na Estratégia Saúde da Família, têm como diretriz resolver a maioria dos problemas de saúde da população, com impacto positivo e boa relação custo-efetividade.
Sob essa perspectiva, a Carteira de Serviços da Atenção Primária à Saúde (CaSAPS) atua como ferramenta estratégica que organiza, padroniza e dá transparência às ações ofertadas, orientando práticas, fluxos e processos de trabalho. Ao incluir a Saúde Bucal, reforça sua integração plena na APS, ampliando o acesso, promovendo equidade e garantindo um cuidado contínuo, coordenado e mais resolutivo.
Nesse contexto, conheça as principais intervenções de Saúde Bucal na APS
A cárie dentária é o principal foco das intervenções clínicas em Saúde Bucal na APS, sendo a dentística a área de maior volume de procedimentos no SUS.
Clique nas setas para navegar.
O manejo dessa condição prioriza abordagens conservadoras, com preservação da vitalidade pulpar e máxima manutenção da estrutura dentária, utilizando materiais, como resina composta e cimento de ionômero de vidro, enquanto o uso de amálgama vem sendo progressivamente reduzido.
Estratégias, como o Tratamento Restaurador Atraumático (ART), destacam-se por sua alta resolutividade e baixo custo, sendo especialmente relevantes na saúde coletiva.
Em casos de cárie profunda em dentes decíduos, a remoção seletiva de dentina é a abordagem preferencial, pois reduz significativamente o risco de exposição pulpar e a necessidade de tratamentos mais invasivos.
Procedimentos, como pulpotomia e uso de materiais (a exemplo do MTA), são indicados em situações específicas, sempre priorizando condutas minimamente invasivas e baseadas em evidências.
O manejo de lesões profundas de cárie na APS, em dentes vitais e sem dor espontânea (ou com pulpite reversível), deve priorizar a remoção seletiva da dentina em sessão única, estratégia que reduz o risco de exposição pulpar e aumenta a resolutividade.
A técnica consiste em remover a dentina até consistência dura nas paredes laterais, favorecendo a adesão do material restaurador, e manter dentina mais amolecida próxima à polpa, preservando sua vitalidade.
O uso de agentes antimicrobianos na cavidade não é recomendado, por não aumentar a efetividade do tratamento.
O tratamento da doença periodontal (periodontite estágios I–III) na APS tem como base o controle do biofilme subgengival, realizado por meio de raspagem e de alisamento radicular, sendo essa a abordagem padrão-ouro.
O manejo deve incluir também o controle de fatores de risco, como tabagismo e diabetes, fundamentais para o sucesso terapêutico.
A educação em higiene bucal deve ser reforçada em todas as etapas, incluindo a manutenção periódica, podendo-se associar, em casos específicos, agentes químicos como dentifrícios e colutórios. O uso de antibióticos sistêmicos é restrito a situações mais graves e selecionadas. Casos complexos devem ser encaminhados para a Atenção Especializada, destacando a importância da articulação entre APS e serviços, como o CEO e o Sesb.
Da organização da rede à prática resolutiva: intervenções clínicas baseadas em evidências na APS
Na Atenção Primária à Saúde, o cuidado em Saúde Bucal – incluindo urgências e exodontias – deve ser resolutivo, baseado em evidências e orientado pelo alívio da dor, pelo controle de infecções e pela intervenção imediata, com decisões fundamentadas em anamnese, exame físico criterioso e protocolos.
As EXODONTIAS seguem critérios definidos, como destruição dentária irreversível, doença periodontal avançada, restos radiculares e infecções não controladas, considerando também condições sistêmicas e situações, como preparo pré-oncológico.
As diretrizes da CaSAPS reforçam essa abordagem, ao ampliar a resolutividade da APS, organizar o cuidado e reduzir encaminhamentos desnecessários, o que exige equipes qualificadas, infraestrutura adequada e uso consistente de protocolos para garantir um cuidado integral e seguro.
Da resolutividade clínica às abordagens conservadoras. Confira!
Odontologia de Mínima Intervenção (OMI)
A OMI baseia-se no entendimento atual de que a cárie é uma doença crônica não transmissível, açúcar-dependente e mediada pelo biofilme, o que exige abordagens focadas no controle dos fatores etiológicos e no equilíbrio do processo de des- e remineralização.
