Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde – APS

Módulo IV – Uso de Sistemas de Informação na Gestão Clínica

Disciplina 11

Saúde Digital e Tecnologias Inovadoras na Atenção à Saúde

Estamos iniciando os estudos referentes à Saúde Digital e às Tecnologias Inovadoras na Atenção à Saúde.

Nesta disciplina, daremos continuidade aos estudos do Módulo IV, que aborda o Uso de Sistemas de Informação na Gestão Clínica. Serão apresentados os principais conceitos relacionados à Saúde Digital, com foco em Tecnologias Inovadoras que contribuem para ampliar a capacidade diagnóstica, o monitoramento clínico e o suporte à tomada de decisão na Atenção Primária à Saúde (APS).

Além de apresentar diferentes ferramentas, como testes rápidos, soluções de inteligência artificial e dispositivos vestíveis, a disciplina propõe uma reflexão crítica sobre seu uso ético, seguro e fundamentado em evidências científicas. Destaca-se que essas tecnologias devem apoiar, e não substituir, o julgamento clínico e o cuidado centrado nas pessoas.

A seguir, você poderá conhecer os objetivos de aprendizagem que orientarão sua jornada formativa.

Objetivos de Aprendizagem

Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de: 

Clique nas setas para navegar.

Conceituar Saúde Digital, Telessaúde, Telemedicina e e-Saúde.

Compreender a abrangência e as aplicabilidades da Saúde Digital.

Compreender e diferenciar teleconsulta, teleconsultoria, telemonitoramento, telediagnóstico e telerregulação.

Identificar quais modalidades de Telessaúde são mais adequadas para serem aplicadas em seu contexto de trabalho.

Compreender as possibilidades de uso de tecnologias point of care, realidade aumentada e inteligência artificial.

Utilizar, de forma crítica e responsável, ferramentas de inteligência artificial como apoio à prática profissional, compreendendo e observando limites, validação, proteção de dados, confidencialidade e responsabilidade clínica. 

Analisar eticamente as implicações da Saúde Digital no contexto da Atenção Primária à Saúde.

Nesta trajetória dedicada à Saúde Digital, é fundamental desenvolver uma postura analítica e crítica diante das tecnologias emergentes, compreendendo, também, a relevância das dimensões éticas, jurídicas e de governança que orientam o uso responsável de dados em saúde.

Ao longo dos estudos e, sobretudo, na prática cotidiana, é essencial manter em perspectiva as necessidades e os direitos dos pacientes no ambiente digital, assegurando que qualquer inovação tecnológica seja empregada de maneira segura, transparente e alinhada aos princípios de proteção e respeito à pessoa.

Saúde Digital

A Saúde Digital representa um campo abrangente que vai muito além da incorporação de novos equipamentos. Trata-se da utilização das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) para transformar o cuidado, a gestão e a produção de informações em saúde, promovendo maior integração, eficiência e qualidade nos serviços.

Diferentemente de conceitos mais restritos, como o de e‑Saúde, a Saúde Digital engloba tecnologias emergentes e disruptivas, incluindo Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT), realidade aumentada e realidade virtual. Esses recursos possibilitam a conexão entre cidadãos, profissionais e gestores em um ecossistema de dados mais confiável, seguro e eficiente, favorecendo a coordenação do cuidado e a tomada de decisão.

Para isso, a Saúde Digital abrange um conjunto amplo de tecnologias e modalidades de cuidado. Telessaúde, Telemedicina, e‑Saúde e m‑Saúde constituem aplicações específicas desse campo, cada uma com finalidades próprias, mas todas orientadas para ampliar o acesso, qualificar o cuidado e apoiar a tomada de decisão em saúde

Clique nos cards para conhecer melhor estes termos.

Telessaúde

Telessaúde é o conjunto de serviços de saúde realizados a distância, por meio das TDICs.

São exemplos dessa modalidade: teleconsultoria, teleducação e telemonitoramento.

Telemedicina

Telemedicina é a prestação de serviços médicos a distância para assistência, prevenção de doenças, pesquisa e educação em saúde.

São exemplos dessa modalidade: teleconsulta entre médico e paciente, teleinterconsulta e telediagnóstico.

e-Saúde

e-Saúde é a utilização de sistemas eletrônicos para apoiar os processos de atenção, gestão e informação em saúde.

