Selecione uma posição no ranking
Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde – APS
Módulo VII – Oncologia na APS
Disciplina 15
Cuidado do Paciente Oncológico
Estamos iniciando os estudos sobre o Cuidado do Paciente Oncológico.
A APS não trata o câncer sozinha, mas pode mudar o percurso do usuário ao reconhecer sinais de alta suspeição, encaminhar oportunamente, monitorar itinerário terapêutico, buscar ativamente quem se perde na rede e coordenar o cuidado.
Nesta disciplina, veremos como a posição estratégica da APS no sistema de saúde pode melhorar o percurso do usuário que se depara com essa doença.
Trataremos sobre prevenção e rastreio dos 4 principais tipos de câncer, sinais e condutas diante de alta suspeição da doença, coordenação e navegação do paciente.
Antes de começar, saiba quais são os seus objetivos de aprendizagem.
Dica!
Fique atento ao caso clínico da D. Joana, apresentado ao longo da aula. Ele servirá como um modelo para a Atividade Simulada/Plano de Cuidado que você realizará ainda nesta disciplina.
Foque nas atuações dos profissionais e demais atores da linha de cuidado de paciente oncológico..
Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de:
Clique nas setas para navegar.
Descrever o cenário epidemiológico do câncer no Brasil e nas regiões.
Identificar os impactos econômicos, psicossociais e emocionais do câncer, bem como os riscos, vulnerabilidades e barreiras que influenciam o percurso de usuários com suspeita da doença.
Integrar ações de promoção da saúde, prevenção e educação em saúde ao cotidiano da APS, incorporando orientações sobre estilos de vida protetores, prevenção e detecção precoce em diferentes programas e atendimentos.
Planejar estratégias de educação em saúde que fortaleçam a conscientização da população, ampliem a adesão à vacinação contra o HPV e favoreçam a participação nas ações de prevenção e rastreamento.
Analisar barreiras de acesso e adesão às ações de rastreamento e detecção precoce, propondo estratégias para ampliar a equidade.
Aplicar os princípios da coordenação do cuidado na APS articulando APS, Ofertas de Cuidados Integrados (OCI) e Redes de Atenção à Saúde (RAS) para reconhecer sinais e sintomas de suspeição de câncer
Identificar protocolos e fluxos regulatórios.
Elaborar planos de cuidado integrados, acompanhar o percurso do usuário e propor melhorias baseadas em indicadores de qualidade do diagnóstico e do tratamento.
Sabemos que o câncer é um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI, devido à elevada incidência, mortalidade e aos impactos econômicos, sociais e psicossociais que produz sobre indivíduos, famílias e sistemas de saúde.
Além do adoecimento físico, o câncer pode gerar outros problemas e sofrimentos, como:
Neste cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) ocupa posição estratégica ao atuar nestas frentes:
Promoção da saúde
Prevenção dos fatores de risco
Vacinação
Rastreamento
Reconhecimento precoce
A atuação oportuna das equipes contribui para reduzir atrasos diagnósticos, ampliar o acesso aos serviços especializados e coordenar o cuidado ao longo da Rede de Atenção à Saúde (RAS), considerando as especificidades dos territórios e as necessidades de populações vulnerabilizadas, incluindo a população negra e LGBTQIA+.
Nesta disciplina, estudaremos evidências científicas e diretrizes nacionais que qualificam a atuação da APS frente aos cânceres mais prevalentes.
Clique nos cards para visualizar quais são.
Mama
Colo do útero
Próstata
Colorretal
Vamos enfatizar a prevenção, a detecção precoce e o conceito de alta suspeição – que é o reconhecimento de sinais e sintomas que demandam investigação rápida e encaminhamento oportuno.
Também abordaremos a Oferta de Cuidados Integrados (OCI) como estratégia de organização do acesso à atenção especializada e a Navegação da pessoa com diagnóstico de câncer como dispositivo para reduzir barreiras assistenciais e fortalecer a continuidade do cuidado, e os mecanismos de coordenação entre os diferentes pontos da RAS, articulando protocolos, fluxos regulatórios e práticas colaborativas.
Esses conteúdos serão trabalhados de forma integrada, por meio de um caso clínico, indicadores, protocolos, fluxogramas e outras ferramentas aplicáveis ao cotidiano da APS.
O objetivo é preparar equipes multiprofissionais para reconhecer situações prioritárias, qualificar o encaminhamento e assegurar um cuidado oportuno, integrado e centrado nas necessidades das pessoas.
A seguir, vejamos o caso clínico da D. Joana.
Joana tem 53 anos, é residente de uma comunidade quilombola isolada no Vale do Jequitinhonha (MG).
Há alguns anos, recebeu a solicitação para realizar mamografia, mas não conseguiu fazer o exame, devido às dificuldades de acesso aos serviços especializados. Como não apresentava sintomas na época, acabou não retornando à unidade para realizar o exame.
Recentemente, durante uma visita domiciliar, relatou à Agente Comunitário de Saúde (ACS) o aparecimento de um caroço na mama direita.
Qual terá sido a conduta da ACS diante das informações dadas por D. Joana?
Escreva, abaixo, qual conduta você considera adequada para essa situação. Em seguida, clique em enviar.
Agora, vamos seguir com os estudos abordando dados de incidência e mortalidade por câncer. Mais adiante, retomaremos o caso da D. Joana – e analisaremos se a sua resposta foi a mais adequada.
Epidemiologia aplicada ao território
Conhecer a incidência e a mortalidade por câncer ajuda a equipe da APS a definir estas prioridades:
Assim, os dados de incidência e mortalidade por câncer são utilizados para apoiar a definição de prioridades, a busca ativa, o acompanhamento de exames e a organização dos fluxos no território. Vamos aprofundar nos números.
Incidência do câncer no Brasil
O Instituto Nacional do Câncer (INCA), que é um direcionador no planejamento das atividades das equipes de APS, estima que, no triênio 2026–2028, o Brasil registrará cerca de 781 mil casos novos de câncer por ano. Excluindo os tumores de pele não melanoma (que são muito frequentes, porém geralmente de baixa letalidade), a estimativa é de aproximadamente 518 mil casos anuais. Esses números reforçam que o câncer se consolida como uma das principais causas de adoecimento e morte dentre as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), exigindo que a equipe da APS esteja atenta aos cânceres mais incidentes por sexo.
A figura a seguir apresenta a estimativa do INCA, para 2026, da distribuição dos dez tipos de câncer mais incidentes no Brasil – excluindo o câncer de pele não melanoma.
