Boas-vindas

Caso Clínico

Boas práticas em saúde mental e APS

Para iniciar, clique nas caixas.

Boas-vindas

Que bom ter sua companhia por aqui!

A partir de agora, sistematizaremos as “Boas práticas em saúde mental e APS”, considerando o contexto social, cultural e familiar do usuário e  seu território por meio da análise de um caso clínico.

Este caso nos convida a olhar as situações típicas encontradas na Atenção Primária à Saúde (APS), onde destacamos a importância da escuta qualificada, do manejo clínico compartilhado, da leitura ampliada do sofrimento e da construção de um Projeto Terapêutico Singular (PTS) centrado na pessoa

Aproveite esta oportunidade para refletir criticamente, sobre as estratégias de avaliação em saúde mental e o potencial transformador de ações complexas no território que envolvam todos os profissionais da APS e que possam contar com parceiros da rede de saúde e da rede intersetorial

Vamos lá?

Objetivos

Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de:

Avaliar as condutas no manejo clínico em saúde e a noção de tomada de responsabilidade, garantindo coerência com práticas psicossociais na APS.

Julgar a adequação das intervenções e das estratégias utilizadas em diferentes cenários de cuidado em saúde mental.

Elaborar propostas de manejo e planos de cuidado integrados no PTS, considerando as singularidades do usuário, da realidade da rede de saúde existente e dos recursos do território.

Desenvolver formas de organizar o cuidado em saúde mental no território, com base em práticas reflexivas, na interprofissionalidade e na colaboração em rede.

Contextualização

Detalhamento do caso clínico

Mônica Silva de Menezes, 49 anos, CNS 000.111.222, mulher negra, evangélica, tem o ensino fundamental incompleto, analfabeta funcional (leitura e escrita muito limitadas) – o que dificulta o seguimento das prescrições e comparecimento nas consultas agendadas. 

Mora com o marido e os três filhos no bairro Jardim Esperança, uma região periférica com alta vulnerabilidade social. Reside em uma casa simples, sem reboco, com piso de chão batido em alguns cômodos e banheiro com pouca estrutura, o que dificulta o autocuidado do marido, que é dependente nas atividades de vida diária, devido ao acidente que sofreu. 

Após o acidente do marido, a renda reduziu drasticamente. Mônica não tem emprego, porém, fica com os encargos de cuidar da casa diariamente sem o apoio dos demais residentes. 

Toda a renda fixa da família vem da aposentadoria por incapacidade permanente acidentária e de benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), recebidos pelo marido, somando-se os pequenos “bicos” realizados por um de seus filhos.

Caso Clínico

Chegada à Unidade Básica de Saúde (UBS)

Queixa principal

Mônica procura a UBS com queixas de dores no corpo, Cefaleias diárias, cansaço intenso e episódios frequentes de “falta de ar” os quais ela relaciona ao “nervoso”.

Alega insônia e chega à Unidade sonolenta, porém relatando que, quando tenta descansar e fechar os olhos, seus pensamentos a angustiam e impedem que ela descanse. 

Narra uma sensação de “travar o corpo” e momentos de profunda tristeza, com sentimento de menos-valia e falta de planejamento futuro. Apesar disso, insiste que seu problema “é físico”, e que “não tem tempo para ficar doente da cabeça”. 

Relata histórico de Câncer de Mama da mãe, contado pelos avós. Nega atendimento com a psicóloga, dizendo: “- não sou doida”.

Mônica já passou por diversos médicos e especialistas nos ambulatórios, localizados nas cidades vizinhas.

Ela realizou baterias de exames, todos sem alterações relevantes. 

No prontuário, aparece frequentemente: 

MÔNICA SILVA DE MENEZES
IDADE: 49 anos
ESCOLARIDADE: Ensino fundamental incompleto


Paciente: “retornadora” ou “hiperutilizadora”.  

 ALERTA

A equipe questiona que as idas constantes da paciente à Unidade sobrecarregam a equipe e começam a dizer que ela pode estar os “manipulando”.

Mônica sempre chega à UBS com discurso em tom elevado, demonstra impaciência e revolta.

Já não aguenta mais ter suas queixas desvalorizadas e ouvir que não tem o que fazer, expressando-se da seguinte maneira:

– Parece que, desde menina, ninguém me escuta!

– Só sirvo pra aguentar! 

– Preciso gritar e quebrar tudo pra ser atendida?

