Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde
Módulo V – Saúde Bucal na APS
Disciplina 12
Saúde Bucal na APS
Chegamos a um novo momento da sua trajetória formativa, no qual estudaremos a Disciplina 12: Saúde Bucal na Atenção Primária à Saúde (APS).
Agora, daremos início ao Módulo V – Saúde Bucal na Atenção Primária à Saúde (APS), composto por uma única disciplina dedicada a compreender o papel da Saúde Bucal na organização do cuidado e na atuação das equipes no âmbito da APS.
Convidamos você a refletir sobre a prática odontológica no Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecendo a Saúde Bucal como parte indissociável da saúde geral. A partir da integração entre Promoção da Saúde e Vigilância em Saúde na Rede de Atenção à Saúde Bucal, buscamos fortalecer uma clínica ampliada e resolutiva, centrada no sujeito-usuário e orientada por ferramentas como a estratificação de risco e a odontologia de mínima intervenção. O objetivo é favorecer a oferta de um cuidado integral, humanizado e socialmente comprometido.
Avance para conhecer os objetivos de aprendizagem desta disciplina.
Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de:
Relembrar os conceitos de clínica ampliada, bucalidade, saúde bucal coletiva, Determinantes Sociais da Saúde e os impactos sociais na Saúde Bucal.
Entender a RASB, diferenciando os papéis da APS, dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), dos Serviços de Especialidades em Saúde Bucal (Sesb), dos Laboratórios de Próteses Dentárias e da Rede Hospitalar com ênfase no diagnóstico precoce do câncer de boca.
Aplicar a clínica ampliada conforme protocolos do Ministério da Saúde, com foco em Odontologia de Mínima Intervenção (OMI), Atendimento Restaurador Atraumático (ART), remoção seletiva e manejo dos agravos em Saúde Bucal na APS.
Interpretar os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023) e outros inquéritos de base populacional para identificar vulnerabilidades e planejar a busca ativa no território.
O Olhar Estratégico sobre o território
Nesta disciplina, vamos compreender como a Promoção da Saúde pode transformar as condições de vida da população e fortalecer a equidade. Para isso, analisaremos as “causas das causas” das doenças e veremos como a integração entre a Vigilância em Saúde e a Atenção Primária à Saúde (APS) organiza e qualifica a Rede de Atenção à Saúde Bucal (RASB).
Nosso propósito é capacitar você no desenvolvimento de uma clínica ampliada e resolutiva, que desloca o foco do “objeto-dente” para o “sujeito-usuário”. Ao longo do percurso, utilizaremos ferramentas como a estratificação de risco e a odontologia de mínima intervenção, fundamentais para oferecer um cuidado integral, humanizado e socialmente comprometido.
Você já ouviu esta afirmação?
Não se faz Saúde Bucal somente com escova, pasta de dente e fio dental!
A Promoção da Saúde constitui uma estratégia fundamental para reorientar as práticas sanitárias e enfrentar os desafios do sistema de saúde, sendo um eixo estruturante da Vigilância em Saúde e do modelo de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS).
Nesse contexto, a Política Nacional de Promoção da Saúde destaca a importância de uma concepção ampliada de saúde, da articulação intersetorial e da integração das ações de promoção em todos os pontos de atenção.
Essas ações visam ampliar as potencialidades de indivíduos e coletividades, promover equidade e reduzir vulnerabilidades relacionadas aos determinantes sociais.
Estratégias de Promoção da Saúde Bucal
Na saúde bucal coletiva, é essencial considerar os aspectos estruturais que influenciam o processo saúde-doença, reconhecendo que os agravos bucais estão diretamente relacionados às condições de vida das populações. Nesse sentido, as estratégias de Promoção da Saúde devem atuar sobre os determinantes sociais, por meio da articulação de políticas públicas, da intersetorialidade e da ampliação do acesso universal.
Essa perspectiva exige que as práticas odontológicas superem o enfoque exclusivamente curativo e adotem uma abordagem ampliada, participativa e socialmente comprometida. Assim, ao compreender o território e fortalecer o vínculo com as famílias, os profissionais de Saúde Bucal podem desenvolver ações efetivas de Promoção da Saúde, com impacto direto nas condições bucais da população.
Para além da atuação dos profissionais de Saúde Bucal, de que forma os demais membros da equipe da APS contribuem para o cuidado nessa área?
Na prática do dia a dia, a Promoção da Saúde Bucal vai muito além da realização de procedimentos clínicos. Ela se constrói no território, no vínculo com as famílias e nas ações educativas desenvolvidas de forma contínua. Nesse processo, os profissionais de Saúde Bucal – cirurgiões-dentistas, técnicos em Saúde Bucal e auxiliares em Saúde Bucal – têm um papel fundamental ao compartilhar saberes, apoiar e realizar o matriciamento dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e demais profissionais da APS.
Os ACS constituem o maior contingente de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (Brasil, 2025a), e estão diariamente em contato direto com a comunidade. Quando fortalecidos por meio da educação permanente, tornam-se agentes estratégicos para identificar necessidades, orientar as famílias e promover a Saúde Bucal de forma integrada às demais ações de cuidado no território.
Ao considerar a multiprofissionalidade na APS e priorizar o atendimento integral dos usuários, os profissionais da ESF, das Equipes Multiprofissionais (eMulti) e demais formatações que atuam na APS, a Saúde Bucal pode ser inserida nas diversas rotinas de trabalho. Para isso, o empenho da equipe inicialmente é o de “desodontologizar” o tema e compreender que a Saúde Bucal é parte da saúde sistêmica.