São exemplos dessa tecnologia: o Prontuário Eletrônico e-SUS APS e os Sistemas de Informação em Saúde (SIS).

m-Saúde

m-Saúde é a utilização de dispositivos móveis para apoiar o monitoramento, a promoção e o cuidado em saúde.

São exemplos dessa tecnologia: smartwatches para monitoramento da frequência cardíaca e aplicativos para controle da glicemia.

Saúde Digital na Atenção Primária à Saúde (APS)

A APS constitui a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS) e representa o ponto de contato mais frequente entre os usuários e a rede de serviços. Essa centralidade exige dos profissionais da APS uma atuação qualificada na adoção de tecnologias digitais, seja para registrar informações clínicas, coordenar o cuidado, monitorar pacientes de forma longitudinal e a distância, ou acessar suporte especializado sem a necessidade de encaminhamentos imediatos para outros níveis de atenção.

Quando aplicadas de maneira adequada, as tecnologias digitais contribuem, significativamente, para o fortalecimento da APS, promovendo:

Fique atento: para que essas tecnologias contribuam efetivamente para a melhoria da atenção à saúde, seu uso deve ocorrer de forma segura, ética e alinhada às normas e regulamentações aplicáveis. Por isso, antes de explorarmos essas ferramentas, conheceremos os principais marcos regulatórios que orientam a Saúde Digital.

Principais Marcos Regulatórios da Saúde Digital

Como vimos, a Saúde Digital é orientada por um conjunto de estratégias, normas e iniciativas que buscam promover a inovação, a interoperabilidade dos sistemas de informação, a proteção dos dados dos cidadãos e o fortalecimento do SUS. 

Clique nos botões e conheça alguns dos principais marcos regulatórios que sustentam a transformação digital da saúde.

Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 (ESD28)

Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)

Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) na Saúde

Estratégias Globais de Saúde Digital

#Fica a dica!

Embora possuam finalidades distintas, esses marcos atuam de forma complementar para promover uma Saúde Digital segura, integrada, ética e centrada nas necessidades da população.

Quer saber mais sobre cada um deles? 

Clique aqui e acesse o e-book da disciplina.

Neste momento, você deve estar se perguntando: como posso aplicar essas estratégias de Saúde Digital na minha UBS?

Antes de implementar novas tecnologias, é importante compreender o nível de desenvolvimento digital do seu município e da sua Unidade de Saúde. Esse processo é conhecido como maturidade digital em saúde.

A maturidade digital reconhece que os serviços de saúde apresentam diferentes níveis de desenvolvimento tecnológico. Por isso, cada localidade deve avançar de forma gradual, respeitando seu contexto e suas necessidades.

Observe, na Figura 1, os sete domínios da Saúde Digital avaliados pelo Índice Nacional de Maturidade em Saúde Digital (INMSD).

Clique na imagem para ampliá-la.

Figura 1 ─ Domínios do Índice Nacional de Maturidade Digital em Saúde Digital

Fonte: adaptado de Haddad, 2024.

Agora que você já sabe o que é maturidade digital, vamos olhar para a realidade da sua UBS.

Muitas tecnologias digitais já estão presentes no dia a dia das equipes da APS. Elas auxiliam no registro das atividades, na organização do trabalho, na comunicação com os usuários e no acompanhamento das condições de saúde da população.

Ferramentas como prontuários eletrônicos, aplicativos de coleta de dados, plataformas de telessaúde e sistemas de informação ajudam os profissionais a realizar suas atividades de forma mais ágil, segura e integrada.

Clique nas abas para explorar algumas dessas tecnologias e conhecer suas principais aplicações na APS.

Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde que reúne ferramentas para registro e gestão do cuidado. Permite registrar atendimentos, visitas domiciliares, procedimentos e outras informações de saúde, por meio do Prontuário Eletrônico e-SUS APS e de diferentes fichas de atendimento.

Aplicativo utilizado pelos Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde (TACS), Agentes Comunitários de Saúde (ACS), Agentes de Combate às Endemias (ACE) e Agentes de Ação Social (AAS) para registrar e acompanhar as atividades realizadas no território. Funciona mesmo sem acesso à internet, permitindo a coleta de informações durante visitas domiciliares e ações em campo.

