Acompanhamento
Construir vínculo e acompanhar regularmente o paciente e sua família no território.
Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde – APS
Módulo VII – Oncologia na APS
Disciplina 16
Cuidados Paliativos na APS em Pacientes Oncológicos
Dando continuidade ao Módulo VII – Oncologia na APS, iniciaremos agora os estudos da Disciplina 16 – Cuidados Paliativos na APS em Pacientes Oncológicos.
Os cuidados paliativos são uma abordagem voltada à promoção da qualidade de vida e ao alívio do sofrimento de pessoas com doenças que ameaçam ou limitam a vida. Diferentemente da ideia de que se destinam apenas ao período final da vida, podem ser iniciados precocemente e integrados ao tratamento da doença.
Na Atenção Primária à Saúde (APS), essa abordagem envolve o cuidado contínuo da pessoa e de sua família, considerando suas necessidades, valores e preferências e articulando o cuidado com os demais serviços da Rede de Atenção à Saúde (RAS).
Para começar essa trajetória, avance para conhecer os objetivos de aprendizagem da disciplina.
Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de:
Clique nas setas para navegar.
Reconhecer necessidades de cuidados paliativos de pessoas com condições que ameaçam ou limitam a vida, no âmbito da APS.
Aplicar os princípios da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) no cotidiano da APS.
Coordenar o cuidado paliativo em rede, considerando os princípios da integralidade e da equidade.
Atuar de forma interprofissional e centrada nas necessidades e nas preferências da pessoa.
Comunicar-se de forma ética e empática em situações de doença grave e de fim de vida.
O cuidado ao paciente oncológico transcende o tratamento da doença em si. Ao longo da jornada terapêutica, o surgimento de sintomas físicos, demandas emocionais, incertezas quanto ao prognóstico e dilemas decisórios exigem uma abordagem integrada e centrada na pessoa.
É nesse contexto que os cuidados paliativos se tornam fundamentais, podendo ser integrados precocemente ao acompanhamento oncológico. Esta disciplina explora os fundamentos dessa abordagem, sua estruturação e seu papel essencial na coordenação e na qualificação do cuidado.
Prossiga para a primeira temática e aprofunde-se nos conceitos que norteiam a prática dos cuidados paliativos.
Na APS, o cuidado vai muito além do manejo clínico de doenças graves, progressivas ou que ameaçam a vida.
Nesses contextos, cuidar exige uma abordagem integral que reconhece e acolhe o sofrimento em suas múltiplas dimensões, valoriza as preferências e a história da pessoa e estabelece, em parceria com ela e seus familiares, um plano de cuidado personalizado, alinhado à sua trajetória de vida.
Mas, afinal, como cuidar diante de uma condição que ameaça a vida?
Clique nos ícones para descobrir.
Aliviar o sofrimento
Os cuidados paliativos buscam prevenir e aliviar o sofrimento, considerando dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais.
Aliviar o sofrimento
Os cuidados paliativos buscam prevenir e aliviar o sofrimento, considerando dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais.
Cuidar desde cedo
Os cuidados paliativos podem ser iniciados desde o diagnóstico de uma condição que ameaça a vida, em conjunto com os tratamentos modificadores da doença.
Olhar para a pessoa
O cuidado não se limita ao diagnóstico. É preciso considerar a história de vida, os valores, as relações, as necessidades e as preferências da pessoa.
Olhar para a pessoa
O cuidado não se limita ao diagnóstico. É preciso considerar a história de vida, os valores, as relações, as necessidades e as preferências da pessoa.
Cuidar em equipe e em rede
Na APS, diferentes profissionais contribuem para reconhecer necessidades, apoiar a pessoa e sua família e articular o cuidado com a RAS.
Cuidar em equipe e em rede
Na APS, diferentes profissionais contribuem para reconhecer necessidades, apoiar a pessoa e sua família e articular o cuidado com a RAS.
Cuidar desde cedo
Os cuidados paliativos podem ser iniciados desde o diagnóstico de uma condição que ameaça a vida, em conjunto com os tratamentos modificadores da doença.
