Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde

Módulo IV – Uso de Sistemas de Informação na Gestão Clínica

Disciplina 10

Ferramentas de Saúde Digital no Apoio à Gestão da Clínica na APS

Iniciamos agora a Disciplina 10: Ferramentas de Saúde Digital no Apoio à Gestão da Clínica na APS, que dá início ao Módulo IV – Uso de Sistemas de Informação na Gestão Clínica.

Neste estudo, você irá explorar como os dados produzidos na Atenção Primária à Saúde (APS) apoiam a organização do cuidado, a tomada de decisão e o acompanhamento dos usuários no SUS. 

Durante seu percurso formativo, serão apresentados sistemas e ferramentas digitais utilizados na rotina das equipes, com destaque para o e-SUS APS e o SIAPS, além da integração das informações na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

Agora, avance para conhecer os objetivos de aprendizagem que irão orientar sua trajetória nesta disciplina.

Objetivos de Aprendizagem

Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de:

Analisar o processo de transformação digital e seus impactos na digitalização das práticas clínicas.

Identificar práticas adequadas para o uso do e-SUS APS, considerando a privacidade, a ética e a proteção dos dados em saúde.

Conhecer o Sistema de Informação para Atenção Primária à Saúde (SIAPS), reconhecendo suas funcionalidades e aplicações.

Compreender como os dados produzidos na APS se integram às demais redes de atenção por meio dos sistemas de registro em saúde.

Ao longo desta disciplina, você irá explorar temas fundamentais para compreender o uso dos Sistemas de Informação em Saúde (SIS) na Gestão Clínica da Atenção Primária à Saúde. O percurso inicia-se pelos conceitos de registro, dados e informações em saúde, avançando para os sistemas utilizados na APS e para a integração das informações na RNDS.

Clique nos ícones para conhecer melhor as temáticas abordadas: 

Agora que você já sabe o que será abordado na disciplina, vamos começar?

O Registro em Saúde

Com certeza você já ouviu por aí que:

O que não é registrado, não existe.

No entanto, o grande desafio atual não é apenas a ausência de registros, mas a baixa qualidade das informações coletadas, que muitas vezes ficam incompletas ou fora dos padrões necessários.

E é aqui que começa o nosso estudo: 

vamos compreender como realizar registros de excelência para garantir que os diferentes sistemas de informação em saúde conversem entre si de forma eficiente.

Tudo o que registramos no cotidiano dos serviços representa o ponto de partida para a produção das informações em saúde. 

À medida que esses dados se conectam a outros registros, eles passam a revelar um panorama mais amplo sobre a situação de saúde da população, apoiando o planejamento, a gestão clínica e a organização do cuidado nos territórios.

Para conhecer a definição de algumas nomenclaturas utilizadas no cotidiano da saúde, clique aqui e acesse o Glossário do SIAPS.

Neste momento, você deve estar se perguntando: como tudo isso acontece?

Tudo começa com o seu registro, seja de um atendimento, de uma visita domiciliar, de um procedimento, de uma vacina ou de qualquer outra atividade realizada na unidade de saúde. 

Essas informações são armazenadas nos sistemas de informação e, a partir daí, passam por etapas fundamentais de processamento e avaliação, como demonstra a Figura 1.

Clique na imagem para ampliá-la.

Figura 1 ─ A trajetória dos dados em saúde

Fonte: elaborado pela autora, 2026.

Para que os dados em saúde possam apoiar a gestão clínica e integrar a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), é fundamental que os registros sejam realizados com qualidade e seguindo os padrões definidos pelos modelos nacionais de informação.

Na prática, isso significa que o registro em saúde deve conter informações completas, corretas e padronizadas.

Um registro de qualidade deve garantir:

Mas o que acontece quando há erros ou informações incompletas?

Quando o registro apresenta inconsistências, os dados podem não ser processados corretamente pelos sistemas de informação. Com isso, deixam de seguir para a RNDS e para outros sistemas que utilizam essas informações na organização do cuidado, na produção de indicadores e no planejamento das ações em saúde.

Por isso, a qualidade do registro é o primeiro passo para garantir informações confiáveis e fortalecer a gestão clínica na APS.

#Fica a dica!

Os registros em saúde utilizam sistemas de classificação padronizados, como:

Esses padrões ajudam a organizar e uniformizar as informações registradas nos serviços de saúde, tornando os dados mais precisos, integrados e confiáveis para profissionais, gestores e usuários.