Aplicativo destinado ao registro de imunizações realizadas fora da Unidade de Saúde. Facilita o registro das vacinas aplicadas em campanhas, ações extramuros e outras estratégias de vacinação.

Aplicativo utilizado para registrar ações coletivas desenvolvidas pelas equipes da APS. Permite documentar atividades como grupos educativos, reuniões comunitárias, ações de promoção da saúde e práticas coletivas.

Aplicativo voltado para os Serviços de Atenção Domiciliar (AD). Possibilita o registro das informações dos atendimentos realizados diretamente no domicílio do usuário, apoiando o acompanhamento e a continuidade do cuidado.

Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde que reúne ferramentas para registro e gestão do cuidado. Permite registrar atendimentos, visitas domiciliares, procedimentos e outras informações de saúde, por meio do Prontuário Eletrônico e-SUS APS e de diferentes fichas de atendimento.

Aplicativo utilizado pelos Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde (TACS), Agentes Comunitários de Saúde (ACS), Agentes de Combate às Endemias (ACE) e Agentes de Ação Social (AAS) para registrar e acompanhar as atividades realizadas no território. Funciona mesmo sem acesso à internet, permitindo a coleta de informações durante visitas domiciliares e ações em campo.

Aplicativo destinado ao registro de imunizações realizadas fora da Unidade de Saúde. Facilita o registro das vacinas aplicadas em campanhas, ações extramuros e outras estratégias de vacinação.

Aplicativo utilizado para registrar ações coletivas desenvolvidas pelas equipes da APS. Permite documentar atividades como grupos educativos, reuniões comunitárias, ações de promoção da saúde e práticas coletivas.

Aplicativo voltado para os Serviços de Atenção Domiciliar (AD). Possibilita o registro das informações dos atendimentos realizados diretamente no domicílio do usuário, apoiando o acompanhamento e a continuidade do cuidado.

Aplicativo que auxilia gestores e profissionais na análise dos dados produzidos pelos serviços de saúde. Disponibiliza informações de forma rápida e organizada, apoiando o planejamento, o monitoramento e a tomada de decisões.

Plataforma digital que permite ao cidadão acessar informações e serviços de saúde. Entre os recursos disponíveis estão o histórico de vacinação, os resultados de exames, os medicamentos dispensados e outros registros vinculados à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

Ambientes digitais que possibilitam a oferta de serviços de saúde a distância, como teleconsultorias, telediagnósticos e teleconsultas. Essas plataformas ampliam o acesso ao conhecimento especializado e apoiam o trabalho das equipes da APS.

Ferramentas que permitem o agendamento de consultas, exames e outros serviços de saúde de forma digital. Podem estar integradas ao Meu SUS Digital ou aos sistemas municipais e estaduais de saúde.

Ferramentas utilizadas para comunicação entre equipes e usuários, principalmente para envio de lembretes, avisos e orientações gerais. Seu uso deve respeitar as normas de segurança da informação e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), evitando o compartilhamento de dados sensíveis dos pacientes.

Aplicativo que auxilia gestores e profissionais na análise dos dados produzidos pelos serviços de saúde. Disponibiliza informações de forma rápida e organizada, apoiando o planejamento, o monitoramento e a tomada de decisões.

Plataforma digital que permite ao cidadão acessar informações e serviços de saúde. Entre os recursos disponíveis estão o histórico de vacinação, os resultados de exames, os medicamentos dispensados e outros registros vinculados à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

Ambientes digitais que possibilitam a oferta de serviços de saúde a distância, como teleconsultorias, telediagnósticos e teleconsultas. Essas plataformas ampliam o acesso ao conhecimento especializado e apoiam o trabalho das equipes da APS.

Ferramentas que permitem o agendamento de consultas, exames e outros serviços de saúde de forma digital. Podem estar integradas ao Meu SUS Digital ou aos sistemas municipais e estaduais de saúde.

Ferramentas utilizadas para comunicação entre equipes e usuários, principalmente para envio de lembretes, avisos e orientações gerais. Seu uso deve respeitar as normas de segurança da informação e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), evitando o compartilhamento de dados sensíveis dos pacientes.

#Fica a dica!

Reconhecer quais dessas ferramentas estão presentes na sua UBS é o primeiro passo para identificar potencialidades, desafios e oportunidades de fortalecer o uso da Saúde Digital no cotidiano das equipes.