- Parece que, desde menina, ninguém me escuta!

- Só sirvo pra aguentar! 

- Preciso gritar e quebrar tudo pra ser atendida?

Por outro lado, a equipe destina muitos atendimentos à ela e precisa nesse momento atender outras demandas, por ter esgotado todas as possibilidades terapêuticas com ela.

Durante mais uma busca pela UBS para atendimento, Mônica estava nervosa, com falta de ar, queixando de dor no peito que irradiou para o braço esquerdo e tontura,  além de taquicardia. 

A UBS estava lotada e a equipe sobrecarregada com poucos servidores disponíveis. 

Mônica não seria atendida naquele momento porque já tinham a atendido ontem.

Na discussão da Equipe de Saúde da Família (eSF) com a Equipe Multiprofissional na APS (eMulti), o Agente Comunitário em Saúde (ACS), que é vizinho de Mônica, relata conhecer as dificuldades dela e refere ter escutado que o filho de Mônica teve uma briga com ela na noite anterior.

A equipe chegou a levantar que algum profissional da eMulti poderia atendê-la, e algumas pessoas da equipe sugeriram que o psicólogo seria a pessoa certa para escutá-la. 

A partir dessas considerações o ACS solicitou, que, antes da participação da eMulti, a enfermeira da equipe a acolhesse mais uma vez, apesar da resistência da equipe em fazer uma nova avaliação em um espaço de tempo tão curto, devido a um possível risco de evento cardiovascular agudo.

Em consulta de enfermagem, devido a quadro hipertensivo e outros sinais físicos apresentados, foi questionado se ela poderia estar passando por um quadro de infarto, o que foi descartado após exames. 

Clique na imagem para você conhecer os sinais vitais, no momento do acolhimento:

Pressão arterial: 198 × 128 mmHg

Frequência cardíaca: 108 bpm

Frequência respiratória: 22 irpm

Saturação de O₂: 97% em ar ambiente

Temperatura: 36,5 °C

A enfermeira iniciou avaliação rápida de dor torácica, baseada em protocolos da APS.

COMPARTILHANDO CONHECIMENTO

Clique aqui para acessar o site do Ministério da Saúde e consulte o protocolo de Avaliação e Conduta – Dor torácica. 

Ao ser acolhida com perguntas sobre a briga com seu filho e sobre a sobrecarga no cuidado com seu marido, Mônica começa a chorar compulsivamente e relata queixas que não expunha, até então. 

– Eu melhoro quando sou acolhida e escutada, e pioro quando fico sozinha.

– A vida ficou pesada demais! Não gosto de abrir minha história familiar, porque as pessoas podem me  julgar.

A equipe observava a sua piora em situações de conflito e alta carga emocional, e melhora após respirar profundamente e deitar-se.

A enfermeira considerou: 

1

Fator de risco presente 

HAS grave 

2

Dor atípica para quadro isquêmico

3

Ausência de sinais de gravidade 

Hipotensão, sudorese fria, palidez intensa, alteração de perfusão

4

Melhora com medidas de contenção emocional

Em razão da Hipertensão crítica, manteve monitoramento, repouso e repetição de PA, após 15 minutos. 

NA REAVALIAÇÃO:

0

x

0

mmHg

PA após repouso 

0

bpm

Frequência cardíaca

Peso

Dor torácica referida 

Diante desses achados, a enfermeira considerou baixa probabilidade de Infarto Agudo do Miocárdio, mas alto risco cardiovascular e forte componente emocional/somático, mantendo vigilância clínica. 

Solicitou encaminhamento imediato para avaliação médica na própria UBS, para complementar o raciocínio clínico e definir condutas adicionais. 

Com base no histórico clínico da paciente Mônica ao chegar na UBS, passemos, então, para a análise dos medicamentos e riscos identificados pela equipe.

Se tiver dúvida, retorne ao prontuário da paciente.

PRONTUÁRIO

Medicamentos e riscos identificados pela equipe

Vamos conhecer os medicamentos que Mônica faz uso:

RECEITUÁRIO MÉDICO

1 – Losartana (50mg) – 12/12h – Para Hipertensão.
No momento, a Hipertensão está descompensada e com eventuais picos pressóricos.

2 – Fluoxetina
Fez uso no passado, prescrita por um médico do Pronto Socorro, mas não lembra a prescrição, e abandonou o uso por perder a receita.