Seus principais objetivos são:
As categorias de tratamento na OMI comtemplam: tratamentos não invasivos, microinvasivos ou invasivos com remoção seletiva do tecido cariado (Brasil, 2024d).
Tratamento Restaurador Atraumático (ART)
O ART é um dos principais pilares da Odontologia de Mínima Intervenção, indo além da restauração ao incorporar diagnóstico precoce, educação em saúde, controle da dieta e vedamento biológico, com foco no tratamento da doença cárie, e não apenas da cavidade.
Baseia-se na remoção seletiva do tecido cariado com instrumentos manuais e no selamento com CIV, interrompendo o suprimento às bactérias, paralisando a lesão e preservando a estrutura dentária e a vitalidade pulpar.
Seus principais benefícios são:
No SUS, destaca-se como estratégia custo-efetiva e promotora de equidade, ampliando o acesso e a resolutividade da atenção em Saúde Bucal.
Sobre o ART, é importante esclarecer dúvidas comuns entre profissionais, inclusive da Saúde Bucal.
Confira alguns questionamentos sobre o tema e suas respectivas respostas, clicando nos quadros:
O Tratamento Restaurador Atraumático é apenas uma técnica provisória?
O ART só serve para locais sem infraestrutura?
É preciso remover todo o tecido cariado antes de restaurar?
O ART vai muito além de uma “simples técnica de obturar dentes”; ele é consolidado como uma filosofia de cuidado baseada em evidências e uma estratégia de saúde coletiva.
Confira outras abordagens conservadoras!
Remoção Seletiva de
Tecido Cariado
A remoção seletiva substitui o conceito antigo de “remoção total” na Odontologia de Mínima Intervenção (OMI).
O protocolo preserva dentina afetada firme na parede pulpar, evitando exposições acidentais e tratamentos de canal desnecessários, eliminando o chamado “Grito da Dentina” – busca por dentina totalmente dura em lesões profundas é hoje considerada sobretratamento.
Técnicas Complementares para Casos Complexos
Técnica de Hall: coroas pré-fabricadas em molares cariados sem remoção de cárie, com sucesso de até 93%.
Bandas Ortodônticas: proteção em casos graves de Hipomineralização Molar-Incisivo (HMI) e controle de sensibilidade.
Fluorterapia Profissional: verniz de flúor em crianças pequenas e manchas brancas ativas, formando reservatórios de fluoreto de cálcio para prevenir des-remineralização.
Essa abordagem busca interromper o ciclo restaurador repetitivo, evitando a “espiral da morte” do dente.
Da prática à avaliação: o papel dos indicadores na organização do cuidado em Saúde Bucal
Indicadores em Saúde Bucal são ferramentas essenciais para monitorar, avaliar e qualificar o cuidado na APS. De forma integrada, permitem compreender o perfil de saúde da população, identificar desigualdades e orientar o planejamento de ações com base em evidências.
Além disso, também estão relacionados ao financiamento e à avaliação da qualidade dos serviços, incentivando o acesso, a resolutividade e a priorização de práticas preventivas. Mais do que exigências administrativas, os indicadores apoiam a tomada de decisão e ajudam a direcionar o cuidado para quem mais precisa, promovendo maior equidade no SUS.
Chegamos ao final dos estudos sobre Saúde Bucal na APS. Ao longo desta aula, foi possível retomar conceitos fundamentais, como clínica ampliada, bucalidade, saúde bucal coletiva e Determinantes Sociais da Saúde, compreendendo seus impactos no processo saúde-doença.
Também se destacou a organização da Rede de Atenção à Saúde Bucal (RASB) e os diferentes pontos de atenção, com ênfase no papel da APS na coordenação do cuidado e no diagnóstico precoce do câncer de boca.
No campo da prática, reforçou-se a importância da atuação baseada em evidências, com a incorporação de abordagens, como a Odontologia de Mínima Intervenção (OMI), o Tratamento Restaurador Atraumático (ART) e a remoção seletiva do tecido cariado, além do manejo dos principais agravos na APS.
Por fim, evidenciou-se o papel dos indicadores e dos inquéritos populacionais, como o SB Brasil 2023, na identificação de vulnerabilidades e no planejamento de ações no território.