Entre as diversas tecnologias apresentadas até aqui, a Telessaúde tem se destacado como uma importante estratégia para ampliar o acesso ao cuidado e apoiar o trabalho dos profissionais de saúde. 

Na próxima temática, vamos conhecê-la com mais detalhes.

Telessaúde

A Telessaúde reúne diferentes modalidades de atendimento e suporte em saúde realizadas de forma remota, utilizando tecnologias digitais para ampliar o acesso da população e qualificar o cuidado oferecido. 

Cada modalidade possui objetivos específicos, envolve participantes determinados e segue regras próprias, o que torna essencial compreender suas particularidades.

Entender essas diferenças permite que profissionais e gestores escolham a estratégia mais adequada para cada necessidade, garantindo que o atendimento remoto seja conduzido com segurança, qualidade e em conformidade com as diretrizes do SUS.

Para saber mais sobre como essa construção ocorreu ao longo do tempo, clique aqui e acesse o e-book da disciplina.

Vamos conhecer cinco das principais modalidades de Telessaúde utilizadas no SUS. Cada uma delas cumpre um papel específico no cuidado remoto, ampliando o acesso, o apoio clínico e a continuidade da atenção.

Clique nos ícones para explorar cada uma delas.

Ilustração de um celular com ícones de saúde ao redor
+

Selecione um ícone para visualizar a informação.

Boas práticas em Telessaúde

Independentemente da modalidade, algumas boas práticas são essenciais para garantir a segurança, a ética, a qualidade do atendimento e a proteção dos dados dos usuários. Quando aplicadas corretamente, elas contribuem para que o atendimento remoto seja seguro, confiável e adequado às finalidades de cada modalidade.

Clique nas setas para conhecer algumas recomendações.

Ambiente adequado

Exige silêncio e privacidade contra vazamentos de dados, boa iluminação para avaliação visual e conexão estável para evitar falhas na comunicação.

Identidade e registro em prontuário

A confirmação da identidade do paciente evita fraudes, enquanto o registro em prontuário eletrônico garante rastreabilidade, continuidade do cuidado e respaldo legal.

Consentimento informado

Deve ser prévio, claro e documentado, respeitando a autonomia do paciente ao esclarecer as limitações, riscos e o tratamento de dados da modalidade.

Priorização do atendimento presencial

A telessaúde amplia o acesso, mas não substitui a avaliação física. Casos de suspeita de gravidade, risco iminente ou dúvidas diagnósticas devem ser direcionados para o presencial.

Proteção de dados (LGPD)

Todos os registros (imagens, áudios e mensagens) integram o prontuário. Eles devem ser armazenados de forma segura, com controle de acesso e em total conformidade com as normas institucionais e a LGPD, protegendo profissional e paciente.

#Fica a dica!

Compreender as indicações e os limites da telessaúde é fundamental para utilizar essa tecnologia de forma adequada.

Um dos aspectos mais importantes da prática clínica é reconhecer em quais situações o atendimento remoto é suficiente e em quais a avaliação presencial se torna necessária para garantir a qualidade e a segurança do cuidado.

Para conhecer situações reais do cotidiano da APS e refletir sobre qual modalidade de telessaúde é mais adequada em cada contexto, clique aqui e acesse o e-book da disciplina.

Tecnologias Emergentes

A evolução tecnológica na área da saúde vai muito além da comunicação remota entre profissionais e usuários. Nos últimos anos, novas ferramentas e soluções digitais têm transformado a prática clínica, especialmente no âmbito da APS.

A incorporação dessas tecnologias tem ampliado a capacidade clínica e diagnóstica das equipes, contribuindo para um cuidado mais ágil, resolutivo, acessível e centrado nas necessidades dos usuários.

Para compreender como essas inovações são aplicadas no cotidiano dos serviços de saúde, vamos iniciar conhecendo algumas Tecnologias de Ponto de Cuidado (Point of Care – POC) e suas principais aplicações na APS.

Tecnologias de Ponto de Cuidado (Point of Care – POC)

As Tecnologias de Ponto de Cuidado, também conhecidas como Point of Care (POC), são dispositivos utilizados diretamente no local de atendimento para apoiar o diagnóstico e o monitoramento dos usuários.