Esse olhar ampliado para o cuidado também se traduz na atuação de cada profissional da equipe.
Independentemente da formação ou da função exercida, todos podem contribuir para a qualidade do cuidado paliativo no território, por meio da escuta, da identificação de situações que exigem atenção, do apoio à família e da articulação com outros profissionais e serviços.
Compreender os fundamentos dos cuidados paliativos é, portanto, uma oportunidade de qualificar a prática cotidiana e fortalecer um cuidado mais humano, resolutivo e alinhado aos princípios do SUS.
A seguir, veja como essa atuação pode se concretizar em uma situação do cotidiano da APS.
Na prática!
Uma paciente com câncer avançado recebe alta hospitalar e retorna para casa, com prescrição de opioides para controle da dor e necessidade de oxigenoterapia domiciliar e de auxílio para realizar atividades básicas do dia a dia.
Após a alta, a equipe da APS realiza uma visita domiciliar para conhecer a situação do paciente e de sua família. Durante a visita, avalia os sintomas, orienta os cuidadores sobre o uso das medicações e dos equipamentos, identifica outras necessidades e organiza o acompanhamento pela equipe multiprofissional.
Essa atuação permite que a equipe acompanhe o paciente no território, antecipe possíveis complicações e ofereça maior segurança e suporte ao paciente e à família.
Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP)
Para que os cuidados paliativos estejam presentes em toda a Rede de Atenção à Saúde (RAS), a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) orienta a organização e a atuação dos profissionais.
Nesse processo, a APS ocupa uma posição estratégica, por estar próxima da comunidade e acompanhar as pessoas ao longo do tempo. Entre suas características, destacam-se:
Essas características favorecem a identificação precoce de situações de sofrimento, a antecipação de demandas e a coordenação do cuidado com os demais pontos da RAS, especialmente nas transições entre os serviços de saúde e o domicílio.
Na APS, o cuidado paliativo concretiza-se a partir da atuação articulada da equipe.
A seguir, entenda como cada profissional pode contribuir nesse processo.
O papel da equipe multiprofissional da APS no cuidado paliativo
Os cuidados paliativos na APS são construídos em equipe. Cada profissional contribui a partir de seus conhecimentos e de sua área de atuação, em diálogo com a pessoa acompanhada e sua família.
Essa atuação compartilhada permite reconhecer diferentes necessidades e construir estratégias de cuidado de forma integrada.
Explore a atuação de cada profissional no cuidado paliativo clicando sobre eles.
ACS/TACS
Identifica mudanças no estado funcional, sinais de sofrimento emocional e situações de sobrecarga do cuidador durante as visitas e o acompanhamento no território.
Técnico(a) ou auxiliar de enfermagem
Identifica dificuldades no uso de medicamentos, dor não controlada e alterações clínicas durante o acompanhamento cotidiano, comunicando-as à equipe.
Enfermeiro(a)
Avalia necessidades, planeja o cuidado e acompanha a evolução da pessoa, articulando condutas com a equipe e os demais serviços da RAS.
Médico(a)
Avalia sintomas e condições clínicas, planeja o cuidado, ajusta condutas e articula o acompanhamento com os demais pontos da RAS.
Assistente social
Compreende as condições de vida da pessoa e da família, facilita o acesso a direitos e fortalece redes de apoio diante de situações de vulnerabilidade.
Psicólogo(a)
Apoia a pessoa e a família no enfrentamento do sofrimento emocional relacionado ao processo de adoecimento.
Fique atento!
Outros profissionais da equipe também podem participar do cuidado paliativo, de acordo com suas áreas de atuação e as necessidades identificadas, contribuindo para o cuidado integral do paciente e de sua família.
Ações fundamentais da APS em cuidados paliativos.
Como vimos, cada profissional tem um papel importante na construção dos cuidados paliativos. Esse trabalho compartilhado ganha ainda mais relevância na APS, reconhecida pela Política Nacional de Cuidados Paliativos e pelos manuais do Ministério da Saúde como estratégica para o desenvolvimento de ações de cuidado paliativo.
