Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde – APS

Módulo VI – Avaliação e Monitoramento na APS

Disciplina 13

Pesquisa, Avaliação e Qualidade na APS

Olá, estudante!

Vamos juntos iniciar mais um percurso de aprendizagem, avançando agora para o Módulo VI, dedicado ao tema Avaliação e Monitoramento na Atenção Primária à Saúde (APS).

Na Disciplina 13: Pesquisa, Avaliação e Qualidade na APS, veremos como a produção de conhecimento e a pesquisa fortalecem tanto a APS quanto o SUS, contribuindo para práticas mais efetivas e bem fundamentadas. 

Também abordaremos como a qualidade do cuidado é analisada por meio de indicadores que refletem o trabalho realizado no território, bem como as principais ferramentas de monitoramento e avaliação utilizadas no cotidiano dos serviços.

Esses três temas – pesquisa, qualidade e monitoramento – apoiarão reflexões importantes sobre o acesso, a efetividade e o impacto das ações de saúde, permitindo a compreensão dos processos de avaliação de resultados e o aprimoramento contínuo do cuidado ofertado à população.

Agora que você já conhece o propósito da disciplina, siga para os objetivos de aprendizagem. Eles orientarão sua trajetória e apresentarão claramente o que você será capaz de compreender, analisar e aplicar ao final deste percurso.

Objetivos de Aprendizagem

Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de: 

Clique nas setas para navegar.

Compreender os passos de uma pesquisa, utilizando a metodologia científica de acordo com os objetivos pretendidos.

Diferenciar os métodos de pesquisa e as técnicas de coleta e análise dos dados, segundo a natureza da pesquisa.

Entender a relação entre dado, indicador e informação em saúde, bem como sua utilidade para a análise da situação de saúde e para a implantação de medidas corretivas nos planos de cuidado no território.

Compreender a relação entre a qualidade na Atenção Primária à Saúde (APS) e as boas práticas de cuidado. 

Aplicar ferramentas para o monitoramento e a avaliação do cuidado na APS.

Você que atua na Atenção Primária à Saúde (APS) deve estar se perguntando por que a Pesquisa, a Avaliação e a Qualidade na APS são tão importantes.

Veja bem! Motivos não faltam, pois esses pilares:

  • Fortalecem o SUS: ao gerar dados que permitem monitorar, avaliar e aprimorar continuamente a APS, porta de entrada e coordenadora do cuidado no sistema.
  • Qualificam a tomada de decisão: ao produzir evidências que orientam gestores na formulação, na implementação e no ajuste de políticas e programas de saúde.
  • Aprimoram o cuidado aos usuários: ao oferecer uma compreensão aprofundada da realidade dos serviços, permitindo que trabalhadores adotem práticas mais efetivas e tecnologias adequadas às necessidades do território.
  • Integram o saber ao fazer: ao desmistificar o monitoramento, a avaliação e a produção de pesquisas na APS, aproximando a ciência da prática cotidiana e fortalecendo a cultura de aprendizagem nos serviços.

Pesquisa e produção de conhecimento na APS

Neste primeiro momento, vamos revisitar o que é pesquisa

Clique nas perguntas para visualizar o conteúdo.

A palavra pesquisa refere-se ao ato de buscar com diligência, inquirir, investigar ou procurar mais informações sobre algo, com o objetivo de descobrir novos conhecimentos ou aprofundar o saber, envolvendo um processo metódico de investigação e estudo. 

A pesquisa tem como objetivo descobrir algo novo, podendo confirmar ou refutar saberes já parcialmente conhecidos. Assim, o interesse em pesquisar e investigar determinado tema ou assunto sempre deve partir de um problema ou algo presente na realidade que nos incomoda.

A pesquisa sempre se inicia na curiosidade despertada pela observação do mundo, por uma situação que nos incomoda ou pela percepção de um problema existente.

Um problema de saúde pode ser entendido como qualquer situação que se afasta dos padrões de normalidade observados por quem atua em determinado contexto. Isso inclui tanto aspectos relacionados aos riscos à saúde e às formas de adoecimento e morte da população (problemas ligados ao estado de saúde coletiva) quanto questões referentes à organização e ao funcionamento do sistema de saúde (problemas do Sistema e dos Serviços de Saúde). 

No cotidiano dos profissionais da saúde, é comum enfrentar situações que são aparentemente simples, mas se revelam como verdadeiros desafios na prática.

Considere o seguinte cenário: 

Clique na seta para navegar.

PASSO 1: FORMULAÇÃO DE UM PROBLEMA

O que deve ser considerado na formulação de um problema?

Para que a formulação de um problema seja eficaz, ela deve ser precisa e clara, em forma de pergunta. 

Além disso, deve se fundamentar em bases empíricas, ou seja, decorrer da experiência, além de ser viável para investigação e passível de solução. 

No caso do problema percebido por Ana, qual seria a pergunta a ser formulada?

Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa?

Vamos ver outros exemplos de perguntas de pesquisa relacionadas a fatores de risco na área da saúde que permeiam o cotidiano do trabalho na APS.

Clique nas imagens.

Fatores comportamentais 

Tabagismo, inatividade

Exemplo 

Qual a taxa de consumo de cigarros eletrônicos (vapes) entre adolescentes de 14 a 17 anos no município de Perobal? 

Doenças crônicas e hereditárias 

Diabetes, hipertensão

Exemplo

Que desafios o envelhecimento da população traz para o cuidado às pessoas com doenças crônicas não transmissíveis? 