Ao permitir a realização de exames e a obtenção de resultados em poucos minutos ou horas, essas tecnologias reduzem a necessidade de deslocamentos e agilizam a tomada de decisão clínica.

Na APS, os recursos POC ampliam a capacidade diagnóstica das equipes, favorecem o acompanhamento dos usuários no território e contribuem para uma rede de atenção mais resolutiva e integrada.

A seguir, clique em uma situação para visualizar a tecnologia POC correspondente e sua aplicação no cuidado.

Escolha uma situação

Qual necessidade aparece no cuidado?

POC Selecione uma situação

Fique atento!

Como vimos, as Tecnologias de Ponto de Cuidado são ferramentas importantes para apoiar o diagnóstico e o acompanhamento dos usuários. No entanto, seus resultados devem sempre ser interpretados em conjunto com a avaliação clínica.

Por isso, um resultado negativo nem sempre descarta uma doença quando há forte suspeita clínica. Nesses casos, pode ser necessário realizar novos exames ou complementares a investigação, conforme a avaliação do profissional de saúde.

Inteligência Artificial na APS

A Inteligência Artificial (IA) aplicada à saúde pode ser compreendida como a inserção de inovações tecnológicas digitais, que, utilizando algoritmos analíticos de dados, buscam a interpretação diagnóstica ou a exploração preditiva de uma dada condição de saúde. Na APS, ela pode auxiliar em ações como:

A IA deve ser utilizada, sempre, de forma ética, segura e crítica. É fundamental proteger a privacidade dos dados dos pacientes, avaliar a confiabilidade das respostas geradas e considerar as características da população atendida. Conforme a Resolução nº 2.454, de 11 de fevereiro de 2026, do Conselho Federal de Medicina (CFM), seu princípio fundamental estabelece que a IA apoia, mas não decide.

Avalie se as atividades, abaixo, podem ser realizadas por IA. Clique nos campos que você considera corretos e, em seguida, clique em “Conferir” para verificar suas respostas.

A IA pode realizar essas atividades?

Pode

Não pode

Identificar padrões e tendências em grandes volumes de dados clínicos.

Gerar recomendações de conduta sem substituir a avaliação profissional.

Assumir, de forma autônoma, a responsabilidade pelo diagnóstico e tratamento do paciente.

Reconhecer sinais de risco e emitir alertas para os profissionais de saúde.

Substituir integralmente o julgamento clínico e a decisão do profissional de saúde.

Fique atento!

A Inteligência Artificial é uma ferramenta que atua como suporte, mas não substitui a decisão humana. O ato médico continua submetido ao julgamento clínico humano, às normas éticas do CFM e à responsabilidade profissional.

Vestíveis (Wearables)

Além da telessaúde, da inteligência artificial e das tecnologias de ponto de cuidado, outra inovação que vem ganhando espaço na área da saúde são os vestíveis (wearables).

Os wearables são dispositivos eletrônicos que podem ser utilizados junto ao corpo, como relógios, pulseiras, faixas, camisetas e outros acessórios. Esses dispositivos permitem monitorar continuamente diferentes parâmetros de saúde e armazenar ou transmitir essas informações para aplicativos, sistemas de informação e profissionais de saúde.

Eles são capazes de monitorar:

Os wearables podem contribuir para o acompanhamento de pessoas com condições crônicas, apoiar ações de promoção da saúde e fornecer informações complementares para a avaliação clínica realizada pelas equipes de saúde.

Fique atento!

Para ser considerado um dispositivo médico, um wearable deve possuir registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Além disso, os dados gerados por esses dispositivos devem ser interpretados em conjunto com a avaliação clínica. Portanto, os wearables não devem ser utilizados de forma isolada para definir diagnósticos ou condutas terapêuticas.

#Fica a dica!

Nem toda tecnologia nova representa, necessariamente, uma melhoria para o serviço de saúde. Antes de sua adoção, é importante avaliar se ela responde a uma necessidade real, se é viável no contexto local e se traz benefícios para profissionais e usuários.

A inovação deve caminhar lado a lado com a análise crítica, o planejamento e o uso responsável dos recursos disponíveis.