Figura – Distribuição proporcional dos dez tipos de câncer mais incidentes estimados para o ano de 2026, por sexo, exceto pele não melanoma*
Fonte: INCA, 2026.
Veja um resumo dos mais incidentes. Clique nas posições do ranking.
Selecione uma posição no ranking
Na prática, isso exige que as equipes da APS incorporem:
Ainda, ressalta-se a importância de uma atuação proativa da APS, orientada pela vigilância do território, pela prevenção de fatores de risco modificáveis, pelo rastreamento conforme diretrizes vigentes e pelo encaminhamento oportuno dos casos suspeitos.
Tendência de aumento
Em 2022, uma pesquisa da International Agency for Research on Cancer (IARC), através do Global Cancer Observatory (GLOBOCAN), chegou às seguintes estimativas:
Clique nas setas para navegar.
Desigualdades regionais
Já vimos que os principais cânceres com interface na APS são:
mama
colo do útero
próstata
colorretal
Sabia que a distribuição desses tipos é desigual entre as regiões brasileiras. Vamos analisar.
Clique sobre o mapa para visualizar.
Como usar esses dados para organizar o território
Os dados de incidência e mortalidade dos principais cânceres que afetam a população e o SUS ajudam a definir as prioridades de atuação da APS. Na prática, definir prioridades significa:
Nesse sentido, a epidemiologia deixa de ser apenas um conjunto de números e passa a orientar o trabalho das equipes. Ao conhecer o perfil do câncer no território, a APS pode planejar ações mais efetivas de promoção da saúde, prevenção, rastreamento, detecção precoce e acompanhamento dos usuários, contribuindo para reduzir atrasos no cuidado e na mortalidade.
Nesse processo, o registro qualificado das informações no e-SUS APS e a utilização integrada de sistemas como o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e o Sistema de Informação do Câncer (SISCAN), em articulação com a Vigilância em Saúde, são essenciais para o monitoramento dos casos, o registro do itinerário terapêutico, a busca ativa de usuários faltosos e a avaliação das ações desenvolvidas.
Além de fortalecer a continuidade do cuidado e a vigilância em saúde, esses registros subsidiam o acompanhamento de indicadores da APS, incluindo aqueles relacionados à saúde da mulher, como a prevenção do câncer do colo do útero, qualificando o planejamento, o monitoramento e a avaliação das ações e dos resultados alcançados.
A seguir, vamos tratar sobre prevenção e rastreio dos principais tipos de câncer.
Prevenção e rastreio dos quatro cânceres prioritários
Antes de entrarmos no conhecimento sobre a prevenção e rastreamento de cada tipo de câncer em específico, é importante retomar e reforçar alguns conceitos sobre prevenção primária, secundária, terciária e quaternária. Clique nos cards para visualizar.
Agora, vamos aprofundar sobre os 4 principais tipos de câncer.
Câncer de mama
Nas diretrizes do Ministério da Saúde e INCA para a prevenção e rastreamento do câncer de mama, temos a mamografia bienal para mulheres de 50-74 anos (ou mamografia anual, se alto risco).
Realizar ações de prevenção secundária (rastreamento) para detecção precoce é a melhor forma de lutar contra as altas taxas de mortalidade relacionadas aos estádios avançados.
Pela Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS, o SUS não restringe o acesso das mulheres com idade entre 40 e 49 anos e acima de 74 anos, sem sinais ou sintomas suspeitos, que desejarem realizar a mamografia de rastreamento por demanda, contanto que sejam orientadas, por profissionais de saúde, sobre os possíveis riscos e benefícios dessa prática conforme documento. A realização deve ser individualizada entre a pessoa com mama e profissional de saúde, considerando risco e benefício do rastreamento.
Para conhecer, na íntegra, a Nota Técnica nº 626/2025 -CGCAN/DECAN/SAES/MS, clique aqui.
Na sequência, apresentamos as etapas do cuidado e respectivas ações que devem ser executadas pela APS na Linha de Cuidado do Câncer de Mama:
Clique nas setas para navegar.
Outubro Rosa
Em outubro, mês de conscientização sobre o câncer de mama, as UBS e os demais serviços do SUS costumam intensificar ações educativas e de prevenção.
Nosso próximo tema é o câncer de colo do útero.
Câncer de colo do útero
A maioria dos casos (mais de 95%) está associada ao papilomavírus humano (HPV), que é um vírus muito comum, transmitido principalmente pelo contato sexual.
Na maioria das vezes, o próprio organismo consegue eliminar o vírus sem causar problemas. No entanto, quando a infecção persiste por vários anos, especialmente por tipos do HPV com maior potencial de causar doença, podem ocorrer alterações nas células do colo do útero que, se não forem acompanhadas, podem evoluir para o câncer.
Por isso, a vacinação, o rastreamento e o cuidado contínuo são fundamentais para prevenir a doença e proteger a saúde das pessoas com útero (Arbyn et al, 2018).
O Brasil adotou o esquema de dose única para a vacina contra o HPV, uma das estratégias mais eficazes de prevenção do câncer do colo do útero e de outras doenças relacionadas ao papilomavírus humano.
Disponível nas UBS, a vacina é indicada prioritariamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária em que a resposta imunológica é mais robusta e a proteção mais eficaz.
Ampliar o acesso, orientar famílias e fortalecer parcerias com escolas por meio do Programa Saúde na Escola (PSE) são ações essenciais da APS para aumentar a cobertura, proteger adolescentes e avançar rumo à eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública no país (Ministério da Saúde; 2025, Ministério da Saúde; 2024)
O teste molecular (DNA-HPV) é hoje o padrão ouro recomendado pelo SUS para rastreamento, por ser mais sensível e permitir intervalos maiores entre exames. Ele encontra-se em fase de implantação no território nacional, pelo Ministério da Saúde.
O Papanicolau continua importante como exame complementar, para citologia reflexa e para regiões onde o teste molecular ainda não está implementado.
O papel prático dos profissionais em relação à prevenção e ao tratamento desse tipo de câncer é:
Clique nas setas para navegar.
Para além da transição tecnológica, o plano nacional de eliminação do câncer do colo de útero prioriza a adoção de um modelo baseado no rastreio organizado, para garantia do custo-efetividade no rastreamento e maior impacto na mortalidade relacionada a este agravo.
Março Lilás
O Março Lilás é a campanha dedicada à conscientização sobre o câncer do colo do útero, reforçando a importância da vacinação contra o HPV, do rastreamento e do diagnóstico precoce como estratégias fundamentais para a prevenção e o controle da doença.