Vejamos, na prática, como cada profissional da equipe multiprofissional pode atuar na Promoção da Saúde Bucal da criança, por exemplo, integrando esse cuidado ao acompanhamento do crescimento e desenvolvimento.
Para isso, clique nas abas abaixo:
Durante as consultas de puericultura, o ENFERMEIRO exerce papel vital ao orientar sobre a higienização dos primeiros dentes e o manejo de hábitos, como o uso prolongado de bicos artificiais.
Simultaneamente, o MÉDICO pode monitorar a cronologia de erupção dental e identificar sinais de respiração bucal.
Por sua vez, o NUTRICIONISTA atua na prevenção da cárie na primeira infância ao desestimular o consumo precoce de açúcares.
Nessa abordagem conjunta, o FONOAUDIÓLOGO também poderia estar presente, reforçando o aleitamento materno não apenas como nutrição, mas também como estímulo primordial para o adequado desenvolvimento das funções de mastigação e fala.
Durante as consultas de puericultura, o ENFERMEIRO exerce papel vital ao orientar sobre a higienização dos primeiros dentes e o manejo de hábitos, como o uso prolongado de bicos artificiais.
Simultaneamente, o MÉDICO pode monitorar a cronologia de erupção dental e identificar sinais de respiração bucal.
Por sua vez, o NUTRICIONISTA atua na prevenção da cárie na primeira infância ao desestimular o consumo precoce de açúcares.
Nessa abordagem conjunta, o FONOAUDIÓLOGO também poderia estar presente, reforçando o aleitamento materno não apenas como nutrição, mas também como estímulo primordial para o adequado desenvolvimento das funções de mastigação e fala.
Clique aqui e assista ao vídeo da Série Campos, Águas e Floresta – Saúde Bucal: Prevenção e Promoção à Saúde. Veja como o Dr. Elves desenvolve projetos de prevenção e promoção da saúde bucal na comunidade Nossa Senhora do Livramento, em Manaus e reflita sobre como adaptar as práticas de Saúde Bucal às realidades de cada território. Considere as condições de vida, as heranças culturais e o papel essencial das ações educativas, da prevenção e do cuidado integral.
A prevenção de agravos em Saúde Bucal
A prevenção de agravos em Saúde Bucal é essencial para a saúde pública e orienta a organização dos atendimentos na Atenção Primária, sempre com foco na integralidade do cuidado.
Para que essas ações sejam realmente eficazes, elas precisam ultrapassar os limites do consultório e alcançar o território, atuando sobre fatores sociais e ambientais que influenciam a saúde da comunidade.
A prática na APS abrange os quatro níveis de prevenção:
PREVENÇÃO PRIMÁRIA:
remove causas e fatores de risco antes do desenvolvimento de uma condição clínica (Brasil, 2010).
Destacam-se a fluoretação das águas de abastecimento público, a educação em Saúde Bucal, a orientação quanto à higiene oral, a escovação dental supervisionada, a aplicação tópica de flúor e o incentivo à alimentação saudável, especialmente com a redução do consumo de açúcares.
PREVENÇÃO SECUNDÁRIA:
busca identificar precocemente os problemas, ainda em estágio subclínico (Brasil, 2010).
Incluem-se os exames odontológicos periódicos, o diagnóstico precoce da cárie dentária e da doença periodontal, o rastreamento de lesões bucais potencialmente malignas e a aplicação de selantes de fóssulas e fissuras (Brasil, 2012a).
PREVENÇÃO TERCIÁRIA:
reduz prejuízos funcionais em problemas agudos ou crônicos, como a reabilitação (Brasil, 2010).
Exemplificam-se como ações desse nível os procedimentos restauradores, o tratamento de doenças periodontais avançadas, as cirurgias odontológicas indicadas e a reabilitação oral com próteses dentárias (Brasil, 2012a).
PREVENÇÃO QUATERNÁRIA:
visa evitar as consequências do intervencionismo excessivo em indivíduos em risco de intervenções inadequadas (Brasil, 2010).
Incluem-se evitar procedimentos invasivos sem indicação clínica e adotar condutas fundamentadas na avaliação de risco e na real necessidade de tratamento (Brasil, 2012a).
É fundamental para a APS encontrar um equilíbrio entre as ações de prevenção e a atenção à demanda espontânea originada do sofrimento das pessoas, para que a legitimidade da equipe se consolide e a redução das iniquidades em saúde seja priorizada (Brasil, 2010).
As ações de promoção e prevenção em Saúde Bucal são fundamentais para qualificar o cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS).
No SUS, essas ações estão organizadas e registradas no SIGTAP, o Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM (órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção). Para acessar o sistema, clique aqui.
É importante compreender que o SIGTAP funciona como um instrumento de registro e de financiamento, e não como um limitador das práticas de cuidado. Cada procedimento possui um código específico, utilizado pelos profissionais para registrar as ações realizadas e permitir que o Ministério da Saúde contabilize essas informações.
No campo da Saúde Bucal, o SIGTAP contempla tanto ações individuais (como aplicação de flúor, selantes e orientações de higiene) quanto ações coletivas (como escovação supervisionada, bochechos fluorados e exames epidemiológicos), que compõem os indicadores oficiais de promoção e de prevenção.
Para saber mais sobre essas ações e sobre o acesso à água fluoretada como estratégia de promoção, proteção e prevenção, clique aqui e acesse o e-book da disciplina.
Agora vamos abordar sobre o manejo das principais condições de Saúde Bucal.
Para realizar o manejo adequado dessas condições, é essencial conhecer a realidade epidemiológica da nossa região e, sempre que possível, do nosso próprio município.