Ética Digital e Interoperabilidade em Saúde

O uso de tecnologias digitais na saúde traz inúmeras oportunidades para ampliar o acesso, qualificar o cuidado e apoiar a tomada de decisão clínica. No entanto, sua utilização também exige atenção a aspectos éticos e legais que garantam a segurança dos usuários e a qualidade da assistência.

Na Saúde Digital, os princípios da bioética continuam sendo fundamentais para orientar a atuação dos profissionais e a adoção de novas tecnologias.

Clique nos ícones para entender melhor esses princípios éticos.

Autonomia

Garantir que o usuário participe das decisões relacionadas à sua saúde, compreendendo como seus dados serão utilizados e consentindo de forma livre e esclarecida.

Beneficência

Utilizar as tecnologias buscando sempre o melhor interesse do usuário e a melhoria da qualidade do cuidado.

Não maleficência

Evitar danos decorrentes do uso inadequado de tecnologias, algoritmos ou sistemas que possam gerar erros ou desigualdades na assistência.

Justiça

Promover o acesso equitativo às tecnologias digitais, reduzindo barreiras e evitando a exclusão de populações vulneráveis.

A transformação digital na saúde depende da circulação segura e responsável das informações. Para que isso aconteça, é necessário garantir o consentimento dos usuários, a integração entre os sistemas de informação e a qualidade dos dados registrados pelos profissionais.

Clique nas setas para conhecer algumas responsabilidades importantes.

Interoperabilidade de Dados

O que é?

Capacidade de diferentes sistemas de informação compartilharem dados de forma segura e padronizada, favorecendo a continuidade do cuidado.

Observe um exemplo: 

Um paciente atendido na UBS é internado em um hospital. Por meio da RNDS, informações importantes do seu histórico de saúde podem ser acessadas pela equipe hospitalar.

Consentimento Informado

O que é?

Direito do usuário de receber informações claras sobre seu atendimento e sobre o uso de seus dados, podendo decidir livremente se concorda ou não com determinada ação ou tecnologia.

Observe um exemplo: 

Antes de iniciar um telemonitoramento, a equipe explica como os dados serão utilizados e solicita a concordância do usuário.

Governança de Dados

O que é?

Conjunto de práticas que garante que os dados de saúde sejam registrados, armazenados e utilizados de forma segura, ética e adequada.

Observe um exemplo: 

Ao registrar corretamente um diagnóstico no prontuário eletrônico, o profissional contribui para a qualidade das informações utilizadas no cuidado, na vigilância e na gestão em saúde.

Consentimento Informado

O que é?

Direito do usuário de receber informações claras sobre seu atendimento e sobre o uso de seus dados, podendo decidir livremente se concorda ou não com determinada ação ou tecnologia.

Observe um exemplo: 

Antes de iniciar um telemonitoramento, a equipe explica como os dados serão utilizados e solicita a concordância do usuário.

Interoperabilidade de Dados

O que é?

Capacidade de diferentes sistemas de informação compartilharem dados de forma segura e padronizada, favorecendo a continuidade do cuidado.

Observe um exemplo: 

Um paciente atendido na UBS é internado em um hospital. Por meio da RNDS, informações importantes do seu histórico de saúde podem ser acessadas pela equipe hospitalar.

Governança de Dados

O que é?

Conjunto de práticas que garante que os dados de saúde sejam registrados, armazenados e utilizados de forma segura, ética e adequada.

Observe um exemplo: 

Ao registrar corretamente um diagnóstico no prontuário eletrônico, o profissional contribui para a qualidade das informações utilizadas no cuidado, na vigilância e na gestão em saúde.

#Fica a dica! 

A qualidade das informações disponíveis nos sistemas de saúde depende diretamente da qualidade dos registros realizados pelos profissionais. 

Dados completos, padronizados e atualizados fortalecem o cuidado ao usuário e contribuem para o funcionamento da Saúde Digital no SUS.

Finalizando

Ao longo desta disciplina, avançamos do conceito à prática, desmistificando o papel da Saúde Digital no cotidiano da APS. Compreendemos que as tecnologias, desde as modalidades de telessaúde e os dispositivos de ponto de cuidado até a inteligência artificial, não são fins em si mesmas, mas ferramentas capazes de fortalecer a coordenação do cuidado, qualificar a gestão e ampliar o acesso aos serviços de saúde.