A seguir, abordaremos o câncer de próstata.
Câncer de próstata
A prevenção do câncer de próstata envolve adoção de um modo de vida saudável e controle de fatores de risco modificáveis, como obesidade, sendo bastante inespecífico, mas indicado não só para câncer de próstata como também para prevenção de várias outras comorbidades.
O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata, pois as evidências mostram que essa prática de rastreamento populacional não reduz, de forma significativa, a mortalidade e pode gerar sobrediagnóstico, ansiedade, exames invasivos desnecessários e danos decorrentes de tratamentos que poderiam ter sido evitados.
Não recomendado
Assim, PSA (sigla em inglês para Antígeno Prostático Específico) e toque retal não devem ser utilizados como rastreamento em homens assintomáticos, independentemente da idade.
Conduta correta
A abordagem correta é a detecção precoce baseada em sinais e sintomas, com avaliação clínica inicial pela APS e solicitação de PSA apenas quando houver suspeita clínica.
Em caso de alterações, como toque retal suspeito, PSA persistentemente elevado após exclusão de causas benignas ou sintomas urinários de alarme, a pessoa deve ser encaminhada para avaliação especializada, onde a biópsia poderá ser indicada, lembrando que nem toda elevação de PSA corresponde a câncer.
Para indivíduos com risco aumentado (homens negros ou com familiar de primeiro grau diagnosticado precocemente), recomenda-se decisão informada e compartilhada, discutindo riscos e benefícios dos exames, mas sem configurar rastreamento sistemático conforme reforça o INCA.
Novembro Azul
Novembro Azul é a campanha de conscientização sobre o câncer de próstata, promovendo ações educativas voltadas à saúde do homem, ao diagnóstico oportuno e ao cuidado integral.
Na sequência, trataremos sobre o câncer de colorretal.
Câncer Colorretal
O câncer colorretal exige atenção especial da APS, que desempenha papel decisivo no rastreamento, na detecção precoce, prevenção e na redução dos atrasos no diagnóstico. Para identificar sinais de alerta, é fundamental que as equipes reconheçam sintomas. Você sabe quais são?
Clique nos ícones para conferir os sintomas mais comuns.
sangramento retal
alteração persistente do hábito intestinal (diarréia, constipação ou fezes afiladas)
dor abdominal contínua
anemia sem causa aparente
perda de peso involuntária e sensação de evacuação incompleta.
Prevenção e Promoção da Saúde
Na prevenção e promoção da saúde, a APS atua orientando sobre práticas que reduzem o risco da doença, com destaque para:
Alimentação adequada baseada em alimentos frescos.
Redução de ultraprocessados, gorduras e embutidos.
Manutenção do peso corporal adequado.
Abordagem ao tabagismo e ao consumo de álcool.
Além disso, a promoção de um estilo de vida ativo, conforme o Guia de Atividade Física para a População Brasileira (2021); para acessá-lo, clique aqui.
As ações educativas coletivas, a orientação nutricional, o incentivo à atividade física e a vigilância de sintomas persistentes fortalecem o cuidado integral e permitem que a APS organize fluxos, garanta busca ativa de usuários com sinais de risco e encaminhe, de forma qualificada e oportuna, para confirmação diagnóstica e acesso às Ofertas de Cuidado Integrado (OCI), conforme protocolos vigentes do SUS.
A recomendação para rastreamento do Ministério da Saúde e do INCA é teste de sangue oculto nas fezes (FIT) anual para 50-74 anos. Se positivado, segue-se com a realização da colonoscopia.
Março Azul
Março é o mês dedicado ao câncer colorretal, com ações de mobilização. Clique aqui e saiba mais sobre a campanha; aproveite para compartilhar os conhecimentos e informações com todos!
Agora, vamos a um resumo das condutas da APS (considerando ações na prevenção, no rastreamento, na identificação de sinais de alerta e encaminhamento) dos quatro principais tipos de câncer.
Agora, que tal um resumo das informações mais relevantes?
Abaixo, resumimos as condutas da APS (considerando ações na prevenção, no rastreamento, na identificação de sinais de alerta e encaminhamento) dos quatro principais tipos de câncer.
Clique nos ícones para visualizar.
Câncer de mama
Como prevenir
Educação, fatores de risco e acesso à mamografia quando indicada.
Quem rastrear / quando indicado
Conforme diretriz vigente do Ministério da Saúde, vista anteriormente.
Principais sinais e sintomas de alerta
Nódulo mamário, retração da pele, secreção sanguinolenta e alteração na pele com aspecto de casca de laranja.
O que a APS faz
Realiza acolhimento e avaliação clínica, identifica sinais e sintomas suspeitos, registra as informações no prontuário, solicita ou encaminha para investigação diagnóstica conforme protocolos/diretrizes, acompanha o percurso da usuária na Rede de Atenção à Saúde e promove o cuidado compartilhado e longitudinal.
Câncer de colo do útero
Como prevenir
Vacinação contra HPV, educação em saúde sexual, promoção de práticas preventivas e incentivo à participação no rastreamento organizado.
Quem rastrear / quando indicado
Conforme diretriz vigente do Ministério da Saúde, vista anteriormente.
Principais sinais e sintomas de alerta
Sangramento pós-coito,dor pélvica persistente, corrimento fétido e lesão friável.
O que a APS faz
Realiza acolhimento e avaliação clínica, identifica sinais e sintomas suspeitos, registra as informações no prontuário, solicita ou encaminha para investigação diagnóstica conforme protocolos/diretrizes, acompanha o percurso da usuária na Rede de Atenção à Saúde e promove o cuidado compartilhado e longitudinal.
Câncer de próstata
Como prevenir
Educação em saúde sobre saúde do homem, promoção de hábitos de vida saudáveis e apoio à tomada de decisão compartilhada sobre a investigação do câncer de próstata.
Quem rastrear / quando indicado
Evitar rastreamento populacional indiscriminado; seguir diretrizes e fluxo local.
Principais sinais e sintomas de alerta
Sintomas urinários persistentes, hematúria, dor óssea e toque retal com achados suspeito, quando realizado.
O que a APS faz
Realiza acolhimento e avaliação clínica, identifica sinais e sintomas suspeitos, registra as informações no prontuário, solicita ou encaminha para investigação diagnóstica conforme protocolos/diretrizes, acompanha o percurso da usuária na Rede de Atenção à Saúde e promove o cuidado compartilhado e longitudinal.
