Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde – APS

Módulo VIII – Saúde Mental na APS

Disciplina 19

Saúde Mental na APS III

Chegamos à última etapa dos estudos do Módulo VIII – Saúde Mental na APS.

Nesta Disciplina 19 – Saúde Mental III, convidamos você a aprofundar o olhar sobre o cuidado em saúde mental relacionado ao uso de álcool e outras drogas, a partir da realidade da Atenção Primária à Saúde (APS).

A proposta é ampliar o olhar sobre essas situações, reconhecendo a complexidade que envolve o uso de substâncias e o papel da APS na promoção da saúde, na prevenção, no acolhimento, no acompanhamento longitudinal e na coordenação do cuidado em articulação com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Ao longo da disciplina, você vai conhecer diferentes possibilidades de cuidado, estratégias de redução de danos, formas de manejo de situações de risco e crise e caminhos para o cuidado compartilhado com os demais pontos da rede.

Para iniciar esse percurso, avance e conheça os objetivos de aprendizagem da disciplina.

Objetivos de Aprendizagem

Ao final de seus estudos, espera-se que você seja capaz de: 

Clique nas setas para navegar.

Compreender o papel da APS no cuidado às pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, reconhecendo sua atuação na promoção da saúde, prevenção, acolhimento, acompanhamento longitudinal e coordenação do cuidado em articulação com os demais pontos da rede.

Diferenciar abordagens abstencionistas e de redução de danos, reconhecendo diferentes possibilidades de cuidado e compreendendo a redução de danos como estratégia orientadora do cuidado em saúde mental na APS.

Identificar situações de risco, sofrimento e vulnerabilidade relacionadas ao uso de substâncias, considerando a pessoa e o contexto, organizando o cuidado de forma singularizada e territorializada.

Reconhecer o papel da APS na promoção da saúde e na prevenção voltadas a crianças, jovens e adolescentes relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, por meio de ações territoriais e intersetoriais.

Conhecer estratégias para lidar com ambivalência, retorno ou intensificação do uso e situações de crise, sem romper vínculos ou recorrer automaticamente a práticas excludentes.

Conhecer estratégias de manejo clínico e psicossocial na APS, articuladas com a redução de danos, incluindo o manejo da abstinência, dentre outras.

Reconhecer quando e como acionar os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD) e outros pontos da rede, compreendendo o papel de cada serviço e evitando tanto o encaminhamento automático quanto a responsabilização isolada da APS.

Refletir criticamente sobre sua prática profissional, assumindo um compromisso possível de mudança no cuidado às pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas em seu território.

O cuidado às pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas envolve diferentes dimensões que precisam ser consideradas pela APS. Mais do que olhar para o uso da substância, é preciso compreender a pessoa, suas condições de vida e o contexto em que está inserida.

Ao longo desta disciplina, você vai conhecer diferentes padrões de uso de substâncias, estratégias de redução de danos e possibilidades de manejo clínico e psicossocial na APS. Também serão abordadas situações de risco e crise, ações de promoção e prevenção e o cuidado compartilhado com os demais pontos da Rede de Atenção Psicossocial.

Avance para a primeira temática e conheça as diferentes formas de compreender o uso de álcool e outras drogas e suas implicações para o cuidado em saúde mental.

Compreensão Ampliada do Uso de Álcool e Outras Drogas no Território

Antes de iniciar os estudos desta disciplina, precisamos compreender algo importante:

Inicialmente, podemos destacar que nem todo quadro do campo da psicose é grave em si, nem necessariamente vai demandar uma internação psiquiátrica ou representar algum perigo à sociedade que justifique isolamento (COSTA, 2010).

No campo da saúde, drogas são substâncias psicoativas que, quando consumidas, podem atuar no sistema nervoso central e provocar alterações na percepção, no humor, na consciência ou no comportamento.

Essas substâncias podem estar presentes em diferentes contextos e ter efeitos diversos. O álcool, o tabaco e outras substâncias psicoativas fazem parte desse universo. No cotidiano, porém, a palavra “droga” também pode aparecer de diferentes formas.

Clique nos cards e veja alguns exemplos.

Uso banal ou pejorativo

Como quando alguém fala “Essa droga de trabalho”.

Como expressão

Como quando alguém fala “Droga! Esqueci minha carteira em casa”.

Essas diferentes formas de compreender e falar sobre as drogas também influenciam a maneira como as pessoas que fazem uso dessas substâncias são percebidas e cuidadas.

Na APS, esse olhar precisa ir além do consumo da substância.

O cuidado deve considerar a pessoa, suas condições de vida e o território, reconhecendo os determinantes sociais, as potencialidades e as vulnerabilidades presentes em cada situação.

Nesse contexto, a redução de danos será abordada como uma perspectiva de cuidado que contribui para enfrentar a discriminação e o estigma, ampliar o acesso à saúde e fortalecer a produção de vida.

A partir dessa perspectiva, vamos conhecer diferentes formas de uso de substâncias e possibilidades de cuidado na APS.

Uso de álcool e outras drogas: escolhas individuais ou questões coletivas?

Quando pensamos na relação das pessoas com o álcool e outras drogas, algumas perguntas podem ampliar nossa forma de compreender essas situações.

Clique nos ícones e descubra algumas delas.