Doenças transmissíveis 

Difteria, tétano, coqueluche, infecções causadas por Haemophilus Influenzae B e hepatite B

Exemplo

Quais as causas da queda da cobertura da vacina Pentavalente em crianças menores de 12 meses? 

Exposições ocupacionais

Agrotóxicos, agentes biológicos

Exemplo 

Qual a prevalência de intoxicação por agrotóxicos entre os agricultores e familiares da região x?

Riscos psicossociais

Estresse no trabalho

Exemplo

Quais os principais riscos psicossociais (estresse, burnout) entre os profissionais de enfermagem e como afetam a segurança do paciente? 

PASSO 2: JUSTIFICATIVA

Conforme observado no caso de Ana e nos outros exemplos vistos, a definição de um problema de pesquisa exige que ele seja relevante para o contexto em que se desenvolve, demonstrando a existência de um embasamento consistente e de uma justificativa clara para a realização do estudo.

A justificativa sustenta a execução da pesquisa ao explicitar as motivações do pesquisador e evidenciar a importância do tema para o cenário analisado. 

Agora, vamos voltar à pergunta formulada para o problema percebido por Ana.

Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa no município de Perobal?

Nesta etapa, cabe esclarecer a relevância da investigação do tema, respondendo de forma direta a dois questionamentos essenciais: 

Clique nas abas para visualizar o conteúdo.

Refere-se à necessidade e à relevância da pesquisa, a partir do problema escolhido. 

Justificativa

A realização dessa pesquisa ajudará a identificar as razões pelas quais pais e responsáveis deixam de levar seus filhos para a vacinação, impactando o alcance dos índices adequados de cobertura vacinal entre os adolescentes. Essa condição representa uma ameaça concreta à saúde de milhões de jovens brasileiros e pode se desdobrar no aumento dos casos de infecções sexualmente transmissíveis (Papilomavírus Humano – HPV) e cânceres evitáveis no futuro, representando um grave problema de saúde pública.

Refere-se a resultados ou contribuições da pesquisa para um campo determinado ou à possibilidade de resolução do problema identificado. 

Justificativa

A identificação das causas da queda da cobertura vacinal entre os adolescentes possibilitará a elaboração de estratégias de comunicação voltadas a pais e adolescentes, esclarecendo a importância dessa vacina, tanto para proteção individual quanto coletiva. Essas ações poderão enfatizar o risco da baixa cobertura vacinal para a propagação da infecção pelo HPV, principal responsável pela ocorrência de câncer de colo de útero, vulva e vagina, pênis, ânus, orofaringe e verrugas genitais. Além disso, poderão contribuir para a reorganização dos serviços de saúde, incluindo mudanças na forma de agendamento de vacinas e/ou no processo de trabalho, realização de campanhas de vacinação, abordagem dos adolescentes, entre outras.

PASSO 3: DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS DA PESQUISA

Depois de formulada a pergunta e de não ter sido encontrada, na literatura, uma resposta adequada para o problema, e após justificar a relevância do objeto de estudo, o próximo passo é a definição dos objetivos da pesquisa.

Considerando ainda a pergunta: Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa no município de Perobal? 

Clique nas abas para visualizar o conteúdo.

Compreender as razões da baixa cobertura vacinal contra o HPV entre os adolescentes do município de Perobal.

  • Identificar o nível de conhecimento e informação de pais e responsáveis sobre a vacina HPV e seus efeitos para seus filhos e para a comunidade.
  • Identificar possíveis barreiras de acesso à sala de vacinação da Unidade Básica de Saúde – UBS (horário de funcionamento da sala de vacina, forma de agendamento e atendimento da população para vacinação).
  • Analisar como a unidade de saúde está organizada para implementar o programa de imunização (treinamento do pessoal da enfermagem em administração de vacina e calendário vacinal, orientações dadas a pais e adolescentes, registro de doses aplicadas no sistema de informação, monitoramento e avaliação da cobertura vacinal).

PASSO 4: METODOLOGIA DA PESQUISA

Definidos os objetivos, o próximo passo é planejar a execução da pesquisa. 

Como fazer?

O que fazer?

Por onde começar a desenvolver uma pesquisa para gerar produção de conhecimento na APS?

Essas indagações estão diretamente ligadas à metodologia científica.

Afinal, o que define a metodologia de pesquisa?

Metodologia é uma palavra derivada de “método”, que significa o processo para se atingir um determinado fim ou para se chegar ao conhecimento. Metodologia, portanto, é o campo em que se estudam os melhores métodos praticados em determinada área para a produção do conhecimento

A metodologia de pesquisa é um caminho a ser trilhado pelo pesquisador no processo de produção de conhecimentos sobre a realidade estudada. Trata-se de um conjunto de procedimentos que não se resume à utilização das técnicas e dos instrumentos de pesquisa, mas os inclui. 

Os métodos de pesquisa podem ser classificados segundo a natureza da pesquisa:

Clique nas setas.

Qualitativa

Foca no caráter subjetivo, aprofundando-se no mundo de significados, relações, crenças, percepções e opiniões dos participantes da pesquisa.

É aplicada ao estudo de como os humanos vivem, constroem seus artefatos, sentem e pensam.

Utiliza métodos como entrevistas, observação participante e análise de documentos, com população de estudo mais restrita, que prioriza a profundidade em vez da quantidade. Procura responder às perguntas: Como e por quê?

EXEMPLO: Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa no município de Perobal?

Quantitativa

Baseia-se em números, medições precisas e cálculos matemáticos para identificar padrões, relações ou tendências em uma escala mais ampla. 