Agora, que você já conheceu os principais sistemas de classificação, relacione as terminologias apresentados aos seus respectivos significados.

Mova os termos indicados (em amarelo) para os campos correspondentes:

Clique nos termos indicados (em amarelo) e mova para os campos correspondentes:

Somos padrões para identificação de condições de saúde.
Somos códigos que definem procedimentos, exames e serviços de saúde do SUS.
Somos o padrão que identifica as ocupações e profissões no Brasil.

Percebeu como as terminologias fazem parte do nosso dia a dia?

Elas garantem a padronização dos registros em saúde, estando presentes desde fichas de procedimentos até requisições de exames citopatológicos. Isso significa que diferentes documentos e sistemas utilizam as mesmas classificações e terminologias, favorecendo a organização e a integração das informações.

Em um país com dimensões continentais como o Brasil, essa padronização é fundamental. Ela permite que os registros realizados em qualquer unidade de saúde sejam compreendidos em todo o território nacional, seguindo as mesmas regras, normas e terminologias.

Para observar como essa padronização pode ser aplicada na prática, clique aqui e acesse o e-book da disciplina.

Clique no termo em destaque para visualizar o conteúdo.

#Fica a dica!

O compartilhamento de informações em saúde precisa acontecer de forma segura. Para isso, existe a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece regras para o uso, acesso e proteção dos dados dos usuários.

Nesse contexto, os profissionais de saúde têm um papel essencial: registrar, utilizar e compartilhar as informações com responsabilidade, garantindo a privacidade, a segurança e o respeito ao cidadão.

Na próxima temática, vamos observar como os dados e as informações são registrados nos diferentes Sistemas de Informação em Saúde (SIS).

Os Sistemas de Informação em Saúde (SIS)

Agora que já compreendemos a importância dos padrões e normas nos registros em saúde, vamos conhecer melhor os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) e entender como esses dados são utilizados na prática da gestão e do cuidado em saúde.

Mesmo antes da criação do SUS, já existia a necessidade de organizar os registros produzidos nos serviços de saúde. A sistematização dessas informações permitiu compreender melhor o cenário de saúde da população e apoiar a tomada de decisão pelos gestores e profissionais.

Nesse contexto, em 1975, foi criado o primeiro Sistema de Informação em Saúde do Brasil. Você sabe qual foi?

Clique em uma das alternativas.

Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC).
Sistema de Informação de Mortalidade (SIM).
Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

Clique em uma das alternativas.

DICAS

Atualmente, todos os municípios brasileiros registram as declarações de óbito por meio do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM). 

Com isso, é possível identificar as principais causas de morte em cada localidade e, a partir desses dados, direcionar ações estratégicas para reduzir os óbitos por determinadas causas.

Além disso, essas informações são fundamentais para fortalecer a vigilância em saúde, orientar o planejamento das ações e aprimorar o cuidado oferecido na APS.

Elas também permitem avaliar o impacto das políticas de saúde e contribuem para a melhoria contínua da assistência prestada à população.

Para viabilizar a produção, o registro e a análise dessas informações, diversos SIS foram desenvolvidos ao longo dos anos, especialmente após a criação do SUS e a implementação de suas políticas e programas. Cada sistema possui uma finalidade específica e utiliza instrumentos próprios para registrar informações, como nascimentos, óbitos, cadastros, atendimentos e notificações de doenças e agravos.

Observe, no Quadro 1, alguns exemplos de documentos utilizados para alimentar os diferentes SIS.

Quadro 1 ─ Registro em Saúde no Sistemas de Informação em Saúde (SIS)

Clique nas setas para visualizar o conteúdo.

Documento de Origem

Sistema de Informação em Saúde (SIS)

Utilidade / Finalidade no SUS

Prontuário Eletrônico e-SUS APS / Fichas do e-SUS APS.

SIAPS

  • registro da Atenção Primária; 
  • produção das equipes;
  • indicadores de saúde;
  • base para financiamento e avaliação da APS.

Declaração de Nascido Vivo (DNV).

SINASC

  • monitoramento da natalidade;
  • análise de saúde materno-infantil;
  • planejamento de políticas de pré-natal e atenção ao nascimento.

Declaração de Óbito (DO).

SIM

  • estatística de mortalidade;
  • causas de morte;
  • vigilância epidemiológica;
  • planejamento de ações de prevenção e assistência.

Ficha de Notificação / Investigação.

SINAN

  • notificação e monitoramento de agravos de notificação compulsória;
  • vigilância epidemiológica;
  • respostas rápidas a surtos.