História e sociedade

Escolha e autonomia

Uso e prejuízos

Território

Essas perguntas nos ajudam a deslocar o olhar da substância para a pessoa e para o contexto em que ela vive, considerando suas condições de vida, relações, necessidades, potencialidades e vulnerabilidades. Dessa forma, o cuidado não se concentra apenas no uso da substância, mas busca compreender a pessoa em sua singularidade e as diferentes dimensões que atravessam sua experiência.

Pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas podem chegar aos serviços de diferentes formas. Algumas podem não procurar ajuda ou minimizar os prejuízos relacionados ao uso, especialmente diante do estigma e da discriminação.

Em outras situações, é um familiar quem procura a Unidade de Saúde, trazendo preocupações, conflitos e sobrecarga.

Na prática da APS, situações como essa podem acontecer, como no caso de Josilda, que veremos a seguir, preocupada com o marido, Alceu, e com as mudanças que o uso de álcool vem provocando na vida da família.

Caso prático de Dona Josilda

Ilustração do caso prático de Dona Josilda

Uma situação de cuidado em saúde mental na APS.

Josilda procura a UBS preocupada com o marido, Alceu, e com as mudanças que o uso de álcool vem provocando na vida da família. Acompanhe essa situação e observe os desafios que podem surgir para a equipe de saúde na construção do cuidado.

Clique nas setas para realizar a leitura completa do caso.

Josilda busca a UBS relatando que seu marido, Alceu, está bebendo cerveja todos os dias desde que perdeu o emprego. Inicialmente, a familiar considerava que era uma fase e esperava que ele conseguisse voltar a trabalhar.

Porém, com as negativas, todos os dias Josilda tem notícias de que seu marido se envolveu em brigas ou que ele chega a ficar alguns dias sem dormir em casa.

Como ele utiliza bebida alcoólica apenas à noite e esquece parte do que ocorre, nega que faça uso prejudicial e diz que bebe “só para se divertir” e que consegue parar sozinho.

Apesar disso, afirma se arrepender de passar pouco tempo em casa e de não estar conseguindo apoiar os filhos e a esposa. Josilda nota que Alceu não conta para ninguém que faz uso contínuo de bebida alcoólica.

Alceu passa a se isolar mais em casa quando não está sob efeito do álcool, por vergonha dos relatos relacionados ao seu uso e por se sentir mal. Ainda assim, ele não aceita buscar nenhum tipo de ajuda em saúde.

Josilda passa a perder o apoio do marido também no cuidado dos dois filhos e acumula dívidas, pois ninguém na casa está trabalhando e seu marido aumentou os gastos com bebida alcoólica.

Desde então, Josilda passou a chorar durante parte do dia e iniciou o uso de antidepressivos prescritos pelo médico da APS.

O ACS do território realiza uma visita no período da tarde, porém Alceu não está em casa, e Josilda pergunta o que poderia fazer.

Diante da complexidade da situação, o ACS aciona a equipe de Saúde da Família (eSF) e a equipe Multiprofissional (eMulti) para uma discussão conjunta, levantando a possibilidade de apoiar Josilda no enfrentamento da situação com o marido e ampliar os recursos não farmacológicos, como grupos terapêuticos e escuta qualificada.

Também é apontada a necessidade de realizar uma visita conjunta com o CAPS AD do território, em um momento em que Alceu esteja em casa, para buscar construir vínculo, compreender sua percepção sobre o uso e avaliar, junto a ele, estratégias de cuidado, além de apoiar Josilda.

Fim da leitura

Use a seta anterior para rever o caso.

Clique nas setas para passar as páginas.

#Fica a dica!

Situações como esta nos mostram o papel estratégico da APS no acolhimento de pessoas que nem sempre buscam atendimento. 

Inicialmente, isso pode acontecer porque a pessoa não reconhece seu uso como prejudicial. Posteriormente, ela pode se isolar por vergonha de situações vivenciadas ou pelo estigma e preconceito relacionados ao campo de álcool e outras drogas.

O cuidado começa, muitas vezes, pelo apoio às famílias, pela leitura do território e pela construção gradual de vínculos, reconhecendo que o estigma e a vergonha também podem afastar as pessoas do cuidado.

Por que a APS é um espaço privilegiado para o cuidado de pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas?

Porque está próxima das pessoas, das famílias e dos territórios. Essa proximidade possibilita acompanhar diferentes momentos da vida e reconhecer necessidades de saúde que podem não chegar espontaneamente aos serviços especializados.

Clique sobre os conceitos para visualizar o conteúdo.

Fique atento!

Ser um espaço privilegiado não significa cuidar de tudo sozinha. A APS atua em articulação com os demais pontos da rede, compartilhando o cuidado sempre que necessário.

Além disso, estar próxima das pessoas não significa que elas necessariamente chegarão até o serviço. A busca por cuidado pode ser dificultada pelo estigma, pelo preconceito, pelo medo de julgamentos e por experiências anteriores negativas nos serviços de saúde. 

Algumas pessoas também podem não reconhecer os prejuízos relacionados ao uso, não desejar mudar seu padrão de consumo naquele momento ou não saber onde buscar ajuda.

Como construir uma aproximação que favoreça o cuidado?

Quando a pessoa não procura espontaneamente o serviço, a forma como a equipe se aproxima pode fazer diferença. A UBS precisa ser um espaço seguro, próximo, acessível e não estigmatizante, no qual o cuidado não esteja condicionado à interrupção imediata do uso.

A equipe pode começar pelo que é possível naquele momento, buscando compreender as necessidades, os riscos e as possibilidades de cuidado junto à pessoa.