Câncer colorretal
Como prevenir
Alimentação saudável, incentivo à prática regular de atividade física e redução de fatores de risco (álcool e tabaco).
Quem rastrear / quando indicado
Conforme diretriz vigente do Ministério da Saúde, vista anteriormente.
Principais sinais e sintomas de alerta
Sangramento retal, alteração intestinal persistente, anemia e perda de peso inexplicada.
O que a APS faz
Realiza acolhimento e avaliação clínica, identifica sinais e sintomas suspeitos, registra as informações no prontuário, solicita ou encaminha para investigação diagnóstica conforme protocolos/diretrizes, acompanha o percurso da usuária na Rede de Atenção à Saúde e promove o cuidado compartilhado e longitudinal.
Reconhecer alta suspeição é a primeira decisão crítica para evitar atrasos que podem custar anos de vida. No SUS, essa etapa é tratada como porta de entrada prioritária, e não como rotina burocrática.
O Protocolo de Alta Suspeição de Câncer, pactuado na Comissão Intergestores Tripartite, define a responsabilidade da APS (BRASIL, 2025a):
A APS tem responsabilidade direta em detectar sinais de alerta, iniciar exames possíveis e acionar imediatamente a Atenção Especializada, com fluxos regulatórios diferenciados e prazos reduzidos.
No AVA, em Material Complementar, disponibilizamos o Manual de Diagnóstico Precoce em Oncologia para a APS – MS (2025). Aprofunde seus conhecimentos a partir dessa relevante leitura.
E quanto aos sinais de alerta de câncer, você sabe identificá-los? Abaixo, confira os sinais destes tipos de câncer.
Clique nas abas para conhecer visualizar.
O que a APS deve fazer no mesmo atendimento (após alta suspeita de câncer)
No percurso assistencial após a identificação de alta suspeição e a realização dos exames iniciais possíveis na APS, o encaminhamento prioritário segue para serviços habilitados pelo Ministério da Saúde, como as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) e os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON), responsáveis por diagnóstico definitivo, estadiamento, definição terapêutica e condução do tratamento especializado – incluindo cirurgia oncológica, quimioterapia, radioterapia conforme habilitação, reabilitação e cuidados paliativos.
Figura xx – Percurso assistencial em Oncologia
Fonte: elaborada pela equipe CONASEMS com apoio de IA (ChatGPT, 2026).
Vejamos, agora, o que a abordagem na APS inclui.
Clique nos cartões para visualizar.
Acolhimento qualificado
Anamnese orientada por sinais de alerta
Exame físico completo
Solicitação de exames iniciais conforme disponibilidade local
Encaminhamento qualificado ao serviço especializado
Comunicação ativa com a regulação
Coordenação do cuidado
A coordenação do cuidado é feita por meio de:
Como monitorar os prazos
A APS deve assegurar uma comunicação objetiva, organizada e efetiva entre os profissionais, os serviços de saúde e o paciente e os prazos previstos na legislação, para assegurar o acesso oportuno ao cuidado e a contrarreferência efetiva, garantindo continuidade do cuidado e redução dos atrasos assistenciais – elementos também recomendados pelas diretrizes nacionais de prevenção, controle e organização da linha de cuidado em oncologia.
Nesse contexto, a navegação do paciente torna-se fundamental para articular as etapas, reduzir barreiras e evitar interrupções no percurso assistencial.
Essa estratégia foi institucionalizada nacionalmente pela Portaria GM/MS nº 6.592/2025, que define a navegação como processo estruturado para monitoramento ativo dos prazos críticos, a articulação entre pontos da rede de atenção e a mitigação de barreiras sociais, clínicas e logísticas.
Veja as ações da APS diante da alta suspeição oncológica. Clique nos ícones.
Acolhimento e avaliação clínica orientada por sinais de alerta: Garantir escuta qualificada e exame físico direcionado
Solicitação de exames iniciais conforme disponibilidade local: exames complementares não devem atrasar o encaminhamento
Encaminhamento qualificado com informações completas para regulação: incluir dados clínicos, exames realizados e contatos
Monitoramento ativo dos prazos normativos:
Comunicação estruturada entre APS, regulação e serviços especializados.
O que registrar no prontuário
As equipes da APS devem realizar um registro padronizado no prontuário eletrônico. Os elementos essenciais que precisam ser registrados são:
Quando encaminhar
O encaminhamento deve ser realizado de maneira imediata e oportuna, assim que critérios clínicos específicos de alta suspeição forem preenchidos.
Clique nas abas e conheça esses critérios para os seguintes tipos de câncer.
Diante de lesões cutâneas persistentes, ulceradas, de crescimento progressivo, lesões novas em áreas fotoexpostas que mudam de aspecto ou feridas que não cicatrizam em até 4 semanas.
Na presença de nódulo endurecido e fixo (ou que aumenta de tamanho), tumoração unilateral palpável em homens, retrações/alterações na pele ou mamilo, secreção papilar sanguinolenta unilateral ou linfonodos axilares/supraclaviculares suspeitos.
Diante de sangramentos vaginais anormais (pós-relação sexual, entre menstruações ou pós-menopausa), corrimento persistente com mau cheiro e dor pélvica sem outra explicação. Também se encaminha diretamente para colposcopia em caso de rastreamento positivo com genotipagem para HPV 16 e/ou 18 detectável.
Quando houver alteração detectada no toque retal (presença de nódulo, endurecimento ou assimetria) ou valor de PSA total elevado para a idade após exclusão de processos infecciosos (como prostatite).
Sempre que houver um ou mais dos critérios estabelecidos pelo protocolo da OCI, tais como: sangramento retal em adultos maiores de 50 anos, mudança persistente do hábito intestinal, massa abdominal palpável, Teste Imunoquímico Fecal (FIT) positivo, ou dor abdominal com perda de peso não intencional.
Quais informações devem constar no encaminhamento
Para apoiar a regulação e assegurar um encaminhamento qualificado que evite atrasos na linha de cuidado, o documento aponta que o encaminhamento deve conter:
Clique nos ícones para visualizar.
Detalhamento do quadro clínico do paciente, incluindo os sinais e sintomas específicos e achados alterados de exame físico que motivaram a alta suspeição.
Devem constar os resultados de todos os exames iniciais e de triagem já realizados e disponíveis na APS. Exemplos citados no texto incluem:
Para evitar a perda de seguimento, estas são algumas boas práticas:
Teleconsultoria para discussão de casos : suporte remoto para decisões clínicas complexas.