Dessa forma, espera-se que os conhecimentos abordados contribuam para uma prática mais resolutiva, equitativa e centrada nas necessidades da população.
Continue sua trajetória formativa!
Para alcançar um bom desempenho nos estudos, é fundamental acessar e utilizar todos os recursos didáticos disponibilizados na disciplina. Nesse sentido, recomendamos que você:
Até o próximo módulo!
FICHA TÉCNICA
Ficha técnica em validação
Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves – SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – SAPS/MS
Ana Paula Pinho – A.C. Camargo
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Mauro Junqueira – CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS
Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Danylo Santos Silva Vilaça – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata – CONASEMS
Marta de Sousa Lima – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – CONASEMS
Thaís Coutinho – SAPS/MS
Valdívia França Marçal – CONASEMS
Assessoria executiva:
Antônio Jorge de Souza Marques
Elaboração de Conteúdo:
Renata Correa de Barros
Designer Educacional:
Gustavo Henrique Faria Barra – CONASEMS
Coordenação de Desenvolvimento Web e Gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS
Desenvolvimento Web:
Aidan Bruno – CONASEMS
Alexandre Itabayana – CONASEMS
Caroline Boaventura – CONASEMS
Projeto Gráfico e Design de Experiência:
Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS
Ilustração:
Lucas Corrêa Mendonça – CONASEMS
Revisão Linguística:
Camila Miranda Evangelista – CONASEMS
Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Flickr Ministério da Saúde
Flickr CONASEMS
Envato Elements
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Freepik
https://br.freepik.com
Pexels
https://www.pexels.com/pt-br/
MITO!
A evidência moderna condena a remoção total como sobretratamento; deve-se manter a dentina firme para proteger a polpa (Fousp EvipOralHealth, 2024k).
MITO!
É uma filosofia de mínima intervenção baseada em evidências que deve ser aplicada em qualquer ambiente, inclusive no consultório privado.
MITO!
O ART é um tratamento definitivo. Em superfícies únicas, sua longevidade é comparável às restaurações de resina composta.
ADULTO e IDOSO
O cuidado em Saúde Bucal na vida adulta e na velhice deve ser contínuo e integrado às condições gerais de saúde. Nos adultos, destaca-se a articulação com o manejo de doenças crônicas, como o diabetes, além do controle de fatores de risco, como tabagismo, etilismo e dieta cariogênica. Incentiva-se também a realização do autoexame da boca e o acompanhamento regular na Atenção Primária à Saúde.
Nos idosos, é fundamental a avaliação e a higienização de próteses dentárias, a atenção à xerostomia – frequentemente associada ao uso de medicamentos – e a vigilância para o câncer de boca, com foco na detecção precoce. Quando necessário, o atendimento domiciliar deve ser considerado, especialmente em casos de limitação de locomoção.
CRIANÇA (até 12 anos) e ADOLESCENTE
O cuidado em Saúde Bucal na infância e na adolescência envolve orientação, prevenção e atenção às especificidades de cada fase. Na infância, recomenda-se o uso de creme dental fluoretado em quantidade adequada à idade (grão de arroz até 3 anos e 11 meses; grão de ervilha a partir dos 4 anos), além do uso diário do fio dental quando houver contato entre os dentes. A escovação deve ser incentivada com autonomia progressiva, sob supervisão até cerca de 8 a 10 anos. É fundamental limitar o consumo de açúcares e priorizar abordagens conservadoras e indolores, com atenção especial à dentição mista e aos primeiros molares permanentes, mais suscetíveis à cárie.
Na adolescência, deve-se reforçar a higiene bucal, especialmente a escovação noturna e o uso do fio dental, considerando o maior risco de negligência e gengivite. O cuidado deve contemplar fatores sociais e comportamentais, como hábitos de risco (tabaco, álcool e drogas), transtornos alimentares e uso de piercings orais, além do monitoramento dos terceiros molares. É essencial garantir acesso ao serviço, respeitar a autonomia, privacidade e sigilo, bem como fortalecer o vínculo e o protagonismo no cuidado. Ações coletivas, como as desenvolvidas no Programa Saúde na Escola, e o uso de dados para planejamento, também são estratégicos nesse contexto.