Esse processo envolve diferentes movimentos:

Aproximar-se

Escutar

Compreender

Construir possibilidades

Acompanhar

Não se trata de chegar com conselhos, sermões ou prescrições prontas. O cuidado começa pela aproximação e pela escuta, construindo com a pessoa possibilidades de mudança que respeitem seu tempo e sua singularidade.

#Fica a dica!

Situações de maior complexidade podem demandar o acompanhamento pelo CAPS AD, Unidade de Acolhimento (UA), serviços hospitalares ou outros pontos da RAPS e da RAS. Nesses casos, o cuidado deve ser compartilhado entre os serviços, sem que a APS deixe de acompanhar a pessoa.

A APS permanece como referência territorial, articulando-se com os demais pontos da rede e mantendo, quando necessário, consultas, visitas domiciliares, acompanhamento de condições clínicas e apoio à família.

Para garantir a continuidade do cuidado, é importante que as equipes definam suas responsabilidades, mantenham a comunicação entre os serviços e acompanhem conjuntamente a evolução do caso.

Atribuições da APS no cuidado às pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas

Como vimos até aqui, a APS tem papel estratégico na promoção da saúde, prevenção de agravos, identificação de necessidades, cuidado clínico e psicossocial e acompanhamento longitudinal das pessoas e de suas famílias. 

Essas ações devem ser desenvolvidas em perspectiva territorial, interprofissional e orientada pela redução de danos, articulando-se com a RAPS e com os demais pontos da RAS e da rede intersetorial.

Clique nas setas e veja as principais ações da APS.

Isso significa que o trabalho dos profissionais de saúde vai além das Unidades de Saúde. Ele acontece também em escolas, creches, domicílios e outros espaços da comunidade, aproximando os serviços de saúde de outras instituições e da realidade da população. Daí a importância de ações intersetoriais para que o trabalho seja efetivo.

No Brasil, o Programa Saúde na Escola (PSE) é uma dessas ações. Trata-se de uma iniciativa intersetorial dos Ministérios da Saúde e da Educação com a finalidade de contribuir para o pleno desenvolvimento dos estudantes da rede pública de ensino da educação básica, por meio da articulação entre os profissionais de saúde da Atenção Primária e os profissionais da educação.

#Fica a dica!

A redução de danos parte da avaliação singular da pessoa e de sua relação com a substância. A meta de cuidado deve considerar seu padrão de uso, riscos, condições de vida, possibilidades de mudança e preferências.

Nesse sentido, a abstinência pode ser a meta mais segura para algumas pessoas, enquanto, para outras, podem ser construídas estratégias para reduzir riscos e danos quando a interrupção imediata não é possível ou desejada.

Por isso, não devemos perguntar apenas “a pessoa parou de usar?”. 

Também podemos observar se houve:

  • redução dos riscos;
  • melhora da condição de saúde;
  • recuperação de vínculos;
  • retomada de atividades importantes;
  • ampliação da autonomia e do autocuidado.

Pausa para refletir!

  • Em sua prática, a APS tem sido um espaço de acolhimento ou de exigência por uma “mudança imediata”?
  • Como o acompanhamento longitudinal pode revelar transformações que talvez não apareçam em atendimentos pontuais?
  • O que pode mudar no cuidado quando a abstinência deixa de ser vista como a única possibilidade?

Antes de avançarmos para os diferentes tipos de substâncias e seus efeitos no organismo, é importante ampliar a compreensão sobre os temas discutidos até aqui.

Conhecer a história das drogas e as diferentes formas como seu uso foi compreendido e regulado ao longo do tempo ajuda a evitar explicações simplistas.

Mais do que pensar apenas em “combater drogas”, é preciso compreender as relações que as pessoas estabelecem com as substâncias, os contextos em que o uso acontece e os projetos de vida envolvidos.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre a história das drogas, suas relações com a criminalidade, a distinção entre drogas lícitas e ilícitas e outros aspectos importantes dessa temática, clique aqui e acesse o e-book da disciplina.

Substâncias psicoativas e seus efeitos no organismo

As substâncias psicoativas podem ser classificadas de diferentes formas, considerando sua ação no sistema nervoso central, sua origem e seu estatuto jurídico.

Clique nos conceitos e conheça a classificação baseada nos efeitos que essas substâncias podem produzir no organismo.

Para conhecer mais sobre os efeitos das substâncias, a OMS disponibiliza o MI-mhGAP, Manual de Intervenções para transtornos mentais, neurológicos e por uso de álcool e outras drogas na rede de atenção básica à saúde, versão 2.0 (OMS, 2018).

O material apresenta informações sobre os efeitos de diferentes substâncias psicoativas, que podem apoiar os profissionais no reconhecimento de sinais e necessidades de saúde. Entre os conteúdos apresentados, o Quadro 1 reúne informações sobre os efeitos comportamentais agudos, as manifestações de abstinência e os efeitos do uso prolongado de diferentes substâncias.

Clique aqui para visualizar o Quadro 1 – Substâncias psicoativas: efeitos comportamentais agudos, manifestações de abstinência e efeitos do uso prolongado.

Você também pode realizar a leitura completa do manual clicando aqui.

Estigma, “guerra às drogas” e redução de danos: que cuidado estamos produzindo?