Autorização de Internação Hospitalar (AIH).

SIH/SUS

  • registro de internações hospitalares;
  • avaliação de perfil assistencial.

Formulário de Requisição e Resultado do Exame Citopatológico do Colo do Útero e do Formulário de Requisição e Resultado do Exame Histopatológico.

SISCAN

  • monitoramento do rastreamento e diagnóstico de câncer de colo de útero e mama;
  • acompanhamento de fluxos de linha de cuidado.

Fonte: elaborado pela autora, 2026.

Como vimos, o SUS conta com diversos Sistemas de Informação em Saúde que auxiliam na identificação do perfil epidemiológico da população e orientam o planejamento das ações e serviços de saúde.

Agora, vamos conhecer um dos principais sistemas utilizados pela Vigilância em Saúde: o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

Criado em 1993 e implantado nacionalmente a partir de 1998, o SINAN é responsável pelo registro e acompanhamento das notificações de doenças, agravos e eventos de saúde pública.

Na APS, esse sistema tem papel fundamental na identificação, notificação e acompanhamento dos casos. Por isso, é importante que os profissionais conheçam as doenças e os agravos de notificação compulsória definidos pelo Ministério da Saúde.

Clique na imagem para ampliá-la.

As notificações podem ser classificadas em:

Clique nos ícones para visualizar o conteúdo.

Notificação Compulsória Imediata (NCI):

notificação compulsória realizada em até 24 (vinte e quatro) horas, a partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, pelo meio de comunicação mais rápido disponível.

Notificação Compulsória Semanal (NCS):

notificação compulsória realizada em até 7 (sete) dias, a partir do conhecimento da ocorrência de doença ou agravo.

Notificação Compulsória Negativa (NCN):

comunicação semanal realizada pelo responsável pelo estabelecimento de saúde à autoridade de saúde, informando que na semana epidemiológica não foi identificado nenhuma doença, agravo ou evento de saúde pública constante da Lista de Notificação Compulsória.

Fique atento(a): assim como outros Sistemas de Informação em Saúde, o SINAN possui regras e padrões específicos para o preenchimento das fichas de notificação, garantindo a qualidade e a padronização dos registros.

Além do SINAN, existem diversos outros Sistemas de Informação em Saúde (SIS) importantes para o trabalho na APS, entre eles:

Clique nas abas para conhecer os sistemas.

Registra solicitações e resultados de exames citopatológicos, histopatológicos e mamografias, auxiliando no acompanhamento das usuárias do território.

Possibilita o acesso dos profissionais da APS aos resultados de exames, contribuindo para maior agilidade no acompanhamento dos usuários e redução da perda de resultados.

Acompanha informações relacionadas ao peso, altura, estado nutricional e consumo alimentar da população.

Reúne a solicitação, o recebimento e o acompanhamento de exames laboratoriais realizados pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs).

Auxilia na organização e no controle da movimentação de vacinas e outros insumos estratégicos.

#Fica a dica!

Como vimos, diversos Sistemas de Informação em Saúde são utilizados no registro e acompanhamento das informações em saúde. 

Entre eles, destaca-se a estratégia e-SUS APS, criada para reorganizar e qualificar as informações da Atenção Primária em todo o país.

Na próxima temática, vamos conhecer melhor como essa estratégia funciona na prática.

O Sistema e-SUS APS

Até aqui, vimos a importância de realizar registros com qualidade e conhecemos diferentes Sistemas de Informação em Saúde relacionados ao trabalho das equipes. Agora, vamos conhecer o e-SUS APS, uma estratégia fundamental para a APS.

Agora, vamos explorar as principais funcionalidades dessa ferramenta e compreender o ecossistema que a sustenta. Além disso, você identificará como essas soluções apoiam a gestão clínica na prática, qualificando o atendimento e o monitoramento dos usuários no dia a dia do território.

Antes de iniciarmos o conhecimento das funcionalidades do e-SUS APS, é muito importante que você verifique a versão do seu sistema, e mantê-lo atualizado é necessário para garantir um registro de qualidade.

Confira na imagem ao lado ou clique aqui e assista um vídeo, para verificar como verificar a versão mais atualizada do sistema.

Clique na imagem para ampliá-la.

#Fica a dica!

Inicialmente, o e-SUS APS era voltado apenas para as equipes da Atenção Primária à Saúde (APS).

No entanto, a partir da versão 5.2, lançada em 2023, o prontuário eletrônico passou a poder ser utilizado também por outros serviços de saúde. 