O sucesso dessa transformação digital depende, fundamentalmente, de uma atuação consciente, crítica e ética. Reafirmamos que a tecnologia apoia, mas não substitui, o julgamento clínico humano. O profissional de saúde continua sendo o principal responsável pela segurança dos dados, pela proteção da privacidade dos usuários e pela qualidade das informações registradas. Da mesma forma, a interoperabilidade promovida pela Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) só se concretiza por meio do compromisso de cada profissional com registros estruturados, completos e precisos.

Mais do que adotar novas tecnologias, o desafio é utilizá-las de forma responsável e alinhada às necessidades da população. Por isso, o convite que fazemos é para que você seja um agente ativo dessa transformação, contribuindo para uma Saúde Digital mais integrada, segura e centrada nas pessoas.

Continue sua trajetória formativa!

Para alcançar um bom desempenho nos estudos, é fundamental acessar e utilizar todos os recursos didáticos disponibilizados na disciplina. Nesse sentido, recomendamos que você:

Até o próximo módulo!

FICHA TÉCNICA

Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves – SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – SAPS/MS
Ana Paula Neves Marques de Pinho – A.C. Camargo
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Mauro Junqueira – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS

Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Danylo Santos Silva Vilaça – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata – CONASEMS
Marta de Sousa Lima – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – CONASEMS
Thaís Coutinho de Oliveira – SAPS/MS

Elaboração de Conteúdo:
Alexandre Chater Taleb

Designer Educacional:
Gustavo Henrique Faria Barra – CONASEMS
Samuel Rubens Barbosa de Oliveira – CONASEMS

Coordenação de Desenvolvimento Web e Gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS

Desenvolvimento Web:
Alexandre Itabayana – CONASEMS
Caroline Boaventura – CONASEMS

Projeto Gráfico e Design de Experiência:
Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS

Ilustração:
Lucas Corrêa Mendonça – CONASEMS

Revisão Linguística:
Keylla Manfili Fioravante – CONASEMS

Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Flickr CONASEMS
Flickr Ministério da Saúde
Flickr Secretaria de Saúde do Distrito Federal
Envato Elements
https://elements.envato.com
Freepik
https://br.freepik.com
Pexels
https://www.pexels.com/pt-br/

Estratégias Globais de Saúde Digital

Conjunto de diretrizes e recomendações internacionais, lideradas por organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que orientam os países na adoção de soluções digitais para fortalecer os sistemas de saúde.

Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) na Saúde

Estabelece regras para a coleta, o armazenamento, o uso e o compartilhamento de dados pessoais, incluindo informações de saúde, garantindo a privacidade, a segurança e os direitos dos cidadãos.

Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)

Plataforma nacional que possibilita o compartilhamento seguro e a interoperabilidade das informações de saúde entre diferentes sistemas e serviços, favorecendo a continuidade do cuidado em toda a Rede de Atenção à Saúde (RAS).

Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 (ESD28)

Define as diretrizes e prioridades para a transformação digital do sistema de saúde brasileiro, promovendo o uso de tecnologias digitais para ampliar o acesso, a qualidade e a integração dos serviços de saúde.

e-SUS APS
Registro das informações em saúde e prontuário eletrônico

 e-SUS Território
Apoio ao trabalho dos ACS, ACE e AAS no território.

e-SUS Vacinação
Registro das ações de vacinação realizadas dentro e fora da UBS.

e-SUS Atividade Coletiva
Registro de grupos, ações educativas e atividades coletivas.

e-SUS AD
Registro dos atendimentos realizados no domicílio.

Gestão e-SUS APS
Análise de indicadores e apoio à gestão dos serviços.

Meu SUS Digital
Acesso do cidadão a informações como vacinação, exames e medicamentos. 

Plataformas de Telessaúde
Teleconsultorias, telediagnósticos e apoio especializado às equipes.

Agendamento eletrônico
Organização e acompanhamento das consultas.

Mensageria institucional
Comunicação administrativa com usuários e equipes respeitando a LGPD.

Quase lá, mas você ainda não teve confirmada a visualização desta aula interativa porque não interagiu com link’s importantes para o seu processo de aprendizagem. Recomece a aula e não esqueça de interagir, pois só assim terá cumprido os requisitos para conclusão da disciplina.

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