Clique nos pontos de interação para conhecer as principais ações da APS em cuidados paliativos.
Construir vínculo e acompanhar regularmente o paciente e sua família no território.
Articular o cuidado com serviços especializados, atenção domiciliar, hospitais e rede de apoio social.
Reconhecer sinais de sofrimento, declínio funcional e desafios enfrentados pelo paciente e sua rede de apoio.
Considerar necessidades, limites e potencialidades da família e dos cuidadores ao longo do processo de cuidado.
Outra ação importante da APS é a avaliação e o manejo das necessidades de cuidado, que envolvem a identificação e o controle de sintomas, a orientação ao paciente e à família e a construção compartilhada de objetivos alinhados aos valores e às preferências da pessoa.
Para observar como essas ações se concretizam na prática, clique aqui, acesse o e-book da disciplina e conheça o caso de Maria, de 68 anos, com diagnóstico de câncer de mama metastático e acompanhamento oncológico irregular. Veja como a equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) fortaleceu o cuidado paliativo ao longo de sua trajetória.
O cuidado paliativo na APS é construído de forma contínua. Para organizar essa atuação, a equipe pode percorrer diferentes etapas, desde a identificação das necessidades até a reavaliação do cuidado.
Clique em cada etapa para conhecer como a equipe organiza esse cuidado.
Reconhecer sinais de necessidades paliativas, sofrimento, declínio funcional ou sobrecarga da rede de apoio.
Realizar avaliação integral das necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais.
Definir, junto à pessoa e à família, as necessidades mais urgentes e os objetivos de cuidado.
Construir um Plano de Cuidado Compartilhado com definição de ações, responsabilidades e metas.
Acionar serviços especializados, atenção domiciliar e recursos comunitários quando necessário.
Manter monitoramento contínuo por meio de consultas, visitas domiciliares e contatos com a rede de apoio.
Revisar periodicamente as necessidades e ajustar o Plano de Cuidado Compartilhado conforme a evolução da situação.
#Fica a dica!
Esse processo nem sempre acontece de forma linear. À medida que a condição de saúde se modifica, a equipe pode retomar etapas, rever prioridades e ajustar o plano de cuidado.
Por isso, reconhecer precocemente quem pode se beneficiar dos cuidados paliativos é um passo importante para que a APS possa atuar de forma oportuna e coordenada.
Na próxima temática, vamos aprofundar justamente esse primeiro passo: como identificar precocemente as necessidades paliativas no território.
Como vimos na temática anterior, identificar precocemente quem pode se beneficiar dos cuidados paliativos é uma importante atribuição da APS.
Para isso, a equipe precisa estar atenta a sinais de sofrimento e mudanças nas necessidades da pessoa e de sua família.
A escuta qualificada, a observação e o acompanhamento contínuo ajudam a equipe a reconhecer essas necessidades e antecipar o cuidado, contribuindo para reduzir o sofrimento e promover qualidade de vida (Souza et al., 2022; Brasil, 2024).
Por que é importante identificar as necessidades paliativas precocemente no território?
A identificação precoce permite à equipe da APS antecipar o cuidado, planejar intervenções e oferecer suporte de acordo com a situação de cada pessoa e de sua família.
Essa atuação contribui para melhorar o controle dos sintomas, prevenir complicações, fortalecer o cuidado no domicílio e favorecer a participação da pessoa nas decisões sobre seu tratamento e acompanhamento.
Mova a seta para comparar os efeitos da identificação precoce e tardia.
Quando a equipe reconhece as necessidades com antecedência:
Quando as necessidades são reconhecidas apenas diante do agravamento:
#Fica a dica!
A identificação de necessidades paliativas é uma responsabilidade de toda a equipe. Ela pode acontecer em diferentes momentos do cotidiano da APS, como nas visitas domiciliares, nas consultas, nos acolhimentos e no acompanhamento no território.