Busca a descrição e a explicação de fenômenos que produzem regularidades e são, muitas vezes, exteriores aos sujeitos. 

Utiliza-se da amostragem populacional para produzir generalização dos resultados e de instrumentos como questionários estruturados e análise estatística.

EXEMPLO: Qual a cobertura vacinal contra o HPV entre crianças e adolescentes do município de Perobal? 

Quantitativa

Baseia-se em números, medições precisas e cálculos matemáticos para identificar padrões, relações ou tendências em uma escala mais ampla. 

Busca a descrição e a explicação de fenômenos que produzem regularidades e são, muitas vezes, exteriores aos sujeitos. 

Utiliza-se da amostragem populacional para produzir generalização dos resultados e de instrumentos como questionários estruturados e análise estatística.

EXEMPLO: Qual a cobertura vacinal contra o HPV entre crianças e adolescentes do município de Perobal? 

Qualitativa

Foca no caráter subjetivo, aprofundando-se no mundo de significados, relações, crenças, percepções e opiniões dos participantes da pesquisa.

É aplicada ao estudo de como os humanos vivem, constroem seus artefatos, sentem e pensam.

Utiliza métodos como entrevistas, observação participante e análise de documentos, com população de estudo mais restrita, que prioriza a profundidade em vez da quantidade. Procura responder às perguntas: Como e por quê?

EXEMPLO: Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa no município de Perobal?

As pesquisas também podem ser classificadas, a partir dos objetivos pretendidos, em pelo menos três categorias principais:

Clique nas abas para visualizar o conteúdo.

Visa explorar um problema de pesquisa ainda pouco investigado ou uma realidade pouco conhecida. Objetiva proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo explícito. 

EXEMPLO DE OBJETIVOS: Analisar as percepções e as experiências de pacientes idosos em relação ao uso de aplicativos de telemedicina para monitoramento de doenças crônicas e identificar barreiras e facilitadores para sua adoção.

Visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou estabelecer relações entre variáveis. Para o levantamento de dados, recorre a técnicas padronizadas de coleta, como o questionário ou a observação sistemática.

EXEMPLO DE OBJETIVOS: Descrever as características demográficas e clínicas dos pacientes diagnosticados com hipertensão arterial residentes na região norte do Paraná.

Visa explicar os fatores que ocasionam os fenômenos e aprofundar o conhecimento sobre a realidade ao explicar o “porquê” das coisas. Objetiva identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. 

EXEMPLO DE OBJETIVOS: Analisar os fatores determinantes da baixa cobertura da vacina contra HPV entre adolescentes no município de Perobal, buscando compreender as causas subjacentes (efeito de notícias falsas ou fake news, movimento antivacina ou dificuldades de acesso ao serviço).

Na metodologia de um estudo também devem ser delimitados:

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Local do estudo

Refere-se ao espaço geográfico no qual o estudo foi realizado. Deve-se delimitar, de forma específica, a área geográfica, a instituição ou o ambiente em que se encontra a população (ou a amostra populacional) que será estudada, como uma unidade de saúde (quando a população de estudo for composta de trabalhadores), uma escola, uma comunidade, uma região da cidade, um município, estado ou mesmo um país. 

População do estudo ou participantes do estudo

O termo população pode se referir tanto a pessoas quanto a características que elas compartilham (definidas por localização, idade, gênero ou alguma condição específica, como pessoas diagnosticadas com alguma doença, usuários de um serviço, etc.), constituindo-se de pelo menos uma característica comum que se pretende conhecer. Normalmente, não se estuda toda a população, podendo ser utilizadas duas formas de seleção: amostra probabilística (definida a partir de critérios amostrais estatísticos) e seleção não probabilística (podendo ser intencional e/ou por conveniência).

Técnicas de obtenção e análise dos dados

São métodos e procedimentos utilizados para obter informações relevantes da população de estudo e alcançar os objetivos do estudo. Os dados a serem obtidos para a pesquisa podem ser:

  • primários: aqueles obtidos diretamente da fonte original, sem qualquer tratamento e/ou análise – como dados de prontuários ou entrevistas com usuários dos serviços;
  • secundários: aqueles que já foram processados e já receberam algum tipo de sistematização, como artigos, relatórios e bancos de dados.

Os dados primários e secundários podem ser utilizados tanto em pesquisas quantitativas como qualitativas, e são obtidos de diferentes formas, conforme apresentado a seguir.

Técnicas para obtenção de dados em pesquisas quantitativas:

  • questionários estruturados: são formulários com perguntas de múltipla escolha, escalas de classificação ou perguntas fechadas;
  • entrevistas estruturadas: envolvem perguntas padronizadas, com respostas pré-determinadas, permitindo a coleta de dados quantitativos de forma sistemática;
  • experimentos controlados: envolvem a realização de experimentos em ambientes controlados, como os laboratórios de testes de medicamentos e vacinas.

Técnicas para obtenção de dados em pesquisas qualitativas

  • entrevistas em profundidade: envolvem questões abertas, em que os entrevistados se manifestam detalhadamente sobre suas vivências, percepções e perspectivas. As entrevistas, geralmente, são gravadas e transcritas, para uma análise posterior;
  • grupo focal: é uma entrevista coletiva, com participação de quatro a 12 pessoas, com certa homogeneidade em termos de contexto de vida, mas não de atitudes, o que garante a riqueza das discussões (Barbour, 2009). Possibilita observar o processo de interação entre os participantes e como as controvérsias se manifestam e são resolvidas;
  • observação participante: o pesquisador se envolve no ambiente observado e interage com os participantes. O objetivo é obter uma compreensão aprofundada do contexto, dos comportamentos e das interações sociais.