Essa ampliação busca fortalecer a integração dos registros clínicos e qualificar o acompanhamento longitudinal dos usuários.

Clique aqui para saber mais sobre o e-SUS APS Ampliado.

Clique na palavra em destaque para visualizar o conteúdo.

Um dos registros mais importantes no e-SUS APS é o Cadastro do Território. O preenchimento adequado dessas informações, seja por meio do Prontuário Eletrônico e-SUS APS, dos aplicativos ou das fichas de Coleta de Dados Simplificada (CDS), contribuem para um melhor conhecimento das características da população da área de abrangência.

Nesse contexto, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) desempenham papel fundamental. Por meio das visitas domiciliares, esses profissionais atualizam os dados das famílias e realizam o acompanhamento dos usuários de forma prática e integrada. 

Além disso, os aplicativos contam com funcionalidades de georreferenciamento, permitindo conhecer melhor o território, a distribuição da população e até mesmo o cadastro dos imóveis. Essas informações são essenciais para o planejamento das ações de saúde.

A seguir, vamos explorar como analisar o cadastramento da população a partir da organização do território. Vamos lá?

Clique nas passos para visualizar o conteúdo.

Passo 1
Passo 2
Passo 3
Passo 4

Acessar o sistema e-SUS APS do seu município.

Caso sua unidade ainda não esteja informatizada, solicite os dados à Secretaria Municipal de Saúde.

Com o sistema aberto, acessar o menu lateral e clicar em RELATÓRIOS e, em seguida, em CONSOLIDADOS.

Localizar e analisar os seguintes relatórios:

  1. Relatório de cadastro domiciliar e territorial: observe as características do território, os tipos de imóveis e as condições de moradia. Essas informações permitem identificar áreas de vulnerabilidade e aspectos relacionados ao processo saúde-doença.

     

  2. Relatório de cadastro individual: verifique a quantidade de cidadãos cadastrados, o perfil sociodemográfico e as principais condições de saúde. Reflita se esses dados correspondem à realidade do território e como podem contribuir para a organização dos atendimentos.

     

  3. Relatório consolidado da situação do território: analise o resumo das informações e a série histórica, observando a evolução da comunidade ao longo do tempo.

A partir da análise, identifique:

  • Principais vulnerabilidades do território.
  • Perfil epidemiológico da população.
  • Possíveis necessidades de atualização ou correção dos cadastros.

Acessar o sistema e-SUS APS do seu município.

Caso sua unidade ainda não esteja informatizada, solicite os dados à Secretaria Municipal de Saúde.

Com o sistema aberto, acessar o menu lateral e clicar em RELATÓRIOS e, em seguida, em CONSOLIDADOS.

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Localizar e analisar os seguintes relatórios:

  1. Relatório de cadastro domiciliar e territorial: observe as características do território, os tipos de imóveis e as condições de moradia. Essas informações permitem identificar áreas de vulnerabilidade e aspectos relacionados ao processo saúde-doença.
  2. Relatório de cadastro individual: verifique a quantidade de cidadãos cadastrados, o perfil sociodemográfico e as principais condições de saúde. Reflita se esses dados correspondem à realidade do território e como podem contribuir para a organização dos atendimentos.
  3. Relatório consolidado da situação do território: analise o resumo das informações e a série histórica, observando a evolução da comunidade ao longo do tempo.

A partir da análise, identifique:

  • Principais vulnerabilidades do território.
  • Perfil epidemiológico da população.
  • Possíveis necessidades de atualização ou correção dos cadastros.

#Fica a dica! 

O cadastro é o primeiro passo para conhecer as condições de vida, saúde e vulnerabilidade da população. 

Essas informações auxiliam no planejamento das ações e na estratificação de riscos, sendo responsabilidade de todos os profissionais da APS.

Durante esse processo, podem ser identificados cadastros desatualizados ou duplicados. A duplicidade acontece quando um mesmo usuário possui dois ou mais registros no sistema, geralmente vinculados ao CPF e ao Cartão Nacional de Saúde (CNS).

A seguir, veja como identificar e corrigir cadastros duplicados.

O e-SUS APS possui a funcionalidade Unificação de Cadastros, que permite reunir cadastros duplicados de um mesmo usuário. Essa opção está disponível no módulo GESTÃO DE CADASTROS, localizado na barra lateral do sistema.