Protocolos padronizados de alta suspeição : uso de fluxogramas e checklists para agilizar condutas.
Comunicação estruturada na referência/contrarreferência : garantir informações completas e retorno do especialista.
Agenda prioritária para pessoas que estão com sinais e sintomas suspeitos : organização da regulação para assegurar vagas rápidas e prioritárias a usuários com sinais e sintomas de alta suspeição, evitando atrasos entre suspeita, diagnóstico e início do tratamento.
Educação permanente : capacitações periódicas sobre sinais de alerta e fluxos regulatórios.
Lacunas de comunicação : falhas na referência e contrarreferência entre APS e serviços especializados.
Agora, conheça as etapas da Linha de Cuidado Oncológico: os responsáveis e as ações principais.
Clique nas abas para visualizar.
Prevenção
Ação principal
Vacina e exames preventivos
Responsável
APS: Realiza ações de promoção da saúde, campanhas, vacinação, rastreamento organizado, educação em saúde e acompanhamento populacional.
Suspeição
Ação principal
Exame físico e estratificação
Responsável
APS: Identifica sinais e sintomas de alerta, classifica risco, solicita exames, registra “data da suspeita” e acompanhamento ativo.
Diagnóstico (Até 30 dias)
Ação principal
Solicitação e realização de exames confirmatórios (biópsia e histopatológico)
Responsável
Média Complexidade – CACON: Realiza exames especializados, procedimentos diagnósticos e libera laudos que confirmam (ou descartam) diagnóstico. Comunica resultado à APS/Regulação.
Tratamento (Até 60 dias)
Ação principal
Solicitação e realização de exames confirmatórios (biópsia e histopatológico)
Responsável
Alta Complexidade – UNACON: Realiza o plano terapêutico oncológico, define condutas especializadas, acompanha efeitos adversos e comunica contrarreferência de cada etapa.
Reabilitação
Ação principal
Cuidados paliativos; seguimento longitudinal; controle de sintomas
Responsável
APS + CACON (Cuidado Compartilhado): APS acompanha no território, monitora sintomas, adesão e barreiras.
A seguir, apresentamos algumas condutas, encaminhamento e monitoramento a partir destes sinais de alerta.
Clique nas abas para visualizar.
Conduta imediata na APS
Exame clínico/especular, registro da data da suspeição e avaliação de sinais associados.
Encaminhamento
Colposcopia/biópsia conforme fluxo.
Monitoramento
Acompanhar agendamento, comparecimento e resultado.
Conduta imediata na APS
Exame clínico, registro, orientação à usuária e solicitação/encaminhamento conforme fluxo.
Encaminhamento
Serviço de referência/OCI.
Monitoramento
Busca ativa se faltar; monitorar resultado e próximo passo.
Conduta imediata na APS
Avaliação clínica, verificação de anemia e exames disponíveis conforme protocolo local.
Encaminhamento
OCI colorretal/regulação.
Monitoramento
Monitorar investigação diagnóstica e retorno da informação à APS.
Conduta imediata na APS
Avaliar diferenciais, sinais de gravidade e achados clínicos relevantes.
Encaminhamento
OCI colorretal/regulação.
Monitoramento
Monitorar investigação diagnóstica e retorno da informação à APS.
No monitoramento, a continuidade e o compartilhamento do cuidado são essenciais. Podem ser realizados através das visitas domiciliares, da continuidade da atenção às condições crônicas presentes como hipertensão arterial, diabetes, estímulo ao autocuidado apoiado e avaliação das questões de saúde mental…
Neste momento, você já está mais apto a descrever quais foram as ações da equipe diante da situação da D. Joana. Vamos conferir o que foi realizado naquele mesmo atendimento:
Estes foram os pontos considerados e discutidos para o cuidado específico da D. Joana:
Avaliando essas vulnerabilidades, a equipe da APS identificou o risco de abandono. Com base em sua prática no território, quais ações devem ser tomadas para evitar essa possibilidade? Escreva no quadro abaixo.
Vamos seguir os estudos tratando sobre coordenação do cuidado e navegação do paciente. Posteriormente, voltaremos ao caso para ver o que a equipe da APS fez para evitar o abandono do tratamento.
Depois que a APS suspeitou ou recebeu um diagnóstico de câncer, como a equipe impede que essa pessoa se perca na rede?
O percurso de uma pessoa com suspeita de câncer envolve múltiplos pontos da rede, e pequenas falhas podem gerar grandes atrasos.
Entenda melhor a coordenação do cuidado e a navegação do paciente a partir destas informações extraídas do Manual de Diagnóstico Precoce em Oncologia – 2025 (PNAB, 2017).
Clique nas abas abaixo para visualizar.
COORDENAÇÃO DO CUIDADO (Função Sistêmica)
Definição
Função contínua da APS/RAS que integra informações, serviços e condutas, garantindo continuidade clínica e administrativa.
Foco
Organizar a rede, garantir continuidade, qualificar encaminhamentos e fortalecer a comunicação entre os pontos de atenção.
Abrangência
Ampla, populacional e aplicável à rotina do território e a diferentes condições de saúde.
Processos principais
Referência e contrarreferência; plano de cuidado; organização de fluxos; monitoramento longitudinal; acompanhamento de exames e retornos.
Indicadores
Completude de registros; retorno programado; integração entre serviços; continuidade do cuidado.
Exemplo prático
APS revisa exames, qualifica o encaminhamento, articula com a regulação e garante seguimento e contrarreferência.
Resumo
Faz a rede funcionar.
NAVEGAÇÃO DO CUIDADO (Intervenção Focal)
Definição
Intervenção estruturada, centrada na pessoa, para identificar e remover barreiras e assegurar percurso oportuno e seguro no cuidado.
Foco
Acompanhar etapas críticas (suspeita → diagnóstico → tratamento), reduzir atrasos e prevenir perdas de seguimento.
Abrangência
Direcionada a grupos prioritários com maior vulnerabilidade ou condições tempo-dependentes.
Processos principais
Avaliação de barreiras; elaboração do plano de navegação; contatos programados; lembretes; busca ativa; apoio ao preparo para exames.
Indicadores
Tempo suspeita → diagnóstico; tempo diagnóstico → início do tratamento; adesão; redução de faltas e perdas de seguimento.
Exemplo prático
Navegador orienta preparo do exame, confirma transporte, envia lembretes e monitora prazos críticos.
Resumo
Garante que a pessoa consiga percorrer a rede.