Entre as condições mais prevalentes em Saúde Bucal destacam-se a cárie dentária, a doença periodontal, os traumatismos dentários, a dor de origem odontogênica, as lesões na mucosa oral e as alterações funcionais do sistema estomatognático. O cuidado dessas condições deve seguir uma abordagem baseada em evidências científicas e alinhada às diretrizes nacionais de saúde vigentes.
Vamos entender melhor cada uma delas. Para isso, clique nas abas abaixo:
A CÁRIE DENTÁRIA é uma doença crônica e influenciada por vários fatores, especialmente pela ação do biofilme em contato com o açúcar, o que provoca alternância entre perda e recuperação de minerais dos dentes.
Na APS, a prioridade é o diagnóstico precoce. O manejo de lesões iniciais, como as manchas brancas, deve ser realizado com fluorterapia, incentivo à higiene bucal adequada e orientações alimentares.
As DOENÇAS GENGIVAIS E PERIODONTAIS são frequentes e têm importante impacto na saúde bucal. A gengivite é causada pelo acúmulo de biofilme e pode ser revertida com higiene bucal adequada, controle da placa bacteriana e profilaxia clínica. Já a periodontite caracteriza-se pela perda de inserção periodontal e requer raspagem e alisamento radicular, seguidos de reavaliação clínica e manutenção periódica.
Na APS, a conduta inclui o controle de fatores de risco modificáveis, como tabagismo e diabetes mellitus, que influenciam diretamente a progressão da doença periodontal. Os casos mais graves devem ser encaminhados para a Atenção Especializada.
Os TRAUMATISMOS DENTÁRIOS são comuns, principalmente em crianças e adolescentes. A perda completa de um dente permanente (avulsão) é uma urgência odontológica e exige reimplante imediato ou conservação adequada do dente até o atendimento especializado. Já os dentes fraturados (fraturas coronárias) devem ser avaliados para definir o tratamento mais indicado.
A conduta inicial na Atenção Primária à Saúde inclui avaliar a gravidade da lesão, controlar a dor e encaminhar o paciente para atendimento especializado quando necessário.
A DOR ODONTOGÊNICA é uma das principais causas de procura por atendimento odontológico na APS. O primeiro passo é identificar sua causa, que pode incluir pulpite reversível, pulpite irreversível, necrose pulpar ou abscesso dentário.
Nos casos reversíveis, a remoção da causa e a restauração do dente costumam aliviar os sintomas. Nas condições irreversíveis, a APS deve controlar a dor e, quando possível, realizar procedimentos de urgência, como a abertura coronária, além de realizar ou encaminhar o paciente para tratamento endodôntico. O uso de antibióticos deve ser criterioso e restrito aos casos com sinais de infecção disseminada ou comprometimento do estado geral.
As LESÕES DA MUCOSA ORAL têm diferentes causas e exigem avaliação clínica criteriosa. Embora a maioria seja benigna, a identificação precoce das lesões malignas é fundamental, especialmente diante da alta incidência de câncer da cavidade oral no Brasil.
Na APS, o foco é a prevenção e o diagnóstico precoce. As ações incluem orientação sobre fatores de risco evitáveis, como tabagismo, consumo de álcool e exposição solar sem proteção, além da atenção à infecção pelo HPV16, associada ao câncer de orofaringe em jovens. Também é importante verificar o calendário vacinal e orientar sobre a disponibilidade da vacina quadrivalente contra o HPV no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
O EDENTULISMO pode comprometer a mastigação, a fala e a função da articulação temporomandibular (ATM). Na APS, o cuidado inclui o acompanhamento de próteses, orientações de higiene bucal e o tratamento de estomatites. Além disso, cabe à equipe identificar a necessidade de reabilitação e encaminhar o paciente para serviços especializados quando necessário.
No vídeo a seguir, acompanhe uma situação fictícia que demonstra como o cuidado precoce, humanizado e contínuo na APS pode transformar a trajetória do paciente e contribuir para melhores desfechos.
Clique no play.
Chegou o momento de entender, de forma simples, a estratificação de risco em Saúde Bucal.
Os Determinantes Sociais da Saúde (DSS), como as condições em que nascemos, crescemos, trabalhamos e envelhecemos, influenciam diretamente nossa saúde, inclusive a bucal. Isso porque refletem as condições de vida e a posição social das pessoas. Por isso, fortalecer o SUS é essencial para reduzir desigualdades e garantir equidade.
Como você classificaria as condições a seguir? Arraste as frases para o quadro correspondente:
Os Determinantes Sociais da Saúde (DSS), como as condições em que nascemos, crescemos, trabalhamos e envelhecemos, influenciam diretamente nossa saúde, inclusive a bucal. Isso porque refletem as condições de vida e a posição social das pessoas. Por isso, fortalecer o SUS é essencial para reduzir desigualdades e garantir equidade.
Como você classificaria as condições a seguir? Clique em cada frase e, em seguida, em seu quadro correspondente:
Organização do cuidado em Saúde Bucal: estratificação de risco
Diferente da classificação de urgência, como o Protocolo de Manchester, a estratificação de risco é uma ferramenta estratégica de gestão do cuidado. Seu foco é o acompanhamento longitudinal, permitindo priorizar quem mais precisa e colocar em prática o princípio da equidade. Na Saúde Bucal, essa lógica substitui a ordem de chegada pela priorização baseada na vulnerabilidade social e no grau de sofrimento. Para isso, consideram-se três dimensões:
RISCO COLETIVO: avalia o contexto do território, como acesso à água fluoretada e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM.