Por se tratar de um processo que exige atenção e cuidado, essa funcionalidade não fica disponível para todos os profissionais da unidade de saúde. Como demonstrado na tela do computador, também é possível exportar uma planilha com os cadastros duplicados identificados no sistema.

No entanto, é importante ter atenção: esse arquivo contém informações de toda a base municipal. Por isso, antes de realizar qualquer unificação, é fundamental verificar cuidadosamente os dados para evitar alterações incorretas.

Clique na imagem para ampliá-la.

Outro módulo importante do e-SUS APS é o de ACOMPANHAMENTO, que reúne relatórios e informações estratégicas para auxiliar as equipes no monitoramento das condições de saúde da população. Por meio dele, é possível acompanhar usuários, identificar situações de risco e planejar ações de cuidado de forma mais organizada e qualificada.

Clique nos ícones para conhecer as principais funcionalidades disponíveis neste módulo.

Acompanhamento de condições de saúde

Busca ativa de vacinação

Cidadão vinculado

Território

Além do acompanhamento dos usuários, o e-SUS APS conta com módulos que auxiliam na organização dos fluxos de atendimento da unidade de saúde.

Clique nas setas para conhecê-los.

    Agenda

    Permite organizar a rotina das atividades realizadas pelos profissionais de saúde. 

    Nesse módulo, é possível agendar consultas na unidade ou em outros serviços, reservar horários para reuniões e ações coletivas, como o Programa Saúde na Escola (PSE), além de organizar atendimentos presenciais ou on-line com outros profissionais. 

    Também possibilita registrar faltas dos usuários, gerando relatórios de absenteísmo importantes para o planejamento da equipe.

    Lista de Atendimento

    Apresenta a relação de usuários que serão atendidos na unidade de saúde, incluindo aqueles agendados previamente e os atendimentos por demanda espontânea. 

    O módulo também permite aplicar filtros e acessar informações importantes para a organização do atendimento.

    Registro tardio

    Utilizado para registrar atendimentos que já aconteceram, mas que não foram inseridos no sistema no momento da realização. 

    Isso pode ocorrer, por exemplo, em atendimentos domiciliares ou em situações de instabilidade do sistema. O módulo permite registrar usuários vindos da agenda ou inseridos manualmente, respeitando o prazo máximo de até 7 dias após o atendimento.

    Garantia do acesso

    Funciona como uma fila de espera organizada para usuários que não puderam ser atendidos no momento e não conseguiram agendamento imediato. 

    Esse módulo permite registrar as necessidades dos usuários para posterior contato e organização do atendimento pela equipe. Situações urgentes não devem ser incluídas nesse fluxo, pois exigem atendimento imediato.

    Clique no termo em destaque para visualizar o conteúdo.

    Clique na palavra em destaque para visualizar o conteúdo.

    Agora que você já conheceu alguns dos principais módulos do e-SUS APS, vamos falar sobre o Prontuário Eletrônico e-SUS APS.

    Ele funciona como uma “caixa de ferramentas” que reúne diferentes funcionalidades para apoiar o atendimento em saúde. Essas ferramentas se adaptam às características e necessidades de cada usuário, apresentando recursos específicos conforme o perfil atendido.

    Por exemplo, durante o atendimento de uma criança, podem aparecer funcionalidades voltadas para o acompanhamento da puericultura e para a aplicação do M-CHAT. Já em atendimentos de outras faixas etárias, essas opções não são exibidas.

    Antes de aprofundarmos nas funcionalidades do Prontuário Eletrônico e-SUS APS, é importante conhecer algumas opções básicas disponíveis durante o atendimento dos usuários.

    Quando um usuário é inserido para atendimento, podem aparecer as seguintes opções:

    Essas funcionalidades permitem organizar o fluxo de atendimento e qualificar os registros realizados pela equipe, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde e as necessidades da população atendida.

    Para conhecer as principais diferenças entre o modelo de Coleta de Dados Simplificada (CDS) e o atendimento realizado no Prontuário Eletrônico e-SUS APS, clique aqui e acesse o e-book da disciplina.

    Como vimos até aqui, o Prontuário Eletrônico e-SUS APS foi desenvolvido para tornar o registro clínico mais completo e qualificado. Antes, muitos registros eram limitados a campos rápidos ou códigos padronizados. Agora, é possível descrever com mais detalhes a situação clínica do usuário, registrar resultados de exames, acompanhar sua evolução ao longo do tempo e elaborar planos de cuidado mais completos.

    Essas informações são organizadas na estrutura SOAP

    Clique nas letras para conhecer o significado de cada etapa:

    S

    Subjetivo – Informações relatadas pelo usuário, como sintomas, percepções e queixas.