3 – Clonazepam – 20 gotas, diariamente
Atualmente faz uso da medicação sem prescrição vigente, que diz ter começado a tomar a partir de recomendação da vizinha.

Observações:
A usuária, em casa, guarda todos os medicamentos da família em uma única caixa, há cartelas vencidas, prescrições antigas e frascos sem identificação. Não consegue diferenciar medicamentos próprios dos pertencentes a outros familiares.

Observa-se, ainda,  que ela não consegue manter o uso das medicações regularmente, dizendo tomar apenas quando se sente mal e não há apoio familiar para a gestão do tratamento.

Barreiras
As barreiras relatadas para o uso correto são: cansaço, esquecimento, falta de rotina, dificuldade de leitura das prescrições, sensação de que “remédio forte derruba”.

– Minha irmã vive falando que eu não devo tomar as medicações pra saúde mental. 

– Ela fala que minhas queixas podiam ser resolvidas, se eu fosse mais na igreja e meus hábitos fossem próximos com as práticas da religião.

– Eu me sinto culpada por não conseguir ir sempre na igreja

– Por causa dessas coisas, que eu decidi não contar pra minha família que eu estou sofrendo.

História da doença atual

Na conversa, a profissional pergunta se Mônica está sentindo mais alguma coisa. Ela relatou que teve episódios de compulsão alimentar, irritabilidade e o medo constante de adoecer. 

– Tenho a sensação de que não tenho valor nenhum. Às vezes, eu tenho vontade de sumir, sabe? Mas nunca pensei em me matar não

– Eu durmo muito pouco, fico a noite toda preocupada com meu filho mais velho. De vez em quando, ele tem umas fases agressivas e diz que escuta umas vozes.

– Eu acho que ele pode tá usando essas substâncias que mexem com a cabeça, sabe? Mas nunca investigamos isso, não.

- Tenho a sensação de que não tenho valor nenhum. Às vezes, eu tenho vontade de sumir, sabe? Mas nunca pensei em me matar não

- Eu durmo muito pouco, fico a noite toda preocupada com meu filho mais velho. De vez em quando, ele tem umas fases agressivas e diz que escuta umas vozes.

- Eu acho que ele pode tá usando essas substâncias que mexem com a cabeça, sabe? Mas nunca investigamos isso, não.

Clique na imagem, acima, para ver as anotações da profissional de saúde. 

História pessoal e familiar

– Eu tive uma infância marcada pelo abandono e pela falta de tudo, doutora.

– Fui criada na zona rural pelos meus avós, mas com 12 anos precisei voltar pra casa da minha mãe por causa de dificuldade financeira.

– Eu tinha o sonho de estudar, mas tive que abandonar a escola depois que meu pai morreu. Passei a trabalhar como diarista.

– Quando eu tava grávida do meu primeiro filho, meu irmão me agrediu por causa de conflitos na família.

– Ele me bateu com correntes e chutou a minha barriga, várias vezes.

– Minha mãe fingiu que isso não aconteceu, aí, eu me afastei mesmo, rompi os laços com ela.

– Por causa dessa situação, eu sinto que tenho uma dívida com os meus filhos, pra compensar o sofrimento que vivi.

Família nuclear

Agora que conhecemos uma parte da história pessoal de Mônica, vamos conhecer a sua família nuclear

Clique nos ícones abaixo

Marido

Filho 1

Filho 2

Filho 3

A família vive sob alta tensão relacional, sobrecarga emocional e instabilidade econômica.

Hábitos de vida

A rotina de Mônica é marcada por elevada sobrecarga doméstica e poucas oportunidades de descanso ou cuidado de si. Vamos conhecer os aspectos específicos de seus hábitos.

Clique nos +, abaixo:

Alimentação

Sua alimentação é, predominantemente, composta por alimentos ultraprocessados e de baixo valor nutricional — achocolatado, biscoitos recheados, arroz branco, margarina, carnes gordurosas e quantidades excessivas de sal. Mônica relata que “- não gosta de frutas e verduras”, e, mesmo quando tem acesso, sente “preguiça” de prepará-los.

Consumo hídrico

O consumo hídrico é muito baixo (cerca de um copo de água por dia), pois refere náusea ao tentar beber mais. Ela pode passar quatro a sete dias sem evacuar, apresentando constipação crônica e dores abdominais frequentes.