Fique atento a sinais como:
Compartilhar essas informações com a equipe amplia a compreensão da situação e favorece a identificação precoce de necessidades paliativas (Souza et al., 2022).
A seguir, observe alguns critérios práticos frequentemente utilizados na APS para identificar essas necessidades.
Critérios práticos para identificar necessidades paliativas na APS
No cotidiano do território, alguns sinais podem indicar que a pessoa precisa de uma avaliação mais cuidadosa da equipe.
Clique nos cards e observe situações que podem indicar necessidades paliativas.
Doença oncológica avançada ou outra condição grave e progressiva.
Declínio funcional progressivo e aumento da dependência para atividades cotidianas.
Dor, dispneia, fadiga persistente ou outros sintomas que permanecem apesar das intervenções.
Internações recorrentes ou procura frequente por serviços de urgência.
Sinais de esgotamento físico ou emocional de quem participa do cuidado.
Isolamento social, barreiras de acesso ou outras condições que dificultam a continuidade do cuidado.
Fique atento!
Esses critérios não devem ser utilizados de forma isolada ou rígida. São sinais de alerta que ajudam a equipe a reconhecer quando é necessário ampliar a escuta, avaliar as necessidades e planejar o cuidado.
Mudanças persistentes nas necessidades de cuidado, aumento da dependência e preocupações da pessoa ou de sua família com a evolução da doença também merecem atenção (Brasil, 2023).
Além dos sinais observados no acompanhamento do território, algumas estratégias simples podem ajudar a equipe a identificar precocemente pessoas que podem se beneficiar dos cuidados paliativos.
Uma delas é a Pergunta Surpresa, que pode ser utilizada como um sinal de alerta durante a avaliação da pessoa.
Clique aqui para descobrir a Pergunta Surpresa.
A Pergunta Surpresa não deve ser utilizada isoladamente para definir prognóstico ou indicar cuidados paliativos.
Ela funciona como um sinal de alerta para situações que podem exigir uma avaliação mais ampla, o planejamento antecipado do cuidado e a utilização de instrumentos complementares, como o SPICT®.
Ferramentas de apoio para o acompanhamento em cuidados paliativos na APS
Além dos sinais observados no acompanhamento no território, instrumentos estruturados podem apoiar a equipe na identificação de necessidades paliativas e no acompanhamento da pessoa e de sua família.
Clique nas abas para conhecer algumas ferramentas que podem contribuir para esse processo.
Para que serve?
O SPICT® (Ferramenta de Indicadores de Cuidados de Suporte e Paliativos), do inglês Supportive and Palliative Care Indicators Tool reúne indicadores clínicos e funcionais que ajudam a identificar pessoas com doenças avançadas que podem se beneficiar de uma abordagem paliativa.
O que observar?
No contexto oncológico, podem chamar a atenção a deterioração progressiva da capacidade funcional, a fragilidade clínica e o aumento das necessidades de controle de sintomas e de cuidados (Highet et al., 2014; Brasil, 2023).
Como pode apoiar a equipe?
Na APS, a ferramenta pode apoiar a identificação de situações que merecem avaliação ampliada, planejamento do cuidado e acompanhamento mais próximo.
Para que serve?
A Escala de Sobrecarga do Cuidador de Zarit avalia o impacto físico, emocional e social do cuidado prolongado sobre o cuidador principal.
O que observar?
Escores mais elevados indicam maior sobrecarga, sinalizando a necessidade de atenção e acompanhamento do cuidador.
Como pode apoiar a equipe?
Os resultados podem orientar ações como apoio psicossocial, educação em saúde, reorganização do cuidado e fortalecimento da rede de apoio, contribuindo para a proteção do cuidador e a qualificação do cuidado domiciliar (Brasil, 2013; Souza et al., 2022). Pode ser aplicada em consultas, visitas domiciliares e outras atividades de acompanhamento, conforme a necessidade identificada pela equipe.
Para que serve?