    O

    Objetivo Dados observáveis e mensuráveis pelo profissional, como sinais vitais, exame físico e resultados de exames.

    A

    Avaliação Análise ou diagnóstico realizado pelo profissional a partir das informações subjetivas e objetivas.

    P

    Plano Condutas, orientações, tratamentos, encaminhamentos e próximos passos do cuidado.

    Para verificar como tudo isso funciona na prática, assista o vídeo a seguir para acompanhar a equipe do município de Bento Feliz, que está passando por um processo de informatização das equipes de saúde, migrando da Coleta de Dados Simplificada (CDS) para o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC).

    Nesse processo, a utilização adequada do sistema e-SUS APS é fundamental para qualificar os registros e o acompanhamento dos usuários.

    Clique no play para assistir o caso do Município de Bento Feliz.

    #Fica a dica!

    Para garantir o acesso a todas as funcionalidades do e-SUS APS, é fundamental que o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) esteja atualizado e corretamente configurado, além de manter o sistema em uma versão atualizada.

    Além disso, é importante saber que a estratégia e-SUS APS está em constante evolução, incorporando novas funcionalidades para qualificar o cuidado e os registros em saúde. Muitas dessas ferramentas podem ser conhecidas por meio dos materiais e manuais disponibilizados pelo sistema.

    Para saber mais sobre as funcionalidades do Prontuário Eletrônico e-SUS APS, clique aqui e acesse o manual de uso.

    Agora que já compreendemos a importância do registro qualificado, dos padrões e terminologias em saúde e conhecemos os principais recursos do e-SUS APS, vamos explorar como os dados chegam à base federal por meio do SIAPS.

    O Sistema SIAPS

    Quando as informações são enviadas para a base federal, inicia-se um novo processo de organização, qualificação e análise dos registros. 

    Após esse processamento, os dados ficam disponíveis em ambientes de acesso restrito para gestores e equipes de saúde, além de consultas públicas voltadas para toda a população.

    Nesta temática, vamos compreender como o Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde (SIAPS) organiza e disponibiliza essas informações, além de entender como elas podem apoiar a gestão clínica e o planejamento das ações na APS.

    Na prática, o processo de validação no SIAPS funciona como um grande filtro: todas as informações enviadas pelas equipes por meio do e-SUS APS são recebidas, analisadas e qualificadas antes de serem disponibilizadas. 

    Esse processo também acontece em outros Sistemas de Informação em Saúde e tem como objetivo garantir registros mais consistentes, confiáveis e úteis para o planejamento, o monitoramento e a gestão em saúde.

    Fique atento(a):

    Os dados reprovados no SIAPS reforçam algo que já discutimos anteriormente: a importância de seguir corretamente as regras, terminologias e especificidades dos Sistemas de Informação em Saúde.

    Como vimos, a maioria dos registros exige a identificação correta do profissional, do estabelecimento de saúde, da equipe e do respectivo Código Brasileiro de Ocupações (CBO).

    A Figura 2 apresenta, de forma simplificada, o fluxo percorrido pelas informações registradas nos Sistemas de Informação em Saúde. 

    Isso significa que cada consulta, visita domiciliar ou procedimento realizado pela equipe passa por diferentes etapas de validação e processamento até ser considerado nos programas, indicadores e serviços da APS no SUS.

    Por isso, é fundamental que você conheça como os dados são coletados e compreenda a importância da qualidade dos registros realizados. 

    O preenchimento adequado das informações, seguindo as regras e padrões dos sistemas, contribui para a produção de dados clínicos mais confiáveis e para sua integração à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

    Clique na imagem para ampliá-la.

    Figura 2 ─ Fluxo de validação e processamento de dados no SIAPS

    Fonte: elaborado pela autora, 2026.

    Agora que compreendemos como acontece o fluxo de validação e qualificação das informações enviadas pelas equipes, é importante entender como esses dados podem apoiar o monitoramento das ações e o planejamento do cuidado na APS.

    Com o SIAPS, é possível acompanhar o desempenho das ações realizadas pelas equipes em relação aos indicadores de saúde.

     Quando essas informações são associadas aos relatórios de condições de saúde do e-SUS APS, a equipe consegue identificar os públicos acompanhados e planejar ações de forma mais estratégica e qualificada.

    Para conhecer alguns componentes, indicadores e módulos importantes do SIAPS, clique aqui e acesse o e-book da disciplina.