Aspectos éticos da pesquisa

No Brasil, pesquisas que envolvem a participação de pessoas (seja por meio de entrevistas, seja por observações ou experimentos) devem seguir a Resolução nº 466/2012. Essa norma incorpora princípios da bioética, como autonomia, não maleficência, beneficência, justiça e equidade, para assegurar os direitos e os deveres dos participantes, da comunidade científica e do Estado.

Antes de serem iniciados, esses projetos precisam ser submetidos e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição à qual estão vinculados.

Contudo, pesquisas cujos dados sejam obtidos diretamente de bancos de dados públicos, como DataSUS, CNES e Painel e-SUS APS, estão dispensados dessa submissão.

Refere-se ao espaço geográfico no qual o estudo foi realizado. Deve-se delimitar, de forma específica, a área geográfica, a instituição ou o ambiente em que se encontra a população (ou a amostra populacional) que será estudada, como uma unidade de saúde (quando a população de estudo for composta de trabalhadores), uma escola, uma comunidade, uma região da cidade, um município, estado ou mesmo um país. 

O termo população pode se referir tanto a pessoas quanto a características que elas compartilham (definidas por localização, idade, gênero ou alguma condição específica, como pessoas diagnosticadas com alguma doença, usuários de um serviço, etc.), constituindo-se de pelo menos uma característica comum que se pretende conhecer. Normalmente, não se estuda toda a população, podendo ser utilizadas duas formas de seleção: amostra probabilística (definida a partir de critérios amostrais estatísticos) e seleção não probabilística (podendo ser intencional e/ou por conveniência).

São métodos e procedimentos utilizados para obter informações relevantes da população de estudo e alcançar os objetivos do estudo. Os dados a serem obtidos para a pesquisa podem ser:

  • primários: aqueles obtidos diretamente da fonte original, sem qualquer tratamento e/ou análise – como dados de prontuários ou entrevistas com usuários dos serviços;
  • secundários: aqueles que já foram processados e já receberam algum tipo de sistematização, como artigos, relatórios e bancos de dados.

Os dados primários e secundários podem ser utilizados tanto em pesquisas quantitativas como qualitativas, e são obtidos de diferentes formas, conforme apresentado a seguir.

Técnicas para obtenção de dados em pesquisas quantitativas:

  • questionários estruturados: são formulários com perguntas de múltipla escolha, escalas de classificação ou perguntas fechadas;
  • entrevistas estruturadas: envolvem perguntas padronizadas, com respostas pré-determinadas, permitindo a coleta de dados quantitativos de forma sistemática;
  • experimentos controlados: envolvem a realização de experimentos em ambientes controlados, como os laboratórios de testes de medicamentos e vacinas.

Técnicas para obtenção de dados em pesquisas qualitativas

  • entrevistas em profundidade: envolvem questões abertas, em que os entrevistados se manifestam detalhadamente sobre suas vivências, percepções e perspectivas. As entrevistas, geralmente, são gravadas e transcritas, para uma análise posterior;
  • grupo focal: é uma entrevista coletiva, com participação de quatro a 12 pessoas, com certa homogeneidade em termos de contexto de vida, mas não de atitudes, o que garante a riqueza das discussões (Barbour, 2009). Possibilita observar o processo de interação entre os participantes e como as controvérsias se manifestam e são resolvidas;
  • observação participante: o pesquisador se envolve no ambiente observado e interage com os participantes. O objetivo é obter uma compreensão aprofundada do contexto, dos comportamentos e das interações sociais.

No Brasil, pesquisas que envolvem a participação de pessoas (seja por meio de entrevistas, seja por observações ou experimentos) devem seguir a Resolução nº 466/2012. Essa norma incorpora princípios da bioética, como autonomia, não maleficência, beneficência, justiça e equidade, para assegurar os direitos e os deveres dos participantes, da comunidade científica e do Estado.

Antes de serem iniciados, esses projetos precisam ser submetidos e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição à qual estão vinculados.

Contudo, pesquisas cujos dados sejam obtidos diretamente de bancos de dados públicos, como DataSUS, CNES e Painel e-SUS APS, estão dispensados dessa submissão.

É importante dizer que há em nosso país alguns movimentos e organizações que estimulam a realização de pesquisas e divulgam a produção de conhecimento na APS. São eles:

Clique nos ícones.

REDE DE PESQUISA EM APS (REDE APS)

A Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde (Rede APS) é uma iniciativa da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) que conecta pesquisadores, gestores e trabalhadores do SUS para produzir, trocar e usar conhecimento científico, visando qualificar a APS e subsidiar políticas públicas, fortalecendo a Estratégia Saúde da Família (ESF) e defendendo um SUS integral e resolutivo.  

Clique aqui e saiba mais sobre a REDE APS.

PPSUS

O Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS) é uma iniciativa de descentralização de financiamento à pesquisa em saúde nos estados da federação, com o objetivo de promover o desenvolvimento científico e tecnológico, considerando as peculiaridades e as especificidades de cada estado, além de contribuir para a redução das desigualdades regionais.

Acesse o site do Ministério da Saúde e saiba mais sobre o PPSUS. Para isso, clique aqui.

INICIATIVAS ACADÊMICAS

Resultados alcançados em trabalhos de conclusão de curso em graduação da saúde; cursos de pós-graduação lato sensu (especializações e residências em saúde da família); dissertações e teses de programas de pós-graduação stricto sensu (mestrados e doutorados) vinculados a universidades públicas e privadas.