RISCO FAMILIAR: identifica vulnerabilidades do núcleo familiar por meio de indicadores socioeconômicos (como o Bolsa Família) e escalas específicas, como Coelho‑Savassi e EVFAM‑BR.
RISCO INDIVIDUAL: observa o quadro clínico, incluindo experiência de cárie, dor e doenças periodontais.
E lembre-se:
Ignorar os determinantes sociais na avaliação do risco em Saúde Bucal pode gerar iniquidades, ao tratar como iguais indivíduos em condições de vida distintas.
Pessoas em situação de vulnerabilidade, como beneficiárias do Programa Bolsa Família (PBF), apresentam maior risco de agravamento dos problemas de saúde, devido à menor proteção social e maior exposição a riscos.
Nesse contexto, o PBF atua como sentinela de risco familiar, sendo um critério relevante para a estratificação. Na prática, essas informações orientam as equipes na identificação de grupos que demandam maior vigilância, considerando que a vulnerabilidade social potencializa riscos biológicos e dificulta a adesão ao cuidado.
Além disso, o descumprimento das condicionalidades do programa funciona como sinal de alerta para possíveis fragilidades, como barreiras de acesso ou desestruturação familiar.
Assim, a integração entre saúde e assistência social permite priorizar famílias mais vulneráveis, direcionando ações, como visitas domiciliares e busca ativa, e fortalecendo o cuidado integral e equitativo na APS.
Mas o cuidado não termina na APS!
Você sabe como a Rede de Atenção organiza-se para garantir a integralidade do cuidado em Saúde Bucal?
É o que veremos a seguir!
Iniciamos a segunda temática abordando a organização sistêmica e o impacto do trabalho colaborativo na qualificação da assistência. Exploraremos as Linhas de Cuidado, a integração profissional e a coordenação das ações, reiterando o papel da APS como o nó central de comunicação na Rede de Atenção à Saúde Bucal (RASB).
Um marco importante ocorreu em maio de 2023 com a sanção da Lei n.º 14.572. Ela instituiu a Política Nacional de Saúde Bucal no âmbito do SUS e alterou a Lei n.º 8.080, oficializando a Saúde Bucal como uma área estratégica de atuação do sistema.
A partir dessa legislação, o Brasil Sorridente evoluiu de programa para Política de Estado. Isso significa que o acesso à Saúde Bucal passou a ser um direito assegurado por lei federal, garantindo sua continuidade independentemente de transições governamentais.
A Rede de Atenção à Saúde Bucal (RASB)
A Rede de Atenção à Saúde Bucal (RASB) é o conjunto articulado de ações e serviços de Saúde Bucal no SUS, organizados em diferentes níveis de atenção, com o objetivo de garantir cuidado integral, acessível, equitativo e resolutivo à população. Essa organização em rede permite atender às necessidades dos usuários com qualidade e continuidade do cuidado.
Os diferentes pontos de atenção que compõem a RASB são:
Acompanhe um exemplo de ciclo de cuidado na Rede de Atenção à Saúde Bucal.
Clique em cada um dos box abaixo:
Saúde Bucal nos ciclos de vida
Na Atenção Primária à Saúde, o cuidado com a Saúde Bucal é contínuo e adaptado para cada fase da vida.
Clique nas imagens abaixo e entenda como o processo ocorre em cada etapa.
✨ O cuidado em saúde bucal acompanha todas as fases da vida — e a APS coordena esse percurso.
Como a integração da Saúde Bucal na APS transforma o cuidado de procedimentos isolados para uma abordagem integral e centrada no usuário?
A integração da Saúde Bucal na Atenção Primária à Saúde representa a superação de um modelo tradicional, centrado em procedimentos, para um cuidado mais amplo, resolutivo e inclusivo. Nesse contexto, a saúde bucal coletiva fortalece ações de Promoção da Saúde, de integralidade do cuidado e de trabalho interprofissional.
O conceito de bucalidade sustenta essa mudança, ao deslocar o foco do dente para o sujeito, compreendendo a boca como parte das relações sociais, da comunicação e da qualidade de vida. Essa perspectiva fundamenta a clínica ampliada, que reconhece o usuário em sua integralidade e orienta a construção de projetos terapêuticos que considerem sua singularidade, autonomia e contexto de vida.
Assim, o cuidado em Saúde Bucal deixa de ser isolado e passa a ser compartilhado entre profissionais, baseado na escuta qualificada, na corresponsabilização e na atenção às múltiplas dimensões do sujeito.
Organização do cuidado
Na Atenção Primária à Saúde (APS), a organização do cuidado parte do reconhecimento das necessidades da população, permitindo ordenar a rede e garantir acesso de forma equitativa e resolutiva. Nesse processo, o cuidado em saúde – incluindo a Saúde Bucal – deve priorizar o uso de tecnologias leves, como escuta qualificada, vínculo e diálogo, favorecendo a autonomia do usuário e a construção de relações de corresponsabilização.
A clínica ampliada orienta essa prática, ao integrar o cuidado biológico às dimensões sociais e subjetivas, superando intervenções isoladas. Essa integração concretiza-se, principalmente, por meio do Projeto Terapêutico Singular (PTS), que organiza o cuidado de forma compartilhada entre profissionais a partir das necessidades do usuário e do apoio matricial, que promove a troca de saberes entre equipes, ampliando a resolutividade da APS e evitando encaminhamentos desnecessários.