A chamada “guerra às drogas” produziu, historicamente, respostas marcadas pela criminalização, pelo encarceramento, pela violência e pela exclusão. No campo da saúde, essa lógica também pode aparecer quando o cuidado é reduzido à ideia de que a pessoa precisa simplesmente “largar a droga”, colocando a abstinência como única medida de sucesso.

Quando isso acontece, outros aspectos da vida podem deixar de ser considerados, como os vínculos, as condições de vida, os projetos e as possibilidades de mudança de cada pessoa. Além de reforçar o estigma, essa perspectiva pode fragilizar o vínculo com os serviços e dificultar o acesso ao cuidado.

A redução de danos propõe deslocar esse olhar. Em vez de partir de uma única meta, considera a singularidade de cada pessoa e reconhece que o cuidado pode envolver diferentes objetivos e mudanças ao longo do tempo.

Para conhecer mais sobre a história da “guerra às drogas” e das práticas de redução de danos, seus diferentes impactos e as perspectivas de cuidado em saúde mental de pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, clique aqui para acessar o e-book da disciplina.

Como discutido até aqui, o cuidado não deve ser avaliado apenas pela interrupção do uso. É importante reconhecer também outras mudanças na vida da pessoa, considerando sua saúde, seus vínculos, sua autonomia e suas condições de vida.

Na APS, o acompanhamento longitudinal permite observar transformações que podem passar despercebidas em atendimentos pontuais. Para isso, a equipe pode considerar diferentes dimensões da vida da pessoa na construção do Projeto Terapêutico Singular (PTS).

Clique nos ícones para conhecer as dimensões e as perguntas orientadoras de cada uma delas.

Corporal

Psicossocial

Instrumental

Pausa para refletir!

Depois de conhecer as diferentes dimensões que podem orientar a construção do PTS, pense em como essas perspectivas podem estar presentes na sua prática.

  • Se você estivesse no lugar da pessoa atendida, como gostaria que seu cuidado fosse planejado?
  • Na sua prática na APS, como o Plano de Cuidado Compartilhado pode ser construído junto com a pessoa?
  • Quais outras metas de cuidado poderiam ser negociadas?

#Fica a dica!

A partir dos anos 2000, especialmente com a Portaria GM/MS nº 816/2002 e, posteriormente, com a consolidação da Política Nacional de Saúde Mental, a redução de danos passou a ocupar um lugar importante nas políticas de cuidado em álcool e outras drogas no Brasil.

Reconhecida internacionalmente como uma estratégia de saúde pública, a redução de danos busca prevenir agravos, diminuir riscos associados ao uso de substâncias e fortalecer a autonomia das pessoas. 

Sua implementação considera que diferentes padrões de uso demandam respostas diversificadas, acolhedoras e baseadas no vínculo, superando práticas centradas exclusivamente na substância e na abstinência como única possibilidade de cuidado.

Observe, a seguir, no Quadro 2, um comparativo entre as abordagens de redução de danos e de abstinência.

  • avaliar condições financeiras e sociais que interferem no acesso a medicamentos, insumos e alimentação;
  • conhecer as condições de vida, a organização familiar e as possibilidades de cuidado no domicílio;
  • identificar barreiras de acesso aos serviços de saúde, como transporte, ausência de acompanhante ou dificuldades de comunicação;
  • fortalecer redes de apoio formais e informais, como família, vizinhança e programas sociais;
  • articular benefícios, serviços e recursos disponíveis no território para favorecer a permanência segura no domicílio.

Ao considerar essas dimensões, o Serviço Social contribui para que o cuidado seja viável e adequado à realidade da pessoa e de sua família (Brasil, 2013; Brasil, 2023).

Quadro 02 – Diferenças entre a abordagem de redução de danos e a abstinência

Selecione um aspecto para comparar as duas perspectivas.

Fonte: elaborado pelos autores, a partir de Passos & Souza (2011); Brasil (2013); Surjus & Silva (2019) (adaptado).

Redução de danos na prática!

A redução de danos não se resume a uma única intervenção ou a um serviço específico. No Brasil, diferentes experiências mostram como essa perspectiva pode ser articulada ao cuidado em saúde, às ações territoriais e às políticas de assistência social, cultura, educação, trabalho e garantia de direitos.

Clique nas imagens e conheça algumas dessas experiências.

Programa Corra pro Abraço | Bahia

Desde 2013, o programa atua com pessoas em situação de vulnerabilidade, pessoas que usam substâncias psicoativas e jovens afetados pela criminalização das drogas. 

As ações articulam redução de riscos e danos, acompanhamento psicossocial, arte-educação e acesso a políticas públicas.

Programa De Braços Abertos | São Paulo

A experiência articulou moradia, trabalho e renda a ações de saúde, educação, cultura, direitos humanos e assistência social, mostrando que o cuidado pode envolver diferentes dimensões da vida para além do tratamento relacionado ao uso de substâncias.

Escola Livre de Redução de Danos | Recife

Desenvolve ações de cuidado, convivência e redução de danos com pessoas em situação de vulnerabilidade e uso de substâncias, articulando-se com o Consultório na Rua (CnR) e outros pontos da RAS. 

A experiência também evidencia a importância da atuação intra e intersetorial e do trabalho em equipe.

Essas experiências mostram que a redução de danos pode estar presente em diferentes espaços e estratégias de cuidado, sempre considerando as necessidades, os contextos e as possibilidades de cada pessoa.