MOSTRA DE EXPERIÊNCIAS EXITOSAS DOS COSEMS/CONASEMS

 A mostra “Brasil, aqui tem SUS” é o evento que celebra e divulga práticas inovadoras e bem-sucedidas em gestão e assistência do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. As inscrições são abertas anualmente para municípios, que compartilham suas histórias de sucesso em categorias como APS, Telessaúde e Prevenção, resultando em premiações e produção de webdocumentários para ampliar o alcance dessas ações transformadoras.

Você também pode ampliar o seu conhecimento. Acesse o site e conheça a Mostra de experiências exitosas dos COSEMS/CONASEMS. Para isso, clique aqui.

Fique atento!

Nem todos os problemas do cotidiano do trabalho são resolvidos por meio de pesquisas realizadas pelos próprios profissionais.

Antes de decidir pela realização de uma pesquisa, recomenda-se a busca de evidências científicas na literatura.

Há bases de dados, gratuitas ou pagas, que reúnem trabalhos científicos e informações, como:

  • Portal Saúde Baseada em Evidência
  • BVS APS
  • BMJ best practice
  • UpToDate
  • DynaMed
  • Portal de boas práticas da Fiocruz
  • Cochrane Library 

Para essas consultas, é necessário que os profissionais, especialmente para decisões clínicas e de manejo de conduta, tenham como base a pirâmide de evidências científicas.

O que é a pirâmide de evidências científicas?

A pirâmide é uma ferramenta visual que hierarquiza os estudos de acordo com sua robustez metodológica e capacidade de informar decisões clínicas com o menor risco de viés. Em outras palavras, classifica os estudos científicos publicados de acordo com o método empregado.

Por isso, não é só porque um trabalho foi publicado que ele, isoladamente, serve para a tomada de decisão clínica. Vale lembrar que existem estudos com vieses importantes de seleção e resultados que podem beneficiar grupos específicos, especialmente da corporação farmacêutica. 

Passe o mouse nas faixas da pirâmide para explorar os níveis. 

Clique nas faixas da pirâmide para explorar os níveis.

Figura 1 ─ Pirâmide da evidência

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Fonte: Adaptada de Suny, 2001, tradução nossa.

Qualidade na APS e seus indicadores voltados para os planos de cuidado no território

Para avaliar em que medida os serviços de saúde atendem às necessidades da população, é fundamental otimizar os recursos disponíveis.

Nesse contexto, a análise da Qualidade na Atenção Primária à Saúde (APS) constitui uma estratégia essencial para identificar oportunidades de melhoria e promover maior efetividade na prestação dos cuidados.

Em um sentido mais amplo, o termo qualidade também deve ser usado para refletir a satisfação dos usuários com os serviços, os custos da atenção, a qualificação do pessoal, a segurança, a aparência das unidades de saúde e a adequação dos equipamentos utilizados na atenção. 

A qualidade da atenção recebida pela população na APS depende das características particulares do sistema de saúde, da infraestrutura, de boas práticas da equipe profissional e da organização dos serviços. 

E como medir a qualidade do cuidado na APS?

A qualidade da atenção na APS pode ser medida por meio do monitoramento dos indicadores de processo e de resultado, da autoavaliação das equipes e da aplicação de instrumentos de avaliação validados, que têm como foco os atributos essenciais da APS. 

Vamos entender o que são Indicadores de Saúde?

O que são?

São medidas-síntese que contêm informação relevante sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. 

O que devem refletir?

Vistos em conjunto, devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde.

Os indicadores derivam de dados e são instrumentos para gerar informações

Figura 2 ─ Dinâmica do ciclo para gerar informações e ações em saúde

AÇÃO Dados Indicadores Informação (Interpretação da situação) (Maior detalhamento / novos dados) (Medidas Corretivas da Situação) AÇÃO Dados Indicadores Informação (Interpretação da situação) (Maior detalhamento / novos dados) (Medidas Corretivas da Situação)

Fonte: Adaptada de Andrade et al, 2017.

Vamos entender melhor?

Os “dados” diferenciam-se da “informação”, que, por sua vez, distingue-se dos “indicadores” 

Clique nas setas.

Dados
Indicadores
Informação

São a “matéria-prima” da informação. Trata-se de elemento numérico essencial para a elaboração de um indicador. 

No exemplo que estamos trabalhando, o dado seria a relação de adolescentes, segundo a idade e o local de moradia, que foram vacinados contra HPV num determinado período de tempo.

Os indicadores de saúde procuram descrever e monitorar a situação de saúde de uma população. 

No nosso exemplo, a cobertura vacinal de adolescentes contra o HPV, de determinado local e ano, constitui-se em um “indicador”.

São os dados sobre saúde de indivíduos e populações, coletados, processados e analisados para apoiar a tomada de decisões.

No nosso exemplo, a proporção de adolescentes não vacinados contra o HPV, por local de moradia e ano, constitui-se em uma “informação”.

Dados

São a “matéria-prima” da informação. Trata-se de elemento numérico essencial para a elaboração de um indicador. 

No exemplo que estamos trabalhando, o dado seria a relação de adolescentes, segundo a idade e o local de moradia, que foram vacinados contra HPV num determinado período de tempo.

Indicadores

Os indicadores de saúde procuram descrever e monitorar a situação de saúde de uma população. 

No nosso exemplo, a cobertura vacinal de adolescentes contra o HPV, de determinado local e ano, constitui-se em um “indicador”.

Informação

São os dados sobre saúde de indivíduos e populações, coletados, processados e analisados para apoiar a tomada de decisões.