GESTANTE E BEBÊ (0–2 anos)
O cuidado em Saúde Bucal inicia-se ainda na gestação e estende-se à primeira infância, exigindo atenção a aspectos clínicos e preventivos. Durante a gestação, o atendimento odontológico pode ser realizado em qualquer trimestre, sendo o segundo geralmente mais confortável. Recomenda-se evitar o decúbito dorsal total, especialmente no terceiro trimestre, priorizando a inclinação para a esquerda. A lidocaína com adrenalina é a anestesia de escolha, e o paracetamol é o analgésico seguro. Deve-se evitar o uso de AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroides) após a 20ª semana e a tetraciclina, devido aos riscos ao feto.
Na primeira infância, destaca-se o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, a escovação a partir da erupção do primeiro dente com creme dental fluoretado (1000–1100 ppm) e a recomendação de evitar a oferta de açúcar até os 2 anos. Para o alívio da erupção dentária, recomenda-se o uso de mordedores, evitando géis anestésicos. Além disso, é importante o uso racional de chupetas e mamadeiras, com retirada até os 2 anos.
Contrarreferência: retorno à “Casa”
Após terminar o “tratamento de canal” no CEO e o diagnóstico da lesão na língua, Maria Eduarda não fica “solta” na rede. O CEO realiza um retorno (contrarreferência) para a UBS, informando que o tratamento foi concluído.
1º: Manutenção: para concluir o ciclo de cuidado, Maria Eduarda retorna à UBS para manutenção (limpezas e restaurações) e seguimento do pré-natal. A equipe reforça o suporte à cessação do tabagismo e a promoção de hábitos alimentares saudáveis.
2º: Os atendimentos que competem à APS também podem ser realizados na UBS durante o período que a usuária estiver em tratamento no CEO ou Sesb.
3º: Espaços como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), Bancos de Leite Humano e rodas de conversa em centros comunitários são opções em que a Saúde Bucal da gestante e do bebê também pode ser abordada.
Atenção Secundária: Centro de Especialidades Odontológicas (CEO)
O CEO é o ponto da rede que oferece serviços que a UBS não consegue cobrir.
1º: Tratamento Especializado: Maria Eduarda é atendida pelo dentista do CEO que realiza o tratamento de canal (tratamento endodôntico) para salvar seu dente.
2º: Diagnóstico Especializado: ainda no CEO, ela também passa pelo dentista responsável pela área de estomatologia (lesões de boca) para avaliar a lesão na língua e, se necessário, realizar uma biópsia.
3º: Articulação: caso a lesão seja apenas um ferimento simples, provocada por algum trauma ao mastigar, por exemplo, a eSB fará o acompanhamento. Se a lesão exigir investigação mais aprofundada, o dentista do CEO realiza a biópsia e, após análise em laboratório especializado, encaminha o paciente a um hospital específico, quando necessário.
Os Serviços de Especialidades Odontológicas (Sesb)
É importante destacar que, em algumas regiões, existem os Sesb. Eles funcionam de forma semelhante ao CEO, mas em número menor de especialidades ofertadas, mas que também compõem a RASB.
Fluxo de referência: sistema de regulação
O profissional dentista da UBS insere Maria Eduarda no sistema de regulação municipal. Ela sai da consulta com uma guia para o CEO (Centro de Especialidades Odontológicas).
Ponto de entrada: Atenção Primária à Saúde (APS)
Maria Eduarda, 27 anos, gestante, fumante, chega à sua Unidade Básica de Saúde (UBS) com uma queixa de gengiva sangrando, uma ferida na língua que está demorando a curar e dor em um “dente de trás” (molar).
1º: Acolhimento: a equipe de Saúde da Família a recebe. Como gestante, ela tem prioridade, conforme as diretrizes do pré-natal odontológico.
2º: Atendimento pela eSB (equipe de Saúde Bucal): o profissional dentista realiza o atendimento imediato.
3º: Diagnóstico: gengivite gravídica (resolvida ali mesmo na UBS, com limpeza e orientação de higiene), necessidade de tratamento de canal (endodontia) em um molar e avaliação de uma lesão suspeita na língua.
4º: O Papel da APS: ela é a “ordenadora” do cuidado. O profissional dentista resolve o que é Atenção Primária e referencia (encaminha) o que é da Atenção Especializada.
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