Lembre-se:

a redução de danos envolve a construção de limites por meio do diálogo, da responsabilidade compartilhada e do foco na vida que se quer sustentar.

Pausa para refletir!

  • Em sua prática, o cuidado está condicionado à interrupção do uso?
  • Que mudanças positivas você já observou em pessoas que continuaram usando substâncias, mas ampliaram seus vínculos, sua autonomia ou sua qualidade de vida?
  • O que muda quando você e sua equipe deixam de buscar a “resposta ideal” e passam a trabalhar com a “resposta possível”?

Uso prejudicial, abuso e dependência, evitando abordagens moralizantes ou exclusivamente biomédicas

Ao longo desta temática, vimos que, nem todo uso de álcool e outras drogas produz os mesmos efeitos, riscos ou necessidades de cuidado. Na APS, é importante reconhecer diferentes padrões de uso e compreender como eles se relacionam com a vida e o contexto de cada pessoa.

Essa perspectiva ajuda a equipe a identificar situações que podem demandar prevenção, redução de riscos e danos, cuidado ou acompanhamento, mesmo quando não há um diagnóstico de dependência.

Agora, vamos observar como essa compreensão pode orientar o cuidado diante de diferentes padrões de uso. Acompanhe, a seguir, o caso de Raiane.

Caso prático de Raiane

Ilustração do caso prático de Dona Josilda

Quando diferentes usos exigem diferentes olhares.

Raiane, mulher cis, parda, 45 anos, procura a UBS acompanhada do irmão relatando que precisa de “adesivos para parar de fumar”. A equipe identifica que ela fuma diariamente desde os 13 anos, consumindo mais de três maços por dia.

Clique nas setas para realizar a leitura completa do caso.

Raiane relata dificuldade para controlar o uso, falta de ar e problemas de saúde bucal. Também conta que não consegue permanecer muito tempo sem fumar, como em viagens de ônibus.

Durante o acolhimento, a equipe pergunta sobre o uso de outras substâncias. Raiane relata que consome bebidas alcoólicas “socialmente”, apenas em festas, e que fuma maconha diariamente após o trabalho para “se acalmar” e dormir. Ela não identifica problemas relacionados ao uso da maconha.

Seu irmão, porém, relata que, quando Raiane “resolve beber”, ela não consegue parar. Conta que, em alguns episódios, ela sofreu quedas com lesões na cabeça e teve gastos financeiros excessivos durante o uso de álcool.

Após a avaliação, a equipe discute o caso com a eMulti e percebe a necessidade de compreender melhor os diferentes padrões de uso e os possíveis riscos envolvidos.

Além do consumo de substâncias, são considerados aspectos relacionados à saúde física e bucal, ao sono, à ansiedade, à situação financeira, às relações familiares, ao trabalho e à rede de apoio.

Alguns dias depois, o irmão retorna à UBS e relata que Raiane se sentiu exposta e julgada pela forma como as informações foram abordadas.

A equipe passa então a refletir sobre sua própria atuação e sobre como a comunicação utilizada pode ter interferido no vínculo.

Diante disso, a equipe decide realizar uma visita domiciliar, buscando reconstruir o vínculo, escutar Raiane sem julgamentos e compreender quais mudanças ela considera possíveis naquele momento.

A partir da escuta realizada na visita, Raiane afirma que gostaria de parar de fumar, principalmente pela dificuldade para respirar e pelos problemas de saúde bucal. Em relação à maconha, não considera necessário interromper o uso naquele momento. Sobre o álcool, reconhece que alguns episódios terminaram mal, mas não deseja deixar de beber nas festas.

A equipe percebe, então, que não existe uma única meta de cuidado para todas as substâncias. É preciso considerar aquilo que Raiane identifica como problema, seus riscos, suas necessidades e as mudanças que está disposta a construir.

Fim da leitura

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Reflita sobre o caso!

Raiane apresenta diferentes relações com as substâncias e, por isso, cada situação precisa ser compreendida de maneira singular.

Usar uma substância não significa, necessariamente, apresentar um transtorno ou precisar interromper seu uso. A avaliação deve considerar a frequência, a quantidade, o contexto, as consequências, os riscos, as vulnerabilidades e a percepção da própria pessoa.

Agora, pense como profissional da APS: a partir do caso de Raiane, qual é a principal demanda apresentada por ela?

#Fica a dica!

Diferentes sistemas diagnósticos utilizam nomenclaturas próprias para descrever os problemas relacionados ao uso de álcool. 

Na CID-10, destacavam-se o uso prejudicial e a síndrome de dependência de álcool. Na APS, mais do que se prender à classificação, é importante compreender como a pessoa se relaciona com a substância, considerando:

A avaliação deve considerar a relação entre pessoa, substância e contexto, orientando possibilidades de cuidado singulares.

Quer aprofundar seus conhecimentos sobre o consumo de álcool?

Clique aqui para acessar o e-book da disciplina, que apresenta informações complementares sobre os padrões de uso, os impactos relacionados ao consumo e as possibilidades de cuidado na APS.

Caso prático de Wesley

Ilustração do caso prático de Dona Josilda

Quando a relação com o álcool muda ao longo da vida.

Wesley tem 42 anos, é pedreiro, casado e pai de dois adolescentes. Mora há muitos anos em um território acompanhado pela Estratégia Saúde da Família e mantém vínculo com a UBS desde a vida adulta.

Clique nas setas para realizar a leitura completa do caso.