Outros dispositivos fortalecem esse trabalho interprofissional, como interconsultas e atendimentos conjuntos, reuniões de equipe, visitas domiciliares e ações de Educação Permanente em Saúde, que qualificam as práticas e sustentam a integração da Saúde Bucal na Rede de Atenção.
Como se concretiza a clínica ampliada na rede?
Para compreender essa abordagem, vamos acompanhar o exemplo do câncer de boca, um agravo que exige olhar atento, atuação interprofissional e detecção precoce.
Clique em cada um dos títulos abaixo:
O câncer de boca representa um importante problema de saúde pública no Brasil, com alta incidência e maior acometimento em homens.
Diante desse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) assume papel central na coordenação do cuidado e, principalmente, na detecção precoce, fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade.
A atuação da APS inicia-se na prevenção, com foco na identificação e no controle dos principais fatores de risco, muitos deles evitáveis. Destacam-se o tabagismo e o consumo de álcool, que, quando associados, aumentam em até 30 vezes o risco de desenvolvimento da doença. Além disso, mesmo pequenas quantidades de álcool já representam risco, não havendo nível seguro de consumo.
Outros fatores importantes incluem a infecção pelo HPV16, especialmente em casos de câncer de orofaringe em jovens, e a exposição solar sem proteção, principal fator relacionado ao câncer de lábio.
Nesse contexto, cabe à APS desenvolver ações educativas, orientar a população e realizar o exame clínico sistemático, favorecendo a identificação precoce de lesões suspeitas e o encaminhamento oportuno na Rede de Atenção.
Essa atuação é decisiva para o diagnóstico em estágios iniciais e para a efetividade do cuidado.
O câncer de boca representa um importante problema de saúde pública no Brasil, com alta incidência e maior acometimento em homens.
Diante desse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) assume papel central na coordenação do cuidado e, principalmente, na detecção precoce, fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade.
A atuação da APS inicia-se na prevenção, com foco na identificação e no controle dos principais fatores de risco, muitos deles evitáveis. Destacam-se o tabagismo e o consumo de álcool, que, quando associados, aumentam em até 30 vezes o risco de desenvolvimento da doença. Além disso, mesmo pequenas quantidades de álcool já representam risco, não havendo nível seguro de consumo.
Outros fatores importantes incluem a infecção pelo HPV16, especialmente em casos de câncer de orofaringe em jovens, e a exposição solar sem proteção, principal fator relacionado ao câncer de lábio.
Nesse contexto, cabe à APS desenvolver ações educativas, orientar a população e realizar o exame clínico sistemático, favorecendo a identificação precoce de lesões suspeitas e o encaminhamento oportuno na Rede de Atenção.
Essa atuação é decisiva para o diagnóstico em estágios iniciais e para a efetividade do cuidado.
A atuação da Saúde Bucal na APS vai muito além das paredes do consultório
Ela se integra ao território e a outros campos do cuidado por meio de ações voltadas a populações vulneráveis (como comunidades tradicionais, pessoas em situação de rua, PcD e idosos), ao acompanhamento de ciclos de vida e condições crônicas (pré-natal, diabetes, hipertensão, câncer) e à promoção de hábitos saudáveis, como o combate ao tabagismo.
Essa atuação amplia-se em programas estratégicos, como o Saúde na Escola (PSE) e o atendimento domiciliar (Melhor em Casa), além de incluir a educação permanente, com a equipe de Saúde Bucal apoiando e qualificando outros profissionais.
O trabalho interprofissional fortalece a integralidade, aumenta a segurança do paciente, melhora a adesão ao cuidado e permite respostas mais efetivas às necessidades de saúde, ao mesmo tempo em que exige a ampliação do escopo das práticas profissionais, acompanhando as mudanças no perfil da população e na organização do SUS.
Para compreender melhor como a Saúde Bucal atua de forma integrada na APS, clique aqui para acessar o e-book e explore as principais estratégias, programas e práticas interprofissionais.
Avançamos agora para o debate sobre a resolutividade clínica e o acompanhamento de indicadores, amparados pela estabilidade jurídica da nova legislação. Essa etapa é fundamental para compreender a organização da Atenção Primária à Saúde (APS) e a repercussão direta das atividades cotidianas no bem-estar da população.
No âmbito da APS, o escopo da Saúde Bucal abrange desde o diagnóstico e tratamento até a reabilitação, prevenção e promoção da saúde, focando na gestão integral do cuidado familiar. Com ênfase na Estratégia Saúde da Família, o objetivo é solucionar a maioria das demandas locais, assegurando efetividade clínica e otimização dos investimentos públicos.
A Carteira de Serviços da APS (CaSAPS) consolida-se como o pilar para estruturar essa assistência, padronizando rotinas e fluxos operacionais. A integração da saúde bucal a este documento ratifica sua importância na rede, potencializa o acesso universal, promove a justiça social e viabiliza uma assistência terapêutica ininterrupta e qualificada.
Nesse contexto, conheça as principais intervenções clínicas em Saúde Bucal na APS.
As intervenções clínicas na APS englobam diagnóstico, prevenção, urgências, reabilitação e cuidado compartilhado, sempre pautadas em evidências científicas para a decisão clínica.
Clique nas setas para navegar.
Dentística (restaurações)
É o procedimento mais realizado no SUS. Prioriza-se a preservação da vitalidade pulpar, a máxima conservação da estrutura dentária, o uso de materiais, como resina, Cimento de Ionômero de Vidro (CIV) e redução gradativa do uso de amálgama contendo mercúrio.
O Tratamento Restaurador Atraumático (ART) é essencial para a saúde coletiva por sua alta resolutividade, baixo custo e uso de instrumentos manuais com CIV de alta densidade.