A Escala de Desempenho em Cuidados Paliativos (EDCP), do inglês Palliative Performance Scale (PPS) avalia a funcionalidade da pessoa a partir de aspectos como deambulação, atividade, autocuidado, ingestão alimentar e nível de consciência.
O que observar?
De modo geral, escores mais elevados indicam maior independência, enquanto escores mais baixos sugerem maior dependência e necessidade de cuidados mais intensivos.
Como pode apoiar a equipe?
A aplicação periódica permite acompanhar mudanças na funcionalidade, discutir objetivos de cuidado e planejar intervenções de acordo com as necessidades da pessoa e de sua rede de apoio (Brasil, 2023; Brasil, 2024).
Para que serve?
O SPICT® (Ferramenta de Indicadores de Cuidados de Suporte e Paliativos), do inglês Supportive and Palliative Care Indicators Tool reúne indicadores clínicos e funcionais que ajudam a identificar pessoas com doenças avançadas que podem se beneficiar de uma abordagem paliativa.
O que observar?
No contexto oncológico, podem chamar a atenção a deterioração progressiva da capacidade funcional, a fragilidade clínica e o aumento das necessidades de controle de sintomas e de cuidados (Highet et al., 2014; Brasil, 2023).
Como pode apoiar a equipe?
Na APS, a ferramenta pode apoiar a identificação de situações que merecem avaliação ampliada, planejamento do cuidado e acompanhamento mais próximo.
Para que serve?
A Escala de Sobrecarga do Cuidador de Zarit avalia o impacto físico, emocional e social do cuidado prolongado sobre o cuidador principal.
O que observar?
Escores mais elevados indicam maior sobrecarga, sinalizando a necessidade de atenção e acompanhamento do cuidador.
Como pode apoiar a equipe?
Os resultados podem orientar ações como apoio psicossocial, educação em saúde, reorganização do cuidado e fortalecimento da rede de apoio, contribuindo para a proteção do cuidador e a qualificação do cuidado domiciliar (Brasil, 2013; Souza et al., 2022). Pode ser aplicada em consultas, visitas domiciliares e outras atividades de acompanhamento, conforme a necessidade identificada pela equipe.
Para que serve?
A Escala de Desempenho em Cuidados Paliativos (EDCP), do inglês Palliative Performance Scale (PPS) avalia a funcionalidade da pessoa a partir de aspectos como deambulação, atividade, autocuidado, ingestão alimentar e nível de consciência.
O que observar?
De modo geral, escores mais elevados indicam maior independência, enquanto escores mais baixos sugerem maior dependência e necessidade de cuidados mais intensivos.
Como pode apoiar a equipe?
A aplicação periódica permite acompanhar mudanças na funcionalidade, discutir objetivos de cuidado e planejar intervenções de acordo com as necessidades da pessoa e de sua rede de apoio (Brasil, 2023; Brasil, 2024).
Fique atento!
As ferramentas apresentadas não estão incorporadas aos instrumentos oficiais do SUS e devem ser compreendidas como recursos complementares. Elas podem ampliar o olhar da equipe, mas não substituem a avaliação clínica nem a escuta qualificada.
Quando utilizadas de forma criteriosa e integrada à prática profissional, podem ajudar a acompanhar a pessoa, reconhecer novas necessidades e qualificar o planejamento do cuidado.
#Fica a dica!
O cuidado paliativo na APS é um processo contínuo. Identificar as necessidades é apenas o primeiro passo. A equipe também precisa acompanhar a evolução da pessoa, reavaliar suas necessidades e ajustar o plano de cuidado sempre que necessário.
Esse acompanhamento permite reconhecer mudanças no quadro, apoiar a pessoa e sua família e articular outros pontos da rede quando as necessidades ultrapassarem a capacidade de cuidado da APS, fortalecendo a coordenação e a continuidade do cuidado.
Para observar como os conceitos, os instrumentos e as ferramentas abordados nesta temática podem ser aplicados na prática, clique aqui e acompanhe um caso prático no e-book da disciplina.