Sono

O sono é fragmentado, leve e insuficiente. Costuma dormir tarde, “rolando na cama”, preocupada, principalmente, com o filho Breno. Acorda várias vezes durante a noite para verificar se ele está em casa, se está agitado ou se há barulhos estranhos no quintal. Acorda cansada, irritada e sem energia.

Atividades físicas

Não realiza atividades físicas e evita sair de casa por se sentir cansada, envergonhada de seu ganho de peso e de não ser mais “como era antes”.  O quadro de Obesidade, que associa à compulsão alimentar e ao sedentarismo, gera incômodo estético, vergonha e baixa autoestima.

Lazer

Sua rotina é empobrecida, com ausência quase total de atividades prazerosas. Quando tem algum tempo livre, assiste à programa de televisão com cenas violentas, não participa de grupos comunitários, não encontra amigas, não tem hobbies. A maior parte de seu tempo é dedicada ao cuidado da casa, do marido e dos filhos, e ela relata que, apesar disso, a casa permanece sempre desarrumada.

Autocuidado

O autocuidado está prejudicado: ela não mantém higiene pessoal mínima, por não ter energia, evita prevenção em saúde, não realiza exames e não prioriza suas próprias necessidades. Possui a higiene bucal prejudicada, devido ao cansaço extremo e à baixa priorização de autocuidado, alimentação rica em açúcar e ultraprocessados, aumentando risco de cáries e doença periodontal. Como diz a própria Mônica: “- Eu não tenho tempo de pensar em mim e nem energia. Minha vida é resolver problema dos outros.”

Contexto psicossocial e territorial

Clique sobre os ícones no mapa, para conhecer o contexto psicossocial e territorial de Mônica.

Comorbidades e outras queixas

Mônica revela que está há 13 anos sem realizar exame preventivo. Em ação da UBS, voltada às mulheres, foi incluída para coleta, mas faltou duas vezes por vergonha e medo de ser atendida por profissional do sexo masculino. Quando conseguiu realizar o exame, foi identificado um quadro de Candidíase

No acompanhamento, a equipe observou dificuldades na adesão adequada ao tratamento, incluindo a não adesão do parceiro às orientações terapêuticas. A situação evidenciou a necessidade de cuidado compartilhado, com abordagem do parceiro pela equipe de saúde, reforçando o papel da APS na educação em saúde, no manejo clínico e na corresponsabilização dos envolvidos no cuidado.

Relata constipação crônica e consumo quase nulo de água, devido à sensação de náusea.

Em uma visita domiciliar, refere “tonturas e moleza”, nos últimos dias. Ao aferir a pressão, a equipe encontrou valores de 200×130 mmHg, repetindo 190×130 mmHg.

Exame físico detalhado

Agora que você já conhece todo o histórico de Mônica, vamos conhecer o resultado de seu exame físico.

Dados antropométricos estimados:

  • Peso: 84 kg (relato da usuária e estimativa visual compatível)
  • Altura: 1,62 m
  • IMC estimado: 32,0 kg/m²

Interpretação: Obesidade Grau I, com distribuição centrípeta.

Estado geral: vígil, orientada, porém, fatigada e emocionalmente abalada durante a entrevista.

Coloração da pele e mucosas: mucosas normocoradas; pele íntegra, porém, seca em extremidades.

Postura e movimentação: lenta, com queixas de dor em todos os membros  e Lombalgia crônica. As dores musculoesquelética e tensão cervical podem estar associadas a bruxismo secundário à Ansiedade.

Tensão muscular aumentada em região cervical e paravertebral. Relata fadiga e dores difusas, compatíveis com síndrome dolorosa inespecífica.

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Sinais Vitais

Na visita domiciliar, e na consulta subsequente na UBS, foram obtidos os seguintes parâmetros:

  • Pressão arterial: 200 × 130 mmHg e, após 15 minutos de repouso, 190 × 130 mmHg.
  • Frequência cardíaca: 102 bpm.
  • Frequência respiratória: 20 irpm.
  • Temperatura: 36,4 °C.
  • Saturação de O₂: 97% em ar ambiente.

Achado crítico: Hipertensão grave não controlada, com risco para lesões de órgão-alvo.

Hidratação: adequada, sem sinais de desidratação.

Biotipo: Obesidade centrípeta (IMC estimado acima de 32 kg/m²).