    #Fica a dica!

    Ao longo desta temática, vimos a importância das regras de registro, da qualidade dos dados, das funcionalidades dos Sistemas de Informação em Saúde e dos processos de validação realizados pelo SIAPS.

    Mas você já parou para pensar para onde vão todas essas informações?

    Esses dados passam a integrar a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), uma das principais estratégias de transformação digital do SUS.

    A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)

    Nesta temática, vamos conhecer a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e entender como os diferentes registros realizados nos serviços de saúde se conectam para compor uma visão integrada do cuidado em saúde.

     

    Mas afinal, o que é a RNDS?

    Como vimos, anteriormente, na Disciplina 6, a RNDS faz parte da estratégia de transformação digital do SUS. 

    A expectativa é que, até 2028, ela esteja consolidada como uma plataforma nacional de inovação, informação e serviços de saúde, beneficiando usuários, profissionais, gestores e organizações de saúde em todo o país.

    Esse processo contribui para ampliar a integração das informações, fortalecer a continuidade do cuidado e qualificar a assistência prestada à população.

    Quando o e-SUS APS está integrado à RNDS, surge no sistema o ícone do SUS Digital Profissional, permitindo o acesso a diferentes informações do usuário durante o atendimento, conforme exemplificado na Figura 3.

    Clique na imagem para ampliá-la.

    Figura 3 ─ SUS Digital Profissional

    Fonte: adaptado de Brasil [s. d.].

    Clique nas setas para conhecer alguns benefícios dessa integração:

    Apoio à tomada de decisão

    Contribui para a integralidade do registro clínico, apoiando a definição de condutas, tratamentos e planos terapêuticos.

    Acesso ao histórico do usuário

    Permite acessar, por meio da conta Gov.br, informações como histórico de atendimentos, vacinas e outros registros realizados em diferentes serviços de saúde.

    Continuidade do cuidado

    Reduz a fragmentação das informações, permitindo que diferentes profissionais acompanhem o histórico do usuário e deem continuidade ao cuidado nos diferentes níveis de atenção à saúde.

    Acesso ao histórico do usuário

    Permite acessar, por meio da conta Gov.br, informações como histórico de atendimentos, vacinas e outros registros realizados em diferentes serviços de saúde.

    Apoio à tomada de decisão

    Contribui para a integralidade do registro clínico, apoiando a definição de condutas, tratamentos e planos terapêuticos.

    Continuidade do cuidado

    Reduz a fragmentação das informações, permitindo que diferentes profissionais acompanhem o histórico do usuário e deem continuidade ao cuidado nos diferentes níveis de atenção à saúde.

    #Fica a dica!

    Durante o atendimento, você também pode orientar o usuário a baixar o aplicativo Meu SUS Digital, onde ficam disponíveis informações como vacinas, atendimentos e outros registros em saúde.

    Além de acompanhar seus dados, o usuário também pode utilizar o aplicativo para avaliar o atendimento recebido nos serviços de saúde.

    Finalizando

    Nossa jornada sobre os dados em saúde e os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) chegou ao fim. Ao longo desta disciplina, vimos que realizar registros com qualidade é fundamental para o trabalho em saúde e para o funcionamento do SUS.

    São esses registros que permitem conhecer a realidade da população, planejar ações, acompanhar usuários e apoiar a construção de políticas públicas mais adequadas às necessidades do território.

    Também aprendemos que um registro bem realizado fortalece a continuidade do cuidado, permitindo que diferentes profissionais compartilhem informações e atuem de forma integrada no acompanhamento dos usuários.

    Por isso, cada informação registrada faz diferença. Quando todos os profissionais registram os dados de forma correta e qualificada, contribuem para uma Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) mais integrada, fortalecendo um cuidado mais humano, contínuo e resolutivo para toda a população.

    Continue sua trajetória formativa!

    Para alcançar um bom desempenho nos estudos, é fundamental acessar e utilizar todos os recursos didáticos disponibilizados na disciplina. Nesse sentido, recomendamos que você:

    Até a próxima disciplina!