Papel da Equipe na Navegação do Paciente
A navegação do paciente pode ser organizada nestes modelos: presencial, remoto e híbrido. A escolha do modelo depende da realidade da Atenção Primária à Saúde (APS), do perfil do território e das necessidades da população. Vamos aprofundar em cada um dos modelos e entender suas indicações e seu funcionamento.
Navegação Presencial
Indicado quando o paciente tem dificuldade para usar recursos digitais, enfrenta barreiras culturais ou linguísticas, precisa de avaliação clínica frequente ou apresenta alta complexidade.
Para esse modelo, é necessário garantir agenda exclusiva para o enfermeiro, sala adequada e protocolos impressos.
De modo simplificado, funciona assim:
Acolhimento presencial imediato por enfermeira ou médico quando há sinal de alerta.
Explicação direta do caminho, com um roteiro claro do que vai acontecer (exames, retornos, encaminhamentos).
Orientações clínicas presenciais, usando linguagem simples e checando compreensão.
Retornos presenciais em momentos críticos, como entrega de resultados e definição de condutas.
Identificação ativa de barreiras, com apoio do ACS quando há dificuldade de comparecimento.
Articulação direta com a Regulação, especialmente em casos de alta suspeição.
Registro e atualização da lista ativa para monitorar prazos e pendências.
Revisão presencial após consulta especializada, ajustando o plano de cuidado.
Navegação Remota
A navegação remota é utilizada quando a pessoa consegue acompanhar orientações a distância e quando parte das etapas do cuidado pode ser monitorada sem necessidade de retorno presencial. Esse modelo amplia o acesso, reduz faltas e otimiza o tempo da equipe, desde que mantenha vínculo, comunicação clara e registro adequado.
Vejamos como funciona a navegação remota:
institucional
Contato estruturado
Realizado por telefone ou WhatsApp institucional;
Utilizado para confirmar presença, orientar preparo de exames, lembrar retornos e identificar dificuldades antecipadamente.
Teleorientação pela APS
A(o) enfermeira(o) navegadora ou médica(o) realiza orientações clínicas simples a distância: preparo, sinais de alerta, dúvidas rápidas.
A teleorientação não substitui a avaliação quando há risco, mas ajuda a esclarecer etapas e reduzir inseguranças.
Teleconsulta
Consulta clínica a distância, quando adequada, especialmente nas etapas de discussão de resultados já disponíveis, reavaliações sem necessidade de exame físico imediato, orientações para continuidade do cuidado, acompanhamento de efeitos adversos leves, ajustes simples de conduta.
Navegação Híbrida
A navegação híbrida funciona da seguinte forma:
Definição da porta de entrada e critérios de inclusão;
Avaliação inicial completa (biológica, psicológica e social);
Plano de navegação com metas e prazos;
Agenda organizada de contatos;
Protocolos claros para comunicação e contrarreferência;
Registro padronizado das ações;
Indicadores para monitorar resultados;
Supervisão e apoio institucional.
Busca ativa (pessoas com exames alterados ou encaminhamentos pendentes)
A busca ativa de pessoas com exames alterados ou encaminhamentos pendentes envolve:
A equipe da APS deve realizar uma busca ativa prioritária de todas as pessoas com exames alterados (resultados de exames de rastreamento,como preventivos de colo uterino, ou suspeitas na próstata) ou que possuam encaminhamentos pendentes no sistema de regulação.
O objetivo dessa busca ativa é identificar de forma precoce os pacientes que não conseguiram avançar na linha de cuidado, descobrindo se há barreiras físicas, financeiras, de transporte ou sociais que estejam impedindo o comparecimento às consultas ou exames especializados.
Esse mecanismo serve como uma rede de segurança no processo de navegação para garantir que nenhum paciente com alta suspeição ou alteração clínica significativa “se perca” no sistema ou sofra atrasos por falhas de comunicação.
Acompanhamento dos exames alterados e das datas críticas
O acompanhamento dos exames alterados e das datas críticas é feito a partir destas ações:
Monitoramento do percurso
O navegador de saúde e a equipe de APS devem monitorar continuamente a trajetória do paciente, acompanhando sistematicamente o andamento de exames e a liberação de laudos.
Registro de datas críticas
Além disso, há uma exigência de controle rigoroso e registro em prontuário de datas-chave, que englobam datas críticas como:
Cumprimento de prazos
Esse acompanhamento minucioso das datas críticas visa monitorar os tempos de espera e assegurar o cumprimento dos prazos regulamentares para o início do tratamento oncológico.
Barreiras de acesso ao cuidado oncológico
A equipe de APS deve identificar as principais barreiras de acesso ao cuidado oncológico para tentar mitigá-las por meio da busca de apoio da gestão local e da articulação com outros pontos de atenção da rede. As principais barreiras de acesso são apresentadas a seguir.
Estruturais
Culturais e comunicacionais
Logísticas e socioeconômicas
Informacionais
Riscos clínicos frequentes
Contrarreferência e manutenção do vínculo após a entrada no serviço especializado
A entrada do paciente no serviço de oncologia especializado não interrompe a responsabilidade da Atenção Primária. Pelo contrário, estabelece-se um modelo de cuidado compartilhado entre a APS e a atenção especializada.
A equipe de saúde da família deve manter o vínculo longitudinal e a comunicação ativa com o paciente e sua família durante todo o tratamento (seja cirurgia, quimioterapia ou radioterapia). Isso inclui oferecer suporte local para o manejo de sintomas e efeitos colaterais leves, além de acolhimento psicossocial.
Nesse sentido, o fluxo de contrarreferência garante que as informações sobre as condutas tomadas na atenção especializada retornem formalmente à equipe da APS. Esse retorno de informação permite que o médico e o enfermeiro de referência da comunidade atualizem o prontuário, compreendam a fase atual do tratamento e planejem as ações de reabilitação, cuidados paliativos ou seguimento pós-tratamento na própria comunidade.
Agora, podemos resumir os passos anteriores este checklist da navegação pela APS:
Lembra do risco de abandono do tratamento pela D. Joana, devido a vulnerabilidades como barreiras de transporte (180 km de distância do centro de oncologia), escassez de renda, baixo letramento em saúde, medo do diagnóstico, falta de rede de apoio?
Após avaliar essa realidade, a equipe da APS desenvolveu ações de forma adaptada ao contexto da unidade e incorporou práticas de acompanhamento, orientação e articulação da rede de atenção. Clique nas imagens dos profissionais a seguir (ACS, Assistente Social e Enfermeira) e confira as ações planejadas e executadas neste caso.