Na próxima temática, avançaremos no cuidado do paciente oncológico na APS, aprofundando o reconhecimento e o manejo dos sintomas, com foco na redução do sofrimento, na qualidade de vida e na continuidade do cuidado ao longo da trajetória da doença.
Antes de definir intervenções para o manejo dos sintomas, é importante avaliar de forma abrangente as necessidades da pessoa.
Nos cuidados paliativos, isso envolve compreender os sintomas presentes e seu impacto na funcionalidade e na qualidade de vida, além da condição de saúde, dos aspectos psicossociais e dos objetivos de cuidado.
No paciente oncológico, também é necessário considerar a evolução da doença, o tratamento em curso e seus possíveis efeitos, pois essas informações orientam a escolha das intervenções e o planejamento do cuidado.
Por que o manejo de sintomas é importante na APS?
No cuidado ao paciente oncológico, diferentes sintomas podem surgir ao longo da trajetória da doença e dos tratamentos.
Acompanhá-los de forma adequada contribui para reduzir o sofrimento e preservar a qualidade de vida.
Clique nos destaques para conhecer os principais sintomas.
Dor, ansiedade e sofrimento emocional.
Dispneia (falta de ar).
Fadiga.
Náuseas e vômitos.
Fique atento!
Reconhecer precocemente os sintomas e compreender sua intensidade, impacto na funcionalidade e repercussões para a pessoa e sua família permite intervir antes que o sofrimento se agrave.
A partir dessa avaliação, a equipe da APS pode organizar ações de manejo de forma integrada e contínua, como veremos a seguir.
Ações da APS no manejo de sintomas
A equipe pode organizar o manejo de sintomas a partir de ações integradas ao acompanhamento cotidiano:
Em todas essas ações, o cuidado deve considerar os valores, as preferências e os objetivos da pessoa e de sua rede de apoio (Brasil, 2023; Brasil, 2024).
Manejo inicial da dor na APS
Observe o esquema a seguir e acompanhe as etapas para compreender como pode ser organizado o manejo inicial da dor na Atenção Primária à Saúde (APS) em cuidados paliativos:
O primeiro passo é compreender a dor e seu impacto na vida da pessoa. Para isso, é importante:
A conduta deve considerar as características e a duração da dor, podendo ser:
Após a intervenção, a equipe deve acompanhar a resposta e ajustar o cuidado, quando necessário:
manter o acompanhamento na APS.
reavaliar a situação e ajustar doses e estratégias terapêuticas.
Algumas situações podem exigir avaliação especializada ou articulação com outros pontos da rede, como:
#Fica a dica!
O Serviço Social tem papel estratégico nos cuidados paliativos na APS, especialmente na identificação de condições sociais e econômicas que podem facilitar ou dificultar o cuidado no território. Sua atuação pode envolver:
Ao considerar essas dimensões, o Serviço Social contribui para que o cuidado seja viável e adequado à realidade da pessoa e de sua família (Brasil, 2013; Brasil, 2023).
O manejo de sintomas deve estar organizado em um Projeto Terapêutico Singular (PTS), construído com a pessoa e sua família e com responsabilidades claramente pactuadas entre os profissionais da equipe.
O PTS deve ser registrado, compartilhado e revisado periodicamente pela equipe. Sua construção envolve identificar necessidades prioritárias, definir objetivos de cuidado, estabelecer ações, pactuar responsabilidades e acompanhar os resultados, realizando ajustes sempre que necessário.
O acompanhamento contínuo permite avaliar a resposta às intervenções e decidir se o cuidado pode permanecer na APS ou se é necessário articulá-lo com outros pontos da RAS.
Clique nas abas e observe as duas possibilidades.
#Fica a dica!
A construção do Projeto Terapêutico Singular envolve identificar as necessidades prioritárias da pessoa e de sua rede de apoio, definir objetivos de cuidado de forma compartilhada, estabelecer as ações necessárias e pactuar responsabilidades entre os envolvidos.