Na juventude, Wesley bebia principalmente em situações sociais, concentrando o consumo nos fins de semana. Não percebia impactos relevantes no trabalho ou na vida familiar.

Aos 23 anos, após consumir grande quantidade de álcool em uma festa, sofreu um acidente de motocicleta e precisou de atendimento por trauma ortopédico.

O episódio teve forte impacto emocional e, após a recuperação, o hospital orientou Wesley a buscar acompanhamento na APS.

Na UBS, médico, enfermeira e ACS acompanharam Wesley de perto. Preocupado com sua saúde e com as consequências para a família, ele decidiu interromper completamente o consumo de álcool.

Durante alguns anos, Wesley permaneceu sem consumir álcool. Estabilizou-se profissionalmente, constituiu família e passou a procurar a Unidade de Saúde apenas para acompanhamentos de rotina.

Por volta dos 30 anos, voltou a beber ocasionalmente em situações sociais. Com o aumento das responsabilidades profissionais e o surgimento de situações de estresse no trabalho, o consumo tornou-se mais frequente, principalmente ao final do dia.

Nesse período, passou a procurar a UBS com queixas de desconforto gástrico e cansaço persistente. A equipe começou a investigar também seu padrão de consumo e suas repercussões na saúde e na vida cotidiana.

Wesley relatou que bebia quase todos os dias ao chegar do trabalho e que, algumas vezes, deixava de realizar atividades com os filhos para beber.

Sua esposa também relatou discussões frequentes em casa, relacionadas aos gastos com bebidas e à ausência de Wesley nas atividades familiares.

Wesley reconhecia alguns dos problemas, mas afirmava que conseguia “parar quando quisesse”. A equipe conversou com ele sobre os riscos identificados e propôs uma intervenção breve, acompanhamento longitudinal e a construção compartilhada de uma meta de cuidado.

Também foram discutidas estratégias para lidar com situações que favoreciam o consumo, como o estresse após o trabalho, além de possibilidades de acompanhamento individual e participação em grupos, quando disponíveis.

Naquele momento, porém, Wesley não se identificou com as propostas e não aderiu ao acompanhamento planejado.

A equipe manteve a possibilidade de retorno e continuou acompanhando sua situação nas oportunidades de contato no território.

Alguns anos depois, após perder o emprego e vivenciar o agravamento das tensões familiares, o consumo se intensificou. Wesley passou a beber em horários mais precoces e apresentou dificuldade crescente para reduzir a quantidade ingerida.

Quando tentava interromper o uso, relatava irritabilidade e mal-estar. Também passou a pensar frequentemente no momento em que poderia beber, com prejuízos importantes no convívio familiar, na saúde física e no funcionamento social.

Diante desse cenário, a equipe da Estratégia Saúde da Família ampliou a avaliação, considerando o padrão de uso, os prejuízos e as repercussões clínicas, emocionais, familiares e sociais.

A equipe intensificou o acompanhamento e articulou, em reunião de matriciamento, o cuidado compartilhado com o CAPS AD, por meio de uma visita domiciliar conjunta entre os serviços.

Após um período de tratamento e suporte contínuo, Wesley conseguiu novamente interromper o uso de álcool, retomou o trabalho e fortaleceu suas relações familiares.

Com o passar dos anos, voltou a beber de forma esporádica, inicialmente sem repercussões significativas.

A trajetória de Wesley mostra que a relação de uma pessoa com o álcool pode se modificar ao longo do tempo, assim como suas necessidades de cuidado.

Fim da leitura

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Fique atento!

Em pessoas com uso frequente e intenso de álcool, a interrupção repentina pode desencadear síndrome de abstinência alcoólica, que pode apresentar diferentes níveis de gravidade. 

Por isso, a decisão sobre reduzir ou interromper o consumo deve considerar o padrão de uso, o histórico de abstinência, as condições clínicas, o suporte disponível e a possibilidade de acompanhamento.

Diante de sinais de abstinência moderada ou grave, a avaliação e o manejo devem ser realizados oportunamente, com acionamento de outros pontos da RAS quando necessário.

#Fica a dica!

Como vimos no caso de Wesley, registrar também é uma forma de cuidar. Na APS, a CIAP-2 e/ou a CID-10 podem ser utilizadas no e-SUS APS para registrar problemas e condições de saúde identificados durante o atendimento, conforme a avaliação e as atribuições de cada profissional.

Quando o uso de álcool, tabaco e outras drogas não é investigado ou registrado adequadamente, necessidades da população podem permanecer invisíveis. Registros incompletos ou desatualizados também podem comprometer a continuidade do cuidado e a qualidade das informações do território.

O cuidado e o registro são responsabilidades compartilhadas pela equipe, contribuindo para a identificação das necessidades e a continuidade do acompanhamento.

Na próxima temática, vamos conhecer estratégias para o manejo compartilhado do cuidado.

Cuidado Territorial e Redução de Danos na Atenção Primária à Saúde: Manejo Compartilhado do Cuidado

Na primeira temática, ampliamos nossa compreensão sobre as necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas e sobre o papel da APS nesse cuidado.

Agora, avançaremos para os desafios do cotidiano dos territórios, considerando situações de violência, ambivalência, retorno ou intensificação do uso e outras vulnerabilidades que podem atravessar a vida das pessoas.

Nesse contexto, o cuidado territorial e a redução de danos orientam possibilidades de intervenção que consideram a realidade de cada pessoa, suas necessidades e suas possibilidades de mudança.