No nosso exemplo, a proporção de adolescentes não vacinados contra o HPV, por local de moradia e ano, constitui-se em uma “informação”.

#Fica a dica

A atenção aos registros é fundamental para que os indicadores cumpram suas finalidades: analisar a situação sanitária, comparar locais e períodos, avaliar mudanças temporais e subsidiar intervenções. Para isso, os dados devem ter qualidade e os sistemas, boa cobertura. Um bom indicador deve ser mensurável em diferentes níveis geográficos e subgrupos populacionais.

Para saber mais sobre os atributos ou as características dos indicadores de saúde, clique aqui. 

Como transformar dados em resultados reais na APS.

Acompanhe como os diferentes elementos se interligam na APS: partimos da coleta estruturada de dados, passamos pelo monitoramento dos processos de cuidado e culminamos na avaliação dos resultados de saúde alcançados.

Jornada de análise

Dados estruturados

A base de tudo na APS.

O cadastro do território, o registro da rotina e o mapeamento das condições de saúde fornecem a matéria-prima para a gestão clínica.

Exemplo: Ficha de cadastro individual, registro de consultas e histórico de condições crônicas.

Subsidiam

Os dados estruturados orientam o monitoramento e a organização dos processos de cuidado.

2. Processos e ações

A conformidade e a rotina de cuidados.

Os indicadores de processo monitoram diretamente como o cuidado é prestado pelas equipes a partir dos dados gerados.

Exemplo: Percentual de gestantes com pré-natal adequado; consultas de rotina realizadas.

Geram impacto

Processos assistenciais consistentes produzem efeitos nos resultados de saúde.

3. Resultados de saúde

O impacto final na população.

Avaliam os efeitos finais das intervenções clínicas, como sobrevida e satisfação, embora esses resultados possam ser influenciados por fatores externos.

Exemplo: Queda na taxa de internações por condições sensíveis; aumento da expectativa de vida.

Conclusão: Não há bons resultados na APS sem processos assistenciais consistentes, e não há processos seguros sem dados integrados e de qualidade.

Vamos voltar para o começo da disciplina, quando falávamos sobre o caso de Ana.

Ela entendeu que a resposta à sua pergunta de pesquisa exigiria a realização de uma pesquisa qualitativa. Assim, ela:

Clique na seta para navegar.

E como a enfermeira Ana chegou à conclusão de que a cobertura estava baixa?

Que dados utilizou?

Ana obteve, no relatório quadrimestral do SIAPS, os seguintes dados e aplicou a fórmula:

Cobertura vacinal contra HPV entre adolescentes = 

Crianças e adolescentes do sexo feminino entre 09 e 14 anos no período avaliado, com registro de pelo menos uma dose da vacina HPV administrada nessa faixa etária x 100.

Crianças e adolescentes do sexo feminino entre 09 e 14 anos vinculadas à equipe.

Para saber mais sobre os indicadores de saúde e as formas de cálculo, consulte o manual sobre Indicadores Básicos para a Saúde no Brasil: conceitos e aplicações da Ripsa. Para isso, clique aqui.

Um dos eixos utilizados para o financiamento da APS pelo Ministério da Saúde, a partir de 2026, é o Componente de Qualidade.

Esse eixo visa promover boas práticas e melhorar o acesso e a qualidade dos serviços, ao incentivar o cumprimento de indicadores pactuados pelas equipes de Saúde da Família, Saúde Bucal e Multiprofissionais.

A relação entre a qualidade na Atenção Primária à Saúde (APS) e as boas práticas de cuidado é direta e indissociável.

As boas práticas de cuidado funcionam como os meios operacionais e técnicos que garantem a oferta de um cuidado de qualidade.

Enquanto a qualidade é o objetivo final – atender às necessidades de saúde com segurança, eficácia e satisfação –, as boas práticas correspondem às ações do dia a dia, organizadas, humanizadas e baseadas em evidências, que concretizam essa qualidade. 

No exemplo apresentado, a cobertura vacinal de crianças e adolescentes contra o HPV constitui uma das boas práticas integrantes do indicador “Cuidado da mulher na prevenção do câncer na Atenção Primária à Saúde (APS)”, inserido no eixo temático da Estratégia Saúde da Família denominado “Mulher na Prevenção ao Câncer”.

Para saber mais sobre cada um dos indicadores do Componente de Qualidade da APS (o que é e forma de cálculo), com depoimentos que facilitam a compreensão desse assunto, clique aqui e acesse uma websérie de 18 vídeos curtos disponibilizados pelo CONASEMS.

Dando continuidade ao nosso percurso, veremos, na próxima temática, como monitorar e avaliar o cuidado na APS.

Ferramentas de monitoramento e avaliação do cuidado

O monitoramento e a avaliação são temas tratados com relevância na APS.

Então, que tal começarmos diferenciando esses conceitos?

Clique nas abas.

Na prática, por que é preciso monitorar e avaliar o cuidado na APS?

Porque essa prática permite:

Clique na frase em destaque.

Como ter acesso aos dados e processá-los de maneira que contribuam com o monitoramento e a avaliação pelos gestores/equipes e trabalhadores da APS?

Apresentaremos, a seguir, duas estratégias:

TABNET
Levantamento de dados

É uma ferramenta on-line que possibilita aos profissionais da saúde pública o acesso a informações epidemiológicas, sanitárias e de morbimortalidade, com a tabulação de dados e a construção de séries históricas para a tomada de decisão baseada em evidência.