Tratamentos Conservadores da Polpa em Dentes Decíduos
A abordagem atual prioriza remoção seletiva da dentina cariada, por reduzir em 88% o risco de exposição pulpar e a necessidade de endodontia, sendo um processo mais rápido e confortável.
O capeamento pulpar direto só é indicado em exposições mecânicas acidentais sem contaminação. Caso ocorra exposição acidental sem viabilidade de pulpectomia, o MTA é o material de escolha para pulpotomia sob isolamento absoluto.
Manejo de Lesões Profundas de Cárie
Os cuidados na APS incluem a remoção seletiva em sessão única. A técnica é guiada pela dureza da dentina remanescente, dentina dura nas paredes laterais e amolecida ou coriácea na parede pulpar para prevenir exposição. Agentes antimicrobianos após a remoção são dispensáveis, pois não aumentam a eficácia.
Tratamento da Gengivite
No tratamento da gengivite, recomenda-se a remoção mecânica do biofilme supragengival associada à instrução de higiene bucal. Pelo menos uma sessão deve ser realizada, e sessões adicionais dependem da resposta clínica.
Tratamento da Periodontite (Estágios I–III)
O tratamento padrão ouro é o controle do biofilme subgengival por raspagem e alisamento radicular. Medidas complementares como o controle do diabetes, a cessação do tabagismo e reforço contínuo da higiene bucal são essenciais para o sucesso terapêutico. Casos complexos devem ser encaminhados aos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) ou aos Serviços de Especialidades em Saúde Bucal (Sesb).
Exodontias na APS
Na APS, são atribuições do cirurgião-dentista e indicadas, após avaliação individual e decisão compartilhada, em casos de destruição coronária, periodontite severa, restos radiculares ou dentes decíduos, considerando estratégias de manejo comportamental. Em urgências como dor intensa, infecções resistentes, traumas ou hemorragias leves, as eSB devem agir de forma resolutiva. Condutas radicais são adotadas no preparo pré-radioterapia de cabeça e pescoço para evitar osteorradionecrose. Pacientes com diabetes ou hipertensão controlados, além de anticoagulados com INR ≤ 2,5, podem realizar exodontias simples na Unidade Básica de Saúde – UBS.
Urgências em Saúde Bucal
A resolutividade é o pilar fundamental do atendimento de urgência na Atenção Primária à Saúde (APS), visando minimizar encaminhamentos desnecessários para outros níveis de complexidade, uma vez que procedimentos, como controle da dor, curativos, drenagens, exodontias imediatas e contenções pós-traumáticas, dependem essencialmente de anamnese e exame clínico.
A CaSAPS inclui o tratamento endodôntico de dentes unirradiculares na APS como estratégia para reduzir filas nos CEOs. Mesmo quando o tratamento completo não é possível, o preparo adequado do dente já melhora o fluxo da rede. A efetividade depende de educação permanente das equipes, infraestrutura adequada e integração entre APS e Atenção Especializada.
A educação em higiene bucal deve ser reforçada em todas as etapas, incluindo a manutenção periódica, podendo-se associar, em casos específicos, agentes químicos como dentifrícios e colutórios. O uso de antibióticos sistêmicos é restrito a situações mais graves e selecionadas. Casos complexos devem ser encaminhados para a Atenção Especializada, destacando a importância da articulação entre APS e serviços, como o CEO e o Sesb.
Das intervenções invasivas para abordagens conservadoras.
Dando continuidade aos nossos estudos, abordaremos dois temas fundamentais para a prática clínica na Atenção Primária: a Odontologia de Mínima Intervenção (OMI) e o Tratamento Restaurador Atraumático (ART), pilares que fundamentam uma mudança de paradigma no manejo terapêutico da cárie.
Odontologia de Mínima Intervenção (OMI)
A Odontologia de Mínima Intervenção (OMI) entende a cárie como uma doença crônica, dependente do açúcar e mediada pelo biofilme. Por isso, o tratamento não se concentra apenas na cavidade, mas no controle dos fatores que causam o desequilíbrio entre desmineralização e remineralização.
Seus principais objetivos são:
Dentro dessa abordagem, as intervenções podem ser não invasivas, micro-invasivas ou invasivas com remoção seletiva do tecido cariado.
Tratamento Restaurador Atraumático (ART)
O ART é um dos principais pilares da Odontologia de Mínima Intervenção, indo além da restauração ao incorporar diagnóstico precoce, educação em saúde, controle da dieta e vedamento biológico, com foco no tratamento da doença cárie, e não apenas da cavidade.
Baseia-se na remoção seletiva do tecido cariado com instrumentos manuais e no selamento com CIV, interrompendo o suprimento às bactérias, paralisando a lesão e preservando a estrutura dentária e a vitalidade pulpar.
Seus principais benefícios são:
No SUS, destaca-se como estratégia custo-efetiva e promotora de equidade, ampliando o acesso e a resolutividade da atenção em Saúde Bucal.
Sobre o Tratamento Restaurador Atraumático (ART), é importante esclarecer dúvidas comuns entre profissionais, inclusive da Saúde Bucal.
Confira alguns mitos sobre o tema clicando nos quadros:
O ART é apenas uma técnica provisória?
O ART só serve para locais sem infraestrutura?
É preciso remover todo o tecido cariado antes de restaurar?
O ART impacta positivamente indicadores do Ministério da Saúde, reduzindo exodontias e ampliando tratamentos concluídos. Mais que uma técnica restauradora, é uma estratégia de saúde coletiva que amplia o acesso, reduz desigualdades, melhora indicadores e fortalece a resolutividade da APS.