Nesse contexto, vamos conhecer ferramentas e estratégias que podem apoiar o trabalho das equipes da APS, como:

A APS não cuida sozinha, mas também não deixa de se responsabilizar pelo cuidado. Coordena, acompanha e compartilha, construindo um cuidado territorial que não se limita a atendimentos pontuais, mas se desenvolve de forma longitudinal, negociada e centrada na vida das pessoas.

A seguir, vamos conhecer como essas estratégias podem ser utilizadas no cotidiano das equipes.

Diferentes lógicas de cuidado no campo do álcool e outras drogas

Como vimos, o cuidado às pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas é atravessado por diferentes perspectivas históricas, políticas e éticas. Na prática da APS, essas lógicas podem coexistir e, em alguns momentos, entrar em tensão.

Clique nas abas e conheça algumas dessas lógicas de cuidado.

Historicamente, o uso de álcool e outras drogas foi compreendido, em alguns contextos, a partir de perspectivas morais e religiosas.

  • O uso pode ser visto como fraqueza moral, pecado ou desvio de conduta.
  • A abstinência é considerada a principal ou única solução.
  • O cuidado pode estar associado à disciplina e à mudança de comportamento.

Quando adotada de forma exclusiva, essa perspectiva pode reforçar culpa, vergonha e estigma, além de desconsiderar as condições de vida e o sofrimento da pessoa.

Nessa perspectiva, o cuidado se organiza principalmente a partir da avaliação clínica, do diagnóstico e do tratamento.

  • O uso é compreendido como um transtorno ou condição de saúde.
  • A intervenção pode ter a prescrição e o tratamento farmacológico como elementos centrais.
  • É importante no manejo de situações que exigem avaliação clínica, mas, quando utilizada isoladamente, pode deixar em segundo plano o contexto social, os vínculos e os projetos de vida.

Essa perspectiva amplia o olhar sobre o cuidado e considera a pessoa em seu território, suas relações e suas condições de vida.

  • A pessoa é maior que a substância.
  • O cuidado é territorial, longitudinal e construído com a pessoa.
  • A abstinência pode ser uma meta, mas não é condição para o cuidado.

#Fica a dica!

Você sabe como falar sobre “recaída”?

O termo “recaída” é amplamente utilizado por profissionais, serviços e pela própria população para se referir ao retorno ou à intensificação do uso após um período de redução ou interrupção. Entretanto, essa expressão pode transmitir a ideia de fracasso ou de um processo linear de mudança. A pessoa pode retomar ou intensificar o uso em diferentes momentos, e isso não representa necessariamente um fracasso ou um retorno ao ponto inicial.

Por isso, priorizamos expressões como “retomada do uso”, “retorno ao uso” ou “intensificação do uso”, conforme a situação descrita. Quando utilizarmos o termo “recaída”, será para dialogar com uma expressão já presente no cotidiano dos serviços, sem atribuir à pessoa um caráter de fracasso ou julgamento.

Na prática, o retorno ao uso pode ser uma oportunidade para compreender o que aconteceu, identificar situações de risco, fortalecer estratégias de cuidado e, se necessário, revisar o plano construído com a pessoa.

Retomar o uso não significa perder tudo o que foi conquistado. Você pode exercitar perguntas como:

  • O que aconteceu antes?
  • O que mudou no contexto de vida?
  • Quais situações favoreceram o retorno ao uso?
  • O que pode ajudar a pessoa a partir de agora?

O foco da APS é compreender, acolher e cuidar, não culpabilizar.

Promoção da saúde e prevenção do uso de álcool, tabaco e outras drogas com crianças, adolescentes e jovens: o papel estratégico da APS

Na APS, prevenir significa também fortalecer vínculos, ampliar possibilidades de vida e apoiar crianças, adolescentes e jovens na construção de seus projetos. Ações de cultura, esporte, lazer, convivência e participação comunitária contribuem para ampliar fatores de proteção e reduzir vulnerabilidades.

Abordagens baseadas no medo, na punição ou na moralização podem reforçar estigmas e afastar as pessoas dos serviços de saúde. Por isso, a prevenção deve considerar as condições de vida, as relações sociais e o território.

Clique aqui e conheça dados da PeNSE 2019 sobre a experimentação de substâncias psicoativas entre estudantes do 9º ano.

O início precoce do uso de álcool está associado a maior probabilidade de desenvolver padrões problemáticos de consumo ao longo da vida. Essa relação reforça a importância de ações preventivas adequadas a cada etapa do desenvolvimento, considerando as relações sociais, a família, a escola e o território.

Na adolescência, a experimentação pode estar relacionada à curiosidade e à busca por pertencimento. Por isso, conhecer o sentido que a pessoa atribui ao uso é tão importante quanto identificar a substância consumida.

Experimentar uma substância não significa, automaticamente, uso prejudicial ou dependência. Na APS, é importante compreender os padrões de uso, seus possíveis impactos e as necessidades de cuidado, evitando abordagens baseadas no medo ou no julgamento.

Lembre-se:

escutar, orientar, acompanhar e criar oportunidades de convivência também são formas de promover saúde.

Veja algumas possibilidade de atuação da APS na prevenção com crianças, adolescentes e jovens no Quadro 03.

Quadro 03 – Práticas na APS com o público infanto–juvenil

Selecione um eixo de atuação para consultar o que fazer na prática na APS.