Afeto e comportamento: choro fácil durante a anamnese; postura encolhida; olhar rebaixado; discurso coerente, porém, permeado por culpa e desesperança. Agressiva na relação com os profissionais da equipe e com adesão ruim às propostas terapêuticas da equipe de ESF. Apresenta insight parcial; reconhece sofrimento, mas não associa sintomas emocionais a fatores psicossociais. Cognição prejudicada, perda de memória recorrente, atenção flutuante, dificuldade de compreensão de explicações.

Saúde ginecológica (a partir do exame realizado): corrimento esbranquiçado e prurido vulvar, compatíveis com Candidíase Vaginal, confirmado pelo exame físico. Sensibilidade aumentada à palpação vulvar, devido ao desconforto físico e emocional.

Durante a revisão do prontuário, foram identificados exames laboratoriais realizados há três meses, porém, sem retorno adequado à equipe. A análise desses resultados, aliados às queixas atuais e ao exame físico, contribuiu para a estratificação do risco cardiovascular de Mônica.

Você consegue imaginar quais exames foram solicitados a Mônica? Escreva na caixa de texto, abaixo, e clique em “Conferir” para ver o resultado dos exames:

Dados antropométricos estimados:

  • Peso: 84 kg (relato da usuária e estimativa visual compatível)
  • Altura: 1,62 m
  • IMC estimado: 32,0 kg/m²

Interpretação: Obesidade Grau I, com distribuição centrípeta.

Estado geral: vígil, orientada, porém, fatigada e emocionalmente abalada durante a entrevista.

Coloração da pele e mucosas: mucosas normocoradas; pele íntegra, porém, seca em extremidades.

Postura e movimentação: lenta, com queixas de dor em todos os membros  e Lombalgia crônica. As dores musculoesquelética e tensão cervical podem estar associadas a bruxismo secundário à Ansiedade.

Tensão muscular aumentada em região cervical e paravertebral. Relata fadiga e dores difusas, compatíveis com síndrome dolorosa inespecífica.

Sinais Vitais

Na visita domiciliar, e na consulta subsequente na UBS, foram obtidos os seguintes parâmetros:

  • Pressão arterial: 200 × 130 mmHg e, após 15 minutos de repouso, 190 × 130 mmHg.
  • Frequência cardíaca: 102 bpm.
  • Frequência respiratória: 20 irpm.
  • Temperatura: 36,4 °C.
  • Saturação de O₂: 97% em ar ambiente.

Achado crítico: Hipertensão grave não controlada, com risco para lesões de órgão-alvo.

Hidratação: adequada, sem sinais de desidratação.

Biotipo: Obesidade centrípeta (IMC estimado acima de 32 kg/m²).

Afeto e comportamento: choro fácil durante a anamnese; postura encolhida; olhar rebaixado; discurso coerente, porém, permeado por culpa e desesperança. Agressiva na relação com os profissionais da equipe e com adesão ruim às propostas terapêuticas da equipe de ESF. Apresenta insight parcial; reconhece sofrimento, mas não associa sintomas emocionais a fatores psicossociais. Cognição prejudicada, perda de memória recorrente, atenção flutuante, dificuldade de compreensão de explicações.

Saúde ginecológica (a partir do exame realizado): corrimento esbranquiçado e prurido vulvar, compatíveis com Candidíase Vaginal, confirmado pelo exame físico. Sensibilidade aumentada à palpação vulvar, devido ao desconforto físico e emocional.

Durante a revisão do prontuário, foram identificados exames laboratoriais realizados há três meses, porém, sem retorno adequado à equipe. A análise desses resultados, aliados às queixas atuais e ao exame físico, contribuiu para a estratificação do risco cardiovascular de Mônica.

Você consegue imaginar quais exames foram solicitados a Mônica? Escreva na caixa de texto, abaixo, e clique em “Conferir” para ver o resultado dos exames:

Agora que você já conhece todo o histórico de Mônica, você já tem todas as informações necessárias para a elaboração do Plano de Cuidado Compartilhado (PCC)!

O primeiro passo, portanto é definir os principais diagnósticos da usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).

Reflita: 

Quais os principais diagnósticos você atribui à Mônica? Pense sobre todas as possibilidades, incluindo aquelas que não são de saúde mental.

Anote-os, pois a seguir você irá preencher o PCC!

Finalizando

Prezado (a) estudante,

você acaba de conhecer o caso clínico Boas práticas em saúde mental e APS!