Essa ferramenta permite a tabulação e a análise rápida de grandes volumes de dados públicos de saúde, organizando esses dados em tabelas, gráficos e mapas para apoiar o planejamento e a gestão. 

PAINEL DE BORDO
Monitoramento

Também conhecido como sala de situação, painel de controle ou dashboard (painel em inglês). 

Essa ferramenta possibilita a transformação de dados dispersos em conhecimento estratégico, contribuindo para acompanhar indicadores de saúde, identificar a ocorrência de surtos e agilizar a resposta requerida, além de democratizar informações para toda a equipe e, se desejável, para toda a comunidade. 

Também possibilita monitorar o desempenho das equipes, a partir das metas definidas, com capacidade de programar ações de prevenção ou correção, permitindo a construção de relatórios para tomada de decisão. 

Agora, que tal saber mais sobre o Tabnet e os Painéis de Bordo/Sala de Situação?

Clique nas abas para visualizar o conteúdo.

TABNET

No Tabnet, os profissionais encontram informações sobre assistência à saúde da população; produção da rede assistencial (hospitalar e ambulatorial); cadastro dos estabelecimentos de saúde; recursos financeiros e informações demográficas e socioeconômicas. Além disso, na seção de saúde suplementar, são apresentados links para as páginas de informação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 

Clique aqui, consulte o Tutorial TABNET DATASUS e acompanhe o passo a passo para acessar essa ferramenta.

PAINÉIS DE BORDO / SALA DE SITUAÇÃO

Clique nas setas para navegar.

É a Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que reúne dados nacionais de natalidade, mortalidade e indicadores epidemiológicos.

Clique aqui para acessar a Plataforma IVIS.

O Painel e-SUS APS disponibiliza relatórios detalhados de indicadores de desempenho pactuados com os municípios/equipes.

Clique aqui para acessar o Painel e-SUS APS.

A sala de situação, como a do município de Fortaleza, monitora a ocorrência das arboviroses, além de outros agravos de notificação.

Clique aqui para acessar exemplos de Sala de Situação da Prefeitura de Fortaleza. 

 O CONASEMS também possui um portal de painéis disponível aos trabalhadores do SUS. O Painel CONASEMS é uma ferramenta de apoio à gestão que oferece uma visão integrada do município e da região de saúde, com dados organizados e relevantes para os tomadores de decisão, auxiliando o gestor municipal e suas equipes técnicas na elaboração e na execução do planejamento local e regional.

Conheça o Painel CONASEMS. Para isso, clique aqui.

No Tabnet, os profissionais encontram informações sobre assistência à saúde da população; produção da rede assistencial (hospitalar e ambulatorial); cadastro dos estabelecimentos de saúde; recursos financeiros e informações demográficas e socioeconômicas. Além disso, na seção de saúde suplementar, são apresentados links para as páginas de informação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 

Clique aqui, consulte o Tutorial TABNET DATASUS e acompanhe o passo a passo para acessar essa ferramenta.

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É a Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que reúne dados nacionais de natalidade, mortalidade e indicadores epidemiológicos.

Clique aqui para acessar a Plataforma IVIS.

O Painel e-SUS APS disponibiliza relatórios detalhados de indicadores de desempenho pactuados com os municípios/equipes.

Clique aqui para acessar o Painel e-SUS APS.

A sala de situação, como a do município de Fortaleza, monitora a ocorrência das arboviroses, além de outros agravos de notificação.

 O CONASEMS também possui um portal de painéis disponível aos trabalhadores do SUS. O Painel CONASEMS é uma ferramenta de apoio à gestão que oferece uma visão integrada do município e da região de saúde, com dados organizados e relevantes para os tomadores de decisão, auxiliando o gestor municipal e suas equipes técnicas na elaboração e na execução do planejamento local e regional.

Conheça o Painel CONASEMS. Para isso, clique aqui.

Relembrando

Vamos relembrar a inquietação de Ana sobre a baixa cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes.

Ana é enfermeira da eSF da Unidade de Saúde do município de Perobal. No dia a dia de trabalho, uma questão tem despertado sua preocupação: a baixa cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes.

A cada reunião de equipe, Ana observa que a lista de adolescentes com esquema vacinal incompleto continua aumentando. 

As visitas domiciliares revelam justificativas diversas dos pais para que seus filhos não sejam vacinados. Ana quer descobrir o que realmente está por trás da hesitação vacinal. Surge, então, a vontade de fazer uma pesquisa. 

Ana iniciou a pesquisa com os seguintes passos:

Passo 1 – Formulação do problema com uma pergunta.

Passo 2 – Justificativa.

Passo 3 – Definição dos objetivos geral e específicos.

Passo 4 – Metodologia da pesquisa.

Passo 5 – Coleta e análise de dados.

Ana entendeu que a resposta à sua pergunta de pesquisa exigiria a realização de uma pesquisa qualitativa. Assim, colocou a mão na massa: organizou um roteiro de questões para entrevistar pais ou responsáveis por crianças e adolescentes (para compreender as razões do não comparecimento para vacinação dos filhos). 

Também utilizou um roteiro de observação na unidade, envolvendo o acompanhamento do atendimento a pais, responsáveis, crianças e adolescentes na recepção, na sala de vacinas e no registro das vacinas aplicadas, a fim de identificar falhas nos processos de trabalho da unidade.

Apresentou a proposta para o coordenador da UBS e encaminhou o projeto de pesquisa ao Comitê de Ética da Secretaria Municipal de Saúde e a comitês instituídos em universidades, hospitais e Secretarias Estaduais de Saúde, para avaliação. 