Esse planejamento favorece o acompanhamento longitudinal e a coordenação do cuidado pela APS.
Para exercitar seu papel no manejo de sintomas, leia o Caso Prático 3, disponível no e-book da disciplina. Ele apresenta a situação do Sr. João, paciente com câncer de próstata metastático.
Após a leitura, exercite o preenchimento do “Modelo de PTS para Uso das Equipes”, disponível nos materiais complementares da disciplina 6, que você pode acessar clicando aqui.
Na APS, a comunicação de notícias difíceis faz parte do cuidado paliativo. Pode envolver diagnóstico, progressão da doença, mudanças no tratamento e questões relacionadas à finitude da vida.
A comunicação deve ser ética, respeitosa e centrada na pessoa, considerando seus valores, preferências e o quanto ela deseja saber sobre sua condição e prognóstico (Brasil, 2023; Brasil, 2024).
Observe algumas perguntas que podem ajudar:
Conheça, a seguir, os tipos de luto que podem acontecer em relação ao paciente oncológico.
Luto esperado ou antecipatório
Luto complicado
Roteiro prático para comunicação na APS
A APS deve estar atenta ao impacto do sofrimento e à necessidade de acompanhamento mais próximo, especialmente quando houver agravamento de condições clínicas ou de saúde mental preexistentes.
Durante os atendimentos, visitas domiciliares ou contatos com familiares, algumas perguntas podem ajudar a qualificar a comunicação.
Clique nos ícones para conhecê-las.
Compreender a percepção da pessoa e da família
“O que vocês compreenderam sobre a condição de saúde neste momento?”
Identificar necessidades e preocupações
“Quais são suas maiores dúvidas ou preocupações hoje?”
Explorar valores e preferências
“O que é mais importante para você neste momento do cuidado?”
Definir objetivos de cuidado compartilhados
“O que esperamos alcançar juntos com o tratamento e o acompanhamento da equipe?”
Confirmar o entendimento e o plano de cuidado
“Ficou alguma dúvida sobre as orientações ou os próximos passos?”
#Fica a dica!
Esse roteiro ajuda a promover uma comunicação acolhedora, fortalecer a tomada de decisão compartilhada e alinhar o Plano de Cuidado Compartilhado aos valores, objetivos e necessidades da pessoa e de sua família (Brasil, 2024).
Para saber mais sobre a comunicação com a família após o óbito, clique aqui e acesse o e-book da disciplina.
Princípios bioéticos em cuidados paliativos na APS
Os cuidados paliativos são orientados por princípios bioéticos que apoiam as decisões clínicas, a comunicação com pessoas e famílias e a organização do cuidado.
A Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) reforça o respeito à dignidade, à autonomia e aos valores da pessoa, com decisões compartilhadas e cuidado integral. Nesse processo, a APS tem papel central na coordenação do cuidado (Brasil, 2024).
Clique nos conceitos e veja como eles se relacionam com a prática na APS.
Decisão compartilhada
Cuidado baseado na pessoa,
em seus valores,
necessidades e preferências.
Autonomia
O que significa
Direito da pessoa de participar das decisões sobre o seu cuidado.
Como aplicar na APS
Beneficência
O que significa
Agir em benefício da pessoa, promovendo conforto e qualidade de vida.
Como aplicar na APS
Não maleficência
O que significa
Evitar causar danos físicos, emocionais ou sociais.
Como aplicar na APS
Cuidado centrado na pessoa e na família
O que significa
Considerar a pessoa, sua família e sua rede de apoio como parte do cuidado.
Como aplicar na APS
Dignidade
O que significa
Reconhecer a pessoa como sujeito de direitos.
Como aplicar na APS
Justiça
O que significa
Garantir o uso equitativo e responsável dos recursos de saúde.
Como aplicar na APS
Reuniões e capacitação da equipe na APS
A comunicação e a decisão compartilhada na APS podem ser fortalecidas por meio de reuniões multidisciplinares regulares. Esses momentos permitem discutir os casos, alinhar as informações e definir estratégias conjuntas para a comunicação com a pessoa e sua família.