Esperamos que você tenha se envolvido com a história da usuária Mônica, e conseguido pensar em uma proposta terapêutica para ela.

Até o próximo caso clínico!

Atenção!
Agora que você conheceu o caso clínico, você precisa realizar a Atividade Simulada no nosso Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)!

Nela, você vai propor um Plano de Cuidado Compartilhado (PCC) para a usuária Mônica.

Clique aqui e preencha a sua Atividade Simulada!

FICHA TÉCNICA

Ficha técnica em validação

Coordenação-geral:
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Gracia Maria de Miranda Gondim – EPSJV/Fiocruz
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS

Coordenação técnica e pedagógica:
Carina Pacheco – EPSJV/Fiocruz
Cristina Fatima Santos Crespo – CONASEMS
Gladys Miyashiro – EPSJV/Fiocruz
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria Ruth Santos – EPSJV/Fiocruz
Maurício Monken — EPSJV/Fiocruz
Patricia da Silva Campos — CONASEMS
Paulo Cesar Ribeiro Castro – EPSJV/Fiocruz
Valdívia França Marçal – CONASEMS

Elaboração de Conteúdo:
João Felipe Marques da Silva
Brígida Gimenez Carvalho

Designer Educacional:
Gustavo Henrique Faria Barra

Coordenação de Desenvolvimento Web e Gráfico:
Cristina Perrone

Diagramação e Desenvolvimento Web:
Aidan Bruno
Alexandre Itabayana
Caroline Boaventura
Luciana Campello

Projeto Gráfico e Design de Experiência:
Ygor Baeta Lourenço

Ilustração:
Lucas Corrêa Mendonça

Revisão Linguística:
Aline Ferreira de Almeida

Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Envato Elements
https://elements.envato.com
Freepik
https://br.freepik.com
Pexels
https://www.pexels.com/pt-br/
Flickr Ministério da Saúde
Flickr CONASEMS

Assessoria Executiva:
Conexões Consultoria em Saúde LTDA

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MÔNICA SILVA DE MENEZES
IDADE: 49 anos
ESCOLARIDADE: Ensino fundamental incompleto


Paciente: “retornadora” ou “hiperutilizadora”.  

Anamnese

História atual

Queixa principal: queixa-se de dores no corpo, Cefaleias diárias, cansaço intenso e episódios frequentes de “falta de ar,” os quais ela relaciona ao “nervoso”. Relata insônia e chega à Unidade sonolenta, porém, relatando que, quando tenta descansar e fechar os olhos, seus pensamentos a angustiam e impedem que ela descanse. Narra uma sensação de “travar o corpo” e momentos de profunda tristeza, com sentimento de menos-valia e falta de planejamento futuro. Apesar disso, insiste que seu problema “é físico”, e que “não tem tempo para ficar doente da cabeça”. Relata histórico de Câncer de Mama da mãe, contado pelos avós. Nega atendimento com a psicóloga.

Sinais vitais no momento do acolhimento:

  •       Pressão arterial: 198 × 128 mmHg
  •       Frequência cardíaca: 108 bpm
  •       Frequência respiratória: 22 irpm
  •       Saturação de O₂: 97% em ar ambiente
  •       Temperatura: 36,5 °C

Em razão da Hipertensão crítica, manteve monitoramento, repouso e repetição de PA, após 15 minutos. Na reavaliação: PA após repouso: 188 × 126 mmHg; Frequência cardíaca: 102 bpm; Dor torácica referida como “peso” e não mais irradiante.

Você precisa concluir o tópico atual para continuar a navegar.

Sua resposta:

Exames solicitados.

Resultados de exames laboratoriais:

Grupo de exame Parâmetro Resultado Valores de referência Interpretação
Metabolismo Glicêmico
Glicemia de jejum
122 mg/dL
< 99 mg/dL
Alterada; Pré-Diabetes
Hemoglobina Glicada (HbA1c)
6,0%
< 5,7%
Pré-Diabetes
Função Renal
Creatinina
1,18 mg/dL
0,6–1,1 mg/dL
Ligeiramente elevada
TFG estimada
58 mL/min/1,73 m²
> 60
Doença Renal Crônica – estágio 3A
Perfil Lipídico
Colesterol Total
248 mg/dL
< 200
Elevado
LDL
168 mg/dL
< 100
Elevado
HDL
37 mg/dL
> 50 (mulheres)
Reduzido
Triglicerídeos
242 mg/dL
< 150
Elevado
Função Hepática
AST (TGO)
32 U/L
até 35
Normal
ALT (TGP)
38 U/L
até 45
Normal
Hemograma
Hemoglobina
11,4 g/dL
12–16 g/dL
Anemia leve
Hematócrito
35%
36–46%
Ligeiramente baixo
Leucócitos
7.800/mm³
4.000–11.000
Normal
Plaquetas
290.000/mm³
150–450 mil
Normal