Para conhecer outros tratamentos que englobam a Odontologia de Mínima Intervenção (OMI), clique aqui e acesse o e-book da disciplina.
Protocolos dinâmicos + indicadores bem monitorados = maior qualidade, equidade e efetividade da Saúde Bucal na APS
Os protocolos em saúde só são efetivos quando funcionam como “trabalho vivo”, sendo continuamente recriados pelas equipes a partir da interação com os usuários e das necessidades reais do território. Mais do que documentos, eles exigem análise crítica, participação dos profissionais e adaptação ao contexto local. A Educação Permanente e o matriciamento fortalecem essa prática ao garantir atualização contínua e suporte técnico, enquanto a comunicação integrada entre os serviços e o diálogo com os usuários asseguram alinhamento, autonomia e compreensão dos fluxos assistenciais.
No campo da Saúde Bucal, os indicadores são ferramentas centrais para monitorar o modelo de atenção, avaliar resultados e orientar decisões baseadas em evidências. No novo financiamento da APS, seis indicadores específicos da equipe de Saúde Bucal permitem acompanhar o acesso inicial (B1), a conclusão dos tratamentos (B2), a redução de procedimentos mutiladores por meio da prevenção (B3, B5 e B6) e a escovação supervisionada de crianças (B4).
Esses dados revelam desigualdades socioeconômicas e territoriais, orientando intervenções mais precisas e garantindo que recursos e esforços assistenciais sejam aplicados com justiça social. Assim, o uso articulado de protocolos dinâmicos e indicadores bem monitorados fortalece a qualidade, a equidade e a efetividade da rede de Saúde Bucal no SUS, priorizando quem mais necessita de cuidado.
Chegamos ao final dos estudos sobre Saúde Bucal na APS. Ao longo desta aula, foi possível retomar conceitos fundamentais, como clínica ampliada, bucalidade, saúde bucal coletiva e Determinantes Sociais da Saúde, compreendendo seus impactos no processo saúde-doença.
Também se destacou a organização da Rede de Atenção à Saúde Bucal (RASB) e os diferentes pontos de atenção, com ênfase no papel da APS na coordenação do cuidado e no diagnóstico precoce do câncer de boca.
No campo da prática, reforçou-se a importância da atuação baseada em evidências, com a incorporação de abordagens, como a Odontologia de Mínima Intervenção (OMI), o Tratamento Restaurador Atraumático (ART) e a remoção seletiva do tecido cariado, além do manejo dos principais agravos na APS.
Por fim, evidenciou-se o papel dos indicadores e dos inquéritos populacionais, como o SB Brasil 2023, na identificação de vulnerabilidades e no planejamento de ações no território.
Dessa forma, espera-se que os conhecimentos abordados contribuam para uma prática mais resolutiva, equitativa e centrada nas necessidades da população.
Continue sua trajetória formativa!
Para alcançar um bom desempenho nos estudos, é fundamental acessar e utilizar todos os recursos didáticos disponibilizados na disciplina. Nesse sentido, recomendamos que você:
Até o próximo módulo!
FICHA TÉCNICA
Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves-SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – SAPS/MS
Ana Paula Neves Marques de Pinho – A.C. Camargo
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Mauro Junqueira – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS
Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Danylo Santos Silva Vilaça – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata – CONASEMS
Marta de Sousa Lima – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – CONASEMS
Thais Coutinho de Oliveira – SAPS/MS
Elaboração de conteúdo:
Moacir Paludetto Junior
Designer educacional:
Lidiane Cristina Porfirio – CONASEMS
Coordenação de desenvolvimento gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS
Desenvolvimento Web:
Aidan Bruno – CONASEMS
Alexandre Itabayana – CONASEMS
Caroline Boaventura – CONASEMS
Projeto Gráfico e Design de Experiência:
Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS
Ilustração:
Lucas Corrêa Mendonça – CONASEMS
Revisão Linguística:
Aline Ferreira de Almeida – CONASEMS
Fotografias e ilustrações:
Biblioteca do Banco de Imagens do Conasems
Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Flickr Ministério da Saúde
Flickr CONASEMS
Flickr Secretaria de Saúde do Distrito Federal
Envato Elements
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Freepik
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Pexels
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MITO!
A evidência moderna condena a remoção total como sobretratamento; deve-se manter a dentina firme para proteger a polpa (Fousp EvipOralHealth, 2024k).
MITO!
É uma filosofia de mínima intervenção baseada em evidências que deve ser aplicada em qualquer ambiente, inclusive no consultório privado.
MITO!
O ART é um tratamento definitivo. Em superfícies únicas, sua longevidade é comparável às restaurações de resina composta.
ADULTO e IDOSO
O cuidado em Saúde Bucal na vida adulta e na velhice deve ser contínuo e integrado às condições gerais de saúde. Nos adultos, destaca-se a articulação com o manejo de doenças crônicas, como o diabetes, além do controle de fatores de risco, como tabagismo, etilismo e dieta cariogênica. Incentiva-se também a realização do autoexame da boca e o acompanhamento regular na Atenção Primária à Saúde.
Nos idosos, é fundamental a avaliação e a higienização de próteses dentárias, a atenção à xerostomia – frequentemente associada ao uso de medicamentos – e a vigilância para o câncer de boca, com foco na detecção precoce. Quando necessário, o atendimento domiciliar deve ser considerado, especialmente em casos de limitação de locomoção.