ACS: realizou busca ativa indo até a residência de D. Joana, no quilombo, para fazer a confirmação do agendamento da consulta e dos exames, explicando de forma simples onde e quando seriam realizados.
Assistente Social da equipe multiprofissional (eMulti): articulou com a gestão municipal para viabilizar o Tratamento Fora do Domicílio (TFD), compreendido como um dispositivo de garantia de acesso e continuidade do cuidado, envolvendo a organização do deslocamento e o suporte ao usuário durante o tratamento. Paralelamente, fortaleceu a rede comunitária no quilombo, construindo estratégias de apoio para o cuidado dos netos e reduzindo barreiras sociais que poderiam comprometer a adesão ao acompanhamento em saúde.
Enfermeira: monitorou o comparecimento de Dona Joana à consulta na referência e fez o acompanhamento rigoroso do caso, realizando o monitoramento ativo dos resultados até a liberação do laudo histopatológico (que confirmou Carcinoma Ductal Invasivo em 28 dias).
Após a liberação do laudo que indicou câncer de mama, como foi o percurso da D. Joana?
Vamos seguir tratando sobre Ofertas de Cuidados Integrados (OCI) em Oncologia. Ao final, entenderemos sobre a linha de cuidado adotada para ela.
As Ofertas de Cuidados Integrados (OCI) organizam, em um único arranjo assistencial, os recursos necessários para investigar sinais e sintomas suspeitos, permitindo a confirmação diagnóstica em tempo oportuno – preferencialmente em até 30 dias nos casos de suspeita de câncer, e em até 60 dias para outras condições clínicas. Elas combinam procedimentos, exames e intervenções articuladas com o objetivo de concluir uma etapa específica do cuidado, especialmente a etapa diagnóstica no contexto oncológico.
Nesse sentido, as OCIs reduzem as filas e a fragmentação da assistência, reduzindo o tempo entre suspeita, diagnóstico e tratamento. Vejamos por que!
Integradas à Regulação, as OCI operam com prioridades definidas e critérios clínicos objetivos; dessa forma, além de viabilizarem a conclusão da etapa diagnóstica, também favorecem o encaminhamento ágil para o tratamento, quando indicado.
Veja quais são as OCI (dos quatros tipos de cânceres prioritários) disponíveis para os municípios:
Mama
OCI Avaliação diagnóstica inicial de câncer de mama
OCI Progressão da avaliação diagnóstica de câncer de mama I
OCI Progressão da avaliação diagnóstica de câncer de mama II
Colo de útero
OCI Investigação diagnóstica
OCI Avaliação diagnóstica e terapêutica I
OCI Avaliação diagnóstica e terapêutica II
Colorretal
OCI Avaliação diagnóstica de câncer colorretal
Próstata
OCI Progressão da avaliação diagnóstica de câncer de próstata
No e-book, você pode conhecer os critérios clínicos para encaminhamento pela APS. Para acessá-lo, clique aqui.
Agora, confira as as etapas do fluxo de encaminhamento para OCI e saiba quais são as ações da APS em cada etapa:
Ação da APS
Avaliar sinais e sintomas, histórico e fatores de risco.
Descrição / Conteúdo da etapa
Identificar sinais suspeitos de câncer conforme protocolos (ex.: nódulo mamário suspeito, sangramento retal 50 anos, dor abdominal persistente, PSA elevado).
Ação da APS
Conferir se o caso preenche critérios clínicos para o conjunto OCI correspondente.
Descrição / Conteúdo da etapa
Comparar achados com os critérios específicos para mama, colo do útero, colorretal, próstata e gástrico, conforme Protocolo Nacional.
Ação da APS
Preencher encaminhamento estruturado.
Descrição / Conteúdo da etapa
Encaminhar com: motivo clínico, sinais e sintomas, tempo de evolução, exames prévios e contatos para contrarreferência.
Enviar via Regulação com prioridade adequada.
Ação da APS
Monitorar o usuário durante o processo.
Descrição / Conteúdo da etapa
Usuário realiza consulta especializada, exames diagnósticos e retorno dentro do mesmo conjunto.
APS acompanha faltas, confirma datas e orienta sobre as etapas.
Ação da APS
Atualizar informações e planejar continuidade.
Descrição / Conteúdo da etapa
Serviço especializado devolve diagnóstico (ou exclusão).
APS atualiza prontuário, organiza seguimento e orientações.
Ação da APS
Solicitar o conjunto de Progressão, quando indicado.
Descrição / Conteúdo da etapa
Resultados inconclusivos ou achados que exigem nova etapa: solicitar OCI de Progressão, vinculando ao conjunto anterior e anexando resultados.
Ação da APS
Realizar vigilância longitudinal do cuidado.
Descrição / Conteúdo da etapa
Buscar ativamente, verificar atrasos, conferir marcações e organizar retornos.
Monitorar indicadores: tempo até diagnóstico, faltas e tempo até início do tratamento.
Agora, veja como a gestão municipal pode organizar a Oferta de Cuidados Integrados
No âmbito do Programa Agora Tem Especialistas, a APS tem papel estratégico na organização do cuidado. Sua atuação vai além do acolhimento inicial e da suspeição clínica. É fundamental realizar continuamente a análise da situação de saúde da população do território, identificando grupos prioritários e realizando a estratificação de risco, conforme os protocolos estabelecidos para o acesso às Ofertas de Cuidado Integrado (OCI).
Ainda, é responsabilidade da APS desenvolver ações de rastreamento da população elegível e a avaliação oportuna de sinais e sintomas sugestivos de agravos, especialmente no campo oncológico.
Esse processo deve estar articulado aos protocolos de acesso às OCI, garantindo que usuários com suspeita clínica sejam encaminhados de forma ágil e criteriosa para a etapa diagnóstica organizada.
Além disso, a APS deve utilizar adequadamente os sistemas de informação, com registro qualificado da demanda no Prontuário Eletrônico e-SUS APS.
Você sabia que todas as OCI estão disponíveis no sistema, na aba de encaminhamento de “exames/procedimentos”?
E o correto preenchimento das informações é essencial para subsidiar a regulação, o monitoramento do cuidado e a continuidade assistencial.
Assim, a APS integra muitas funções:
Tudo isso fortalece seu papel como ordenadora do cuidado, garantindo maior efetividade na implementação das OCI e na organização do acesso aos serviços especializados (BRASIL, 2025).
E quem organiza a navegação do paciente?