Relação com o território

Relações familiares

Casa

A casa, embora própria, é precária. O bairro Jardim Esperança sofre com a ausência de equipamentos de lazer, pouca iluminação pública, violência urbana e falta de transporte regular. Apesar disso, o bairro tem espaços comunitários de convivência como um centro de cultura perto de sua casa.

Mônica se sente insegura para sair de casa sozinha e dependente da UBS para orientações básicas de saúde. Na relação com o território, vive mais marcada pelo medo do que pelo pertencimento.

Redes de apoio

Mônica não possui rede de apoio. Afirma que vive “para os outros”, sempre cuidando do marido, dos filhos e da casa. Diz que nunca aprendeu a descansar e que sente culpa quando faz algo por si mesma. O marido sempre a cobra muito e afirma que ela precisa cumprir seu “papel de esposa”.

Ela não tem amigas próximas, não participa de atividades comunitárias e mantém relação distante com a mãe e o irmão. A igreja, embora importante para ela, não tem sido um espaço de suporte constante, pois Mônica sente vergonha de expor seus problemas. Como resume a própria usuária, em uma de suas falas durante consulta de enfermagem:

 “- Eu me sinto presa dentro da minha própria vida. Tudo depende de mim, mas eu já não tenho força.”

Infância e juventude

A história de Mônica é atravessada por múltiplos eventos traumáticos, violências e rupturas familiares. Desde a infância, viveu em um ambiente marcado pela negligência materna, instabilidade emocional e ausência de proteção. Na adolescência, quando retornou da zona rural para morar com a mãe, experimentou episódios de violência física e psicológica, especialmente, relacionados a conflitos familiares.

Relata que, na juventude, antes de conhecer o marido, sofreu uma situação de abuso sexual por um conhecido da família, fato que nunca denunciou por vergonha e medo de retaliações. A experiência deixou marcas profundas, afetando sua percepção de autoestima, de corpo e sua relação com sexualidade – o que influenciou, também,  seu desconforto com atendimentos realizados por profissionais de saúde do sexo masculino.

Filho 3

Mateus, 14 anos – estudante, tímido, relata dificuldades escolares. Passa longos períodos sozinho e isolado em seu quarto. Chora à noite quando os pais brigam ou quando Breno entra em crise.

Filho 2

Everton, 19 anos, ensino médio completo, trabalha informalmente, nega uso de drogas, mas apresenta irritabilidade constante e conflitos com a família. Mostra interesse em fazer curso na área da saúde. Diz não conseguir ajudar o pai e a mãe no cuidado com a casa, porque precisa trabalhar o dia todo.

Filho 1 

Breno, 21 anos, ensino médio completo, histórico de internação socioeducativa na adolescência, diagnóstico prévio de Esquizofrenia, porém, nunca fez tratamento contínuo. Faz uso irregular das medicações que o CAPS de sua região leva quando o visita, pontualmente. Tem episódios de agressividade, isolamento e comportamento desorganizado, como tapar buracos das paredes com panos para “impedir que alguém observe a casa”. Mônica diz ter medo de que ele não melhore e precise ser internado em hospital.

Marido

Eliel Pereira Gomes, 56 anos, ensino fundamental incompleto, limitações físicas após acidente, enquanto trabalhava como operador de máquinas em uma fábrica de cimento. Apresenta dor crônica, mobilidade reduzida, Hipertensão não controlada e histórico de uso abusivo de álcool (atualmente, abstêmio há 15 dias). Depende da ajuda de Mônica para as atividades básicas.

Do ponto de vista emocional, Mônica apresenta humor deprimido, choro fácil, irritabilidade e sentimento de culpa e insuficiência.

Durante a conversa, menciona viver há anos com culpa, mágoas e um histórico de violência que nunca conseguiu elaborar, tendo contado isso, pela primeira vez, apenas para a ACS e ter pedido que ela não contasse aos demais profissionais da equipe.

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