CRIANÇA (até 12 anos) e ADOLESCENTE
O cuidado em Saúde Bucal na infância e na adolescência envolve orientação, prevenção e atenção às especificidades de cada fase. Na infância, recomenda-se o uso de creme dental fluoretado em quantidade adequada à idade (grão de arroz até 3 anos e 11 meses; grão de ervilha a partir dos 4 anos), além do uso diário do fio dental quando houver contato entre os dentes. A escovação deve ser incentivada com autonomia progressiva, sob supervisão até cerca de 8 a 10 anos. É fundamental limitar o consumo de açúcares e priorizar abordagens conservadoras e indolores, com atenção especial à dentição mista e aos primeiros molares permanentes, mais suscetíveis à cárie.
Na adolescência, deve-se reforçar a higiene bucal, especialmente a escovação noturna e o uso do fio dental, considerando o maior risco de negligência e gengivite. O cuidado deve contemplar fatores sociais e comportamentais, como hábitos de risco (tabaco, álcool e drogas), transtornos alimentares e uso de piercings orais, além do monitoramento dos terceiros molares. É essencial garantir acesso ao serviço, respeitar a autonomia, privacidade e sigilo, bem como fortalecer o vínculo e o protagonismo no cuidado. Ações coletivas, como as desenvolvidas no Programa Saúde na Escola, e o uso de dados para planejamento, também são estratégicos nesse contexto.
GESTANTE E BEBÊ (0–2 anos)
O cuidado em Saúde Bucal inicia-se ainda na gestação e estende-se à primeira infância, exigindo atenção a aspectos clínicos e preventivos. Durante a gestação, o atendimento odontológico pode ser realizado em qualquer trimestre, sendo o segundo geralmente mais confortável. Recomenda-se evitar o decúbito dorsal total, especialmente no terceiro trimestre, priorizando a inclinação para a esquerda. A lidocaína com adrenalina é a anestesia de escolha, e o paracetamol é o analgésico seguro. Deve-se evitar o uso de AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroides) após a 20ª semana e a tetraciclina, devido aos riscos ao feto.
Na primeira infância, destaca-se o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, a escovação a partir da erupção do primeiro dente com creme dental fluoretado (1000–1100 ppm) e a recomendação de evitar a oferta de açúcar até os 2 anos. Para o alívio da erupção dentária, recomenda-se o uso de mordedores, evitando géis anestésicos. Além disso, é importante o uso racional de chupetas e mamadeiras, com retirada até os 2 anos.
Contrarreferência: retorno à “Casa”
Após terminar o “tratamento de canal” no CEO e o diagnóstico da lesão na língua, Maria Eduarda não fica “solta” na rede. O CEO realiza um retorno (contrarreferência) para a UBS, informando que o tratamento foi concluído.
1º: Manutenção: para concluir o ciclo de cuidado, Maria Eduarda retorna à UBS para manutenção (limpezas e restaurações) e seguimento do pré-natal. A equipe reforça o suporte à cessação do tabagismo e a promoção de hábitos alimentares saudáveis.
2º: Os atendimentos que competem à APS também podem ser realizados na UBS durante o período que a usuária estiver em tratamento no CEO ou Sesb.
3º: Espaços como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), Bancos de Leite Humano e rodas de conversa em centros comunitários são opções em que a Saúde Bucal da gestante e do bebê também pode ser abordada.
Atenção Secundária: Centro de Especialidades Odontológicas (CEO)
O CEO é o ponto da rede que oferece serviços que a UBS não consegue cobrir.
1º: Tratamento Especializado: Maria Eduarda é atendida pelo dentista do CEO que realiza o tratamento de canal (tratamento endodôntico) para salvar seu dente.
2º: Diagnóstico Especializado: ainda no CEO, ela também passa pelo dentista responsável pela área de estomatologia (lesões de boca) para avaliar a lesão na língua e, se necessário, realizar uma biópsia.
3º: Articulação: caso a lesão seja apenas um ferimento simples, provocada por algum trauma ao mastigar, por exemplo, a eSB fará o acompanhamento. Se a lesão exigir investigação mais aprofundada, o dentista do CEO realiza a biópsia e, após análise em laboratório especializado, encaminha o paciente a um hospital específico, quando necessário.
Os Serviços de Especialidades Odontológicas (Sesb)
É importante destacar que, em algumas regiões, existem os Sesb. Eles funcionam de forma semelhante ao CEO, mas em número menor de especialidades ofertadas, mas que também compõem a RASB.
Fluxo de referência: sistema de regulação
O profissional dentista da UBS insere Maria Eduarda no sistema de regulação municipal. Ela sai da consulta com uma guia para o CEO (Centro de Especialidades Odontológicas).
Ponto de entrada: Atenção Primária à Saúde (APS)
Maria Eduarda, 27 anos, gestante, fumante, chega à sua Unidade Básica de Saúde (UBS) com uma queixa de gengiva sangrando, uma ferida na língua que está demorando a curar e dor em um “dente de trás” (molar).
1º: Acolhimento: a equipe de Saúde da Família a recebe. Como gestante, ela tem prioridade, conforme as diretrizes do pré-natal odontológico.
2º: Atendimento pela eSB (equipe de Saúde Bucal): o profissional dentista realiza o atendimento imediato.
3º: Diagnóstico: gengivite gravídica (resolvida ali mesmo na UBS, com limpeza e orientação de higiene), necessidade de tratamento de canal (endodontia) em um molar e avaliação de uma lesão suspeita na língua.
4º: O Papel da APS: ela é a “ordenadora” do cuidado. O profissional dentista resolve o que é da Atenção Primária e referencia (encaminha) o que é da Atenção Especializada.
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