Na prática, a equipe pode:
Essas estratégias contribuem para uma atuação integrada da equipe e fortalecem a coordenação do cuidado pela APS, conforme preconiza a PNCP (Brasil, 2024).
Clique aqui para fazer o download do Roteiro Prático: Conversas Difíceis na APS
Esse roteiro foi elaborado para apoiar as equipes multiprofissionais na condução de conversas difíceis, na identificação de valores e preferências e na construção do Plano de Cuidado Compartilhado.
#Fica a dica!
Como vimos ao longo desta temática, o cuidado paliativo envolve também o acompanhamento da família e dos cuidadores, considerando as dificuldades, as necessidades e os possíveis impactos do processo de adoecimento.
Nesse acompanhamento, é importante que a equipe esteja atenta à sobrecarga dos cuidadores, que pode afetar sua saúde, seu bem-estar e a própria continuidade do cuidado.
Para avaliar essa sobrecarga, a equipe pode contar com a Escala de Zarit, um instrumento que ajuda a identificar e avaliar a sobrecarga vivenciada por cuidadores de pessoas idosas. Clique aqui para conhecer a escala e compreender como ela pode ser utilizada na prática.
A sua aplicação pode ajudar a equipe a perceber quando o cuidador precisa de mais apoio e a pensar em estratégias de cuidado que considerem a realidade da família.
Ao longo desta disciplina, vimos que os cuidados paliativos na APS dependem da articulação entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde, com fluxos de referência e contrarreferência que favoreçam a continuidade do cuidado e evitem sua fragmentação (Brasil, 2023).
Também compreendemos como o acompanhamento longitudinal, o manejo dos sintomas, a comunicação ética e a decisão compartilhada podem contribuir para um cuidado mais seguro, humanizado e próximo da pessoa e de sua família (ANCP, 2019). Nesse contexto, reuniões multiprofissionais, protocolos e educação permanente fortalecem a atuação das equipes e a coordenação do cuidado pela APS.
Cuidar em cuidados paliativos é reconhecer a pessoa em sua integralidade, respeitando seus valores, suas necessidades e sua dignidade. Esse compromisso se concretiza no cotidiano da APS, por meio do vínculo, da escuta, da coordenação do cuidado e do trabalho compartilhado.
Continue sua trajetória formativa!
Para alcançar um bom desempenho nos estudos, é fundamental acessar e utilizar todos os recursos didáticos disponibilizados na disciplina. Nesse sentido, recomendamos que você:
Até a próxima disciplina!
FICHA TÉCNICA
Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves – SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – SAPS/MS
Ana Paula Neves Marques de Pinho – A.C. Camargo
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Mauro Junqueira – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS
Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Danylo Santos Silva Vilaça – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata – CONASEMS
Marta de Sousa Lima – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – CONASEMS
Thaís Coutinho de Oliveira – SAPS/MS
Elaboração de Conteúdo:
Adriana Santos Barbosa
Designer Educacional:
Gustavo Henrique Faria Barra – CONASEMS
Coordenação de Desenvolvimento Web e Gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS
Desenvolvimento Web:
Alexandre Itabayana – CONASEMS
Caroline Boaventura – CONASEMS
Projeto Gráfico e Design de Experiência:
Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS
Ilustração:
Lucas Corrêa Mendonça – CONASEMS
Revisão Linguística:
Renata Alves Pires – CONASEMS
Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Flickr CONASEMS
Flickr Ministério da Saúde
Flickr OPAS
Freepik
https://br.freepik.com
“Você se surpreenderia se esta pessoa morresse nos próximos 12 meses?”
Se a resposta for “NÃO”, a situação merece uma avaliação mais aprofundada das condições clínicas, funcionais e psicossociais e das necessidades de cuidado.
No Smartphone
Arraste para baixo e para cima.
No computador
Role o scroll para baixo e para cima.
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Campo de anotações
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No Smartphone
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No computador
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