Vamos exercitar

Agora que você já compreendeu os passos para a realização de uma pesquisa, que tal exercitar?

Descreva uma situação-problema do seu local de trabalho (pode estar relacionada aos riscos à saúde, às formas de adoecimento e morte da população ou ainda à organização e ao funcionamento do serviço em que atua) e desenvolva sua pesquisa sobre o tema escolhido para a investigação.

Finalizando

A realização de pesquisa e a produção de conhecimentos podem se constituir em um eixo estruturante para o aprimoramento da qualidade na APS.

Ao transformar experiências, práticas e dados do cotidiano em evidências científicas, a pesquisa subsidia o planejamento, a avaliação das ações e a tomada de decisão, contribuindo para a qualificação do acesso, da resolutividade e da integralidade do cuidado.

Ferramentas como o Tabnet – que permite o acesso a informações epidemiológicas, sanitárias e de morbimortalidade, com a tabulação de dados e a construção de séries históricas –, bem como o painel de bordo, que possibilita a transformação dos dados dispersos em conhecimento estratégico, fortalecem a gestão do cuidado. Ambas as ferramentas são caminhos que a equipe pode utilizar para a tomada de decisão baseada em evidência.

Assim, a integração entre pesquisa, indicadores de qualidade e ferramentas avaliativas favorece a aprendizagem no trabalho, propicia a qualificação do cuidado e contribui para que a APS seja mais efetiva e alinhada às necessidades reais da população.

Continue sua trajetória formativa!

Para alcançar um bom desempenho nos estudos, é fundamental acessar e utilizar todos os recursos didáticos disponibilizados na disciplina. Nesse sentido, recomendamos que você:

Até a próxima disciplina!

FICHA TÉCNICA

Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves – SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – SAPS/MS
Ana Paula Neves Marques de Pinho – A.C. Camargo
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Mauro Junqueira – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS

Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Danylo Santos Silva Vilaça – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata – CONASEMS
Marta de Sousa Lima – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – CONASEMS
Thais Coutinho de Oliveira – SAPS/MS

Elaboração de conteúdo:
Brígida Gimenez Carvalho
João Felipe Marques da Silva

Designer educacional:
Alexandra da Silva Gusmão – CONASEMS

Coordenação de desenvolvimento gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS

Desenvolvimento Web:
Aidan Bruno – CONASEMS
Alexandre Itabayana – CONASEMS
Caroline Boaventura – CONASEMS

Projeto Gráfico e Design de Experiência:
Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS

Ilustração:
Lucas Corrêa Mendonça – CONASEMS

Revisão Linguística:
Renata Pires – CONASEMS

Fotografias e ilustrações:
Biblioteca do Banco de Imagens do Conasems

Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Flickr Ministério da Saúde
Flickr CONASEMS
Flickr Secretaria de Saúde do Distrito Federal
Envato Elements
https://elements.envato.com
Freepik
https://br.freepik.com
Pexels
https://www.pexels.com/pt-br/

Atividade

Registre sua resposta

Escreva sua reflexão no campo abaixo. Ao finalizar, clique em imprimir para gerar uma versão do seu texto.

No caso do componente Qualidade na APS, os dados referentes aos atendimentos realizados pelos profissionais da APS e inseridos no sistema e-SUS vão produzir os indicadores:

Clique nas abas.

O Ministério da Saúde disponibilizará, no Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde (Siaps), os resultados dos indicadores, para fins de monitoramento do gestor e das equipes/profissionais, podendo ser utilizados no planejamento e no acompanhamento da execução das boas práticas de cuidado em saúde. 

Ao final do quadrimestre, esses indicadores serão avaliados e pontuados, calculados pela média dos meses, para fins de avaliação e cofinanciamento federal. Na avaliação quadrimestral dos indicadores, será divulgado o detalhamento do resultado e a classificação (ótimo, bom, suficiente e regular) da equipe.

POR QUÊ?

Refere-se à necessidade e à relevância da pesquisa, a partir do problema escolhido.

Justificativa

A realização desta pesquisa identificará as razões pelas quais pais e responsáveis deixam de levar seus filhos para a vacinação, impactando o alcance dos índices adequados de cobertura vacinal entre os adolescentes. Essa condição representa uma ameaça concreta à saúde de milhões de jovens brasileiros e pode se desdobrar no aumento dos casos de infecções sexualmente transmissíveis (Papilomavírus Humano – HPV) e cânceres evitáveis no futuro, representando um grave problema de saúde pública.

PARA QUE SERVE?

Refere-se a resultados ou contribuições da pesquisa para um campo determinado ou à possibilidade de resolução do problema identificado.

Justificativa

A identificação das causas da queda da cobertura vacinal entre os  adolescentes possibilitará a elaboração de estratégias de comunicação voltadas a pais e adolescentes, esclarecendo a importância dessa vacina tanto para proteção individual quanto coletiva. Essas ações poderão enfatizar sobre o risco da baixa cobertura vacinal para a propagação da infecção pelo HPV, principal responsável pela ocorrência de câncer de colo de útero, vulva e vagina, pênis, ânus, orofaringe e verrugas genitais. Além disso, poderão contribuir para a reorganização dos serviços de saúde, incluindo mudanças na forma de agendamento de vacinas e/ou no processo de trabalho, realização de campanhas de vacinação, abordagem dos adolescentes, entre outras.

Quase lá, mas você ainda não teve confirmada a visualização desta aula interativa porque não interagiu com link’s importantes para o seu processo de aprendizagem. Recomece a aula e não esqueça de interagir, pois só assim terá cumprido os requisitos para conclusão da disciplina.

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