    FICHA TÉCNICA

    Coordenação-geral:
    Ana Cláudia Cardozo Chaves – SAPS/MS
    Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – SAPS/MS
    Ana Paula Neves Marques de Pinho – A.C. Camargo
    Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
    Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
    Mauro Junqueira – CONASEMS
    Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS

    Coordenação técnica e pedagógica:
    Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
    Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
    Kelly Cristina Santana – CONASEMS
    Maria da Penha Marques Sapata – CONASEMS
    Marta de Sousa Lima – CONASEMS
    Patricia da Silva Campos – CONASEMS
    Soane Cristina Almeida dos Santos – CONASEMS
    Thaís Coutinho de Oliveira – SAPS/MS
    Valdívia França Marçal – CONASEMS

    Elaboração de Conteúdo:
    Verineida Sousa Lima

    Designer Educacional:
    Gustavo Henrique Faria Barra – CONASEMS

    Coordenação de Desenvolvimento Web e Gráfico:
    Cristina Perrone – CONASEMS

    Desenvolvimento Web:
    Aidan Bruno – CONASEMS
    Alexandre Itabayana – CONASEMS
    Caroline Boaventura – CONASEMS

    Projeto Gráfico e Design de Experiência:
    Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS

    Ilustração:
    Lucas Corrêa Mendonça – CONASEMS

    Revisão Linguística:
    Camila Miranda Evangelista – CONASEMS

    Imagens:
    Fototeca do CONASEMS
    Flickr CONASEMS
    Flickr Ministério da Saúde
    Flickr Secretaria de Saúde do Distrito Federal
    Envato Elements
    https://elements.envato.com
    Freepik
    https://br.freepik.com
    Pexels
    https://www.pexels.com/pt-br/

    A RNDS conecta informações clínicas provenientes de diferentes Sistemas de Informação em Saúde. 

    Essa integração só é possível porque os profissionais seguem padrões, regras e terminologias comuns durante o registro das informações.

    O M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) é uma ferramenta de triagem utilizada para identificar precocemente possíveis sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças entre 16 e 30 meses. A avaliação é realizada por meio de perguntas simples sobre o comportamento da criança. 

    Caso seja identificado risco elevado, a criança deve ser encaminhada para avaliação especializada. O M-CHAT não substitui o diagnóstico clínico, mas auxilia na identificação precoce e no acompanhamento adequado.

    Esse relatório apresenta uma visão geral do território, permitindo filtrar informações sobre os imóveis cadastrados e visualizar sua localização geográfica quando o cadastro é realizado por meio do aplicativo e-SUS Território.

    Apresenta a lista de usuários vinculados à equipe, incluindo informações sobre a última atualização cadastral. 

    Esses dados auxiliam no planejamento e no acompanhamento dos usuários, considerando a importância do cadastro para o vínculo e acompanhamento na APS.

    Esse relatório auxilia na análise da situação vacinal da população, permitindo identificar usuários com vacinas atrasadas ou dentro do prazo de aplicação. 

    É uma ferramenta importante para o planejamento das ações de imunização da equipe.

    Esse relatório permite extrair listas com informações sobre o acompanhamento dos usuários, especialmente crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas. 

    Também é possível acessar dados relacionados à saúde bucal e aplicar filtros por idade, sexo, identidade de gênero, entre outros.

    Georreferenciamento é o processo de associar informações a uma localização no mapa, permitindo identificar onde as pessoas vivem e como a população está distribuída no território. 

    Na saúde, essa ferramenta auxilia no planejamento, na organização e no acompanhamento das ações realizadas pelas equipes.

    Os registros passam por codificação baseada na Classificação Internacional de Doenças (CID-10).

    O documento utilizado nesse sistema é impresso pelo Ministério da Saúde e distribuído às secretarias estaduais e municipais de saúde.

    Antes, esses dados eram coletados apenas pelo IBGE.

    A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)

    Por fim, veremos como as informações produzidas na APS se integram à RNDS, fortalecendo a continuidade do cuidado em toda a Rede de Atenção à Saúde (RAS).

    O Sistema SIAPS

    Na sequência, iremos explorar o SIAPS e compreender como os dados enviados pelas equipes são organizados, analisados e disponibilizados para apoiar a gestão da APS.

    O Sistema e-SUS APS

    Depois, conheceremos o e-SUS APS, principal sistema utilizado na APS para o registro e acompanhamento das ações realizadas pelas equipes.

    Os Sistemas de Informação em Saúde (SIS)

    Em seguida, vamos entender como esses dados passam a compor os Sistemas de Informação em Saúde (SIS), apoiando o planejamento, o monitoramento e a organização das ações em saúde, além de conhecer os principais sistemas utilizados.

    O Registro em Saúde

    Iniciaremos nossa trajetória compreendendo como os registros realizados no cotidiano dos serviços se transformam em dados e informações essenciais para o cuidado e a gestão clínica na APS.

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