O CACON (Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia) é o responsável por essa navegação. É ele quem deve manter comunicação contínua com as centrais de regulação e com a APS para garantir o retorno monitorado do paciente ao seu município/unidade de saúde após o tratamento principal.
O profissional responsável pela navegação no CACON deve acompanhar:
Agora, finalizaremos o caso clínico entendendo como foi o percurso da D. Joana após o diagnóstico de câncer.
Depois do laudo histopatológico indicando câncer de mama, a Central de Regulação direcionou D. Joana para a Oferta de Cuidados Integrados (OCI) no CACON de referência em Minas Gerais. O percurso da usuária foi otimizado em uma única linha de cuidado concentrada:
Ela passou pela consulta especializada e realizou a biópsia de fragmento.
Ao longo de todo o processo, a equipe da APS manteve o acompanhamento da usuária coordenando o cuidado entre os diferentes pontos da rede, fortalecendo o vínculo, esclarecendo dúvidas, acolhendo suas preocupações e garantindo a continuidade da assistência.
Após a confirmação do diagnóstico e a definição do plano terapêutico pela equipe do CACON, a contrarreferência foi encaminhada à Atenção Primária à Saúde (APS), conforme o fluxo estabelecido na rede de atenção local, garantindo o compartilhamento das informações necessárias para a continuidade do cuidado.
A equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) organizou o retorno de D. Joana e elaborou, de forma compartilhada, um Projeto Terapêutico Singular (PTS), considerando suas necessidades de saúde, seu contexto de vida e as orientações do serviço especializado.
O vínculo construído entre Dona Joana e a equipe de Saúde da Família foi fundamental para fortalecer sua confiança, apoiar a tomada de decisões e favorecer a adesão ao tratamento oncológico (quimioterapia neoadjuvante), mantendo a continuidade e a coordenação do cuidado.
O acompanhamento passou a ser realizado de forma compartilhada entre o CACON e a Atenção Primária à Saúde (APS):
Dessa forma, a APS manteve a coordenação do cuidado articulando as ações entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde e garantindo a continuidade da assistência ao longo de todo o tratamento.
Estamos chegando ao final desta aula. Antes de concluir, realize a atividade a seguir.
Que tal exercitar um pouco, antes de concluir esta aula?
Com base em seus estudos, quais ações você deve levar para a sua UBS?
Arraste e solte 10 ações para o campo indicado.
Chegamos ao final desta aula, em que estudamos a atuação da APS na coordenação do cuidado da pessoa com suspeita ou diagnóstico de câncer – desde a identificação dos sinais de alerta até o acompanhamento na rede especializada e a continuidade do cuidado no território.
Acreditamos que muitos desses conhecimentos já fazem parte de sua vivência profissional; outros precisam ser agregados, para auxiliar nas decisões, nos registros, encaminhamentos e no acompanhamento de cada usuário da rede.
E temos uma oportunidade para praticar o que foi estudado até aqui!
Após a leitura do e-book, realize a Atividade Simulada (disponível no AVA). Nesta atividade, você acompanhará o caso de uma paciente e construirá seu Plano de Cuidado conforme aprendido no Capítulo 6.
Mãos à obra!
Continue sua trajetória formativa!
Para alcançar um bom desempenho nos estudos, é fundamental acessar e utilizar todos os recursos didáticos disponibilizados na disciplina. Nesse sentido, recomendamos que você:
Até a próxima disciplina!
FICHA TÉCNICA
Em validação
Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves – SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – SAPS/MS
Ana Paula Neves Marques de Pinho – A.C. Camargo
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Mauro Junqueira – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS
Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Danylo Santos Silva Vilaça – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata – CONASEMS
Marta de Sousa Lima – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – CONASEMS
Thais Coutinho de Oliveira – SAPS/MS
Elaboração de conteúdo:
Brígida Gimenez Carvalho
João Felipe Marques da Silva
Designer educacional:
Alexandra da Silva Gusmão – CONASEMS
Coordenação de desenvolvimento gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS
Desenvolvimento Web:
Aidan Bruno – CONASEMS
Alexandre Itabayana – CONASEMS
Caroline Boaventura – CONASEMS
Projeto Gráfico e Design de Experiência:
Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS
Ilustração:
Lucas Corrêa Mendonça – CONASEMS
Revisão Linguística:
Renata Pires – CONASEMS
Fotografias e ilustrações:
Biblioteca do Banco de Imagens do Conasems
Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Flickr Ministério da Saúde
Flickr CONASEMS
Flickr Secretaria de Saúde do Distrito Federal
Envato Elements
https://elements.envato.com
Freepik
https://br.freepik.com
Pexels
https://www.pexels.com/pt-br/
Após a realização das OCI, o usuário segue em acompanhamento contínuo pela Atenção Primária à Saúde, que mantém o papel de coordenadora do cuidado, podendo compartilhar o caso com a Atenção Ambulatorial Especializada (AAE), conforme a complexidade e necessidade clínica.
Nesse sentido, as OCI fortalecem a APS como ordenadora da rede, ao mesmo tempo em que qualificam o percurso assistencial, promovendo maior resolutividade, continuidade e segurança no cuidado (BRASIL, 2025; MENDES, 2015).
Iniquidades em saúde são diferenças no estado de saúde e no acesso aos serviços, que se mostram sistemáticas, injustas, evitáveis e geradas por profundas divisões sociais, econômicas, raciais e regionais.
A Lei nº 13.896/2019 – Lei dos 30 dias – estabelece que pacientes com suspeita de câncer no SUS têm direito à realização de exames diagnósticos no prazo máximo de 30 dias após suspeita.
Já a Lei nº 12.732/2012 – Lei dos 60 dias – determina que pacientes com câncer diagnosticado no SUS devem iniciar o tratamento, seja cirúrgico, quimioterápico ou radioterápico, no prazo máximo de 60 dias após confirmação do diagnóstico.
Pessoas imunossuprimidas – como indivíduos vivendo com HIV, transplantados ou em tratamento oncológico – podem ser vacinadas até os 45 anos, seguindo esquemas diferenciados.
Quase lá, mas você ainda não teve confirmada a visualização desta aula interativa porque não interagiu com link’s importantes para o seu processo de aprendizagem. Recomece a aula e não esqueça de interagir, pois só assim terá cumprido os requisitos para conclusão da disciplina.
No Smartphone
Arraste para baixo e para cima.
No computador
Role o scroll para baixo e para cima.
Menu
Clique para visualizar os tópicos.