Fonte: elaborado por autores.

Caso prático de Lucas

Ilustração do caso prático de Dona Josilda

Quando a prevenção começa antes do uso de substâncias.

Lucas tem 14 anos, é estudante do 9º ano de uma escola pública do território e vem apresentando mudanças no comportamento, faltas escolares e dificuldades de convivência. A equipe da APS busca compreender sua situação e construir estratégias de cuidado e prevenção em articulação com a família, a escola e os recursos comunitários.

Clique nas setas para realizar a leitura completa do caso.

A escola de Lucas entra em contato com a UBS solicitando orientação, pois Lucas tem faltado às aulas e se envolvido em pequenos conflitos com colegas. A professora e a orientadora educacional frequentemente o descrevem como “desatento”, “irritado” e “desinteressado”.

Não há relato explícito de uso de álcool ou outras drogas, mas a equipe escolar demonstra preocupação com a possibilidade de “más companhias”.

A ACS da área conhece Lucas e sua família. Durante visita domiciliar, observa que a mãe trabalha em dois turnos, o pai está desempregado e a família vive uma situação recente de instabilidade financeira.

Em conversa informal, Lucas relata sentir-se “sem vontade de ir à escola”, refere dificuldades para dormir e diz que “não vê muito sentido nas coisas”. Conta que alguns colegas começaram a usar álcool nos fins de semana, mas afirma que “só fica olhando”.

A ACS compartilha suas observações com a equipe de Saúde da Família, que discute o caso em reunião com a eMulti.

A equipe da APS decide não tratar a situação como um problema disciplinar ou como um risco presumido de uso de drogas. Em vez disso, organiza o cuidado a partir da prevenção.

Lucas é acolhido na UBS pelo enfermeiro e pela médica, em atendimento individual, sem a presença dos pais, com escuta qualificada e em ambiente protegido, respeitando sua autonomia e confidencialidade.

A equipe identifica sofrimento psíquico leve a moderado, associado a vulnerabilidades sociais, fragilização de vínculos e ausência de espaços de convivência no território. O caso é levado novamente para matriciamento com a eMulti.

Como estratégia preventiva, a APS articula diferentes ações.

  • Grupo de adolescentes: Lucas é convidado a participar de um grupo realizado na UBS, mediado por terapeuta ocupacional, assistente social e educador social do território, com atividades de conversa, música e esporte.
  • Apoio à família: a família recebe atendimento com a psicóloga e o enfermeiro para apoio e orientação, sem culpabilização, fortalecendo o diálogo entre mãe e filho.
  • Articulação com a escola: a equipe articula-se com a escola, por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), para abordar a temática e realizar acompanhamento compartilhado, evitando rótulos ou encaminhamentos medicalizantes.

A terapeuta ocupacional e a ACS, em articulação com a rede territorial, identificam possibilidades de participação social e atividades de interesse de Lucas. Em parceria com a Secretaria de Cultura e um coletivo local, o adolescente passa a frequentar uma oficina de audiovisual no território.

Ao longo dos meses, Lucas passa a frequentar regularmente o grupo, retoma o interesse pela escola e estabelece novos vínculos comunitários. Embora o tema “drogas” apareça em algumas conversas, ele não é tratado como foco central, mas como parte de um diálogo mais amplo sobre escolhas, pertencimento, futuro e cuidado de si.

Perceba que nenhum profissional resolveu o caso sozinho. A ACS identificou elementos importantes no território; a eSF acolheu e acompanhou; a eMulti contribuiu para a avaliação e as intervenções psicossociais; a família participou do cuidado; e a escola e os recursos comunitários ampliaram as possibilidades de proteção e participação social.

Na APS, trabalhar em rede não significa apenas encaminhar. Significa discutir, construir estratégias, compartilhar responsabilidades e acompanhar os resultados.

A prevenção, nesse caso, não se deu pela proibição ou pelo medo, mas pela produção de vínculo, escuta, proteção social e ampliação de projetos de vida, reafirmando o papel da APS como espaço estratégico de cuidado antes da instalação de agravos.

Fim da leitura

Use a seta anterior para rever o caso.

Clique nas setas para passar as páginas.

Reflita sobre o caso!

A trajetória de Lucas mostra como a prevenção pode acontecer por meio do acolhimento, do fortalecimento de vínculos e da articulação de recursos do território, mesmo sem consumo de substâncias identificado.

Agora, pense como profissional da APS:

Este caso mostra, que a prevenção do uso de álcool, tabaco e outras drogas não se limita a evitar o consumo. Falar sobre redução de danos com crianças e adolescentes pode gerar tensões, mas negar a possibilidade de uso é também desconsiderar aspectos importantes da proteção integral prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lourenço, 2023).

Pausa para refletir!

  • Que compromisso você pode assumir, a partir deste conhecimento, para fortalecer a prevenção com crianças, adolescentes e jovens no seu território?

#Fica a dica!

O Guia Caminhos do Cuidado (Brasil, 2013b), voltado especialmente para ACS/TACS e auxiliares de enfermagem, destaca que a violência e as cenas de uso podem dificultar o acesso dos profissionais a determinados territórios. No entanto, esperar que as pessoas procurem espontaneamente a UBS pode comprometer o princípio territorial da APS.

O cuidado começa pela aproximação respeitosa, pela construção de vínculo e pela presença contínua no território. Para isso, é importante planejar as visitas, articular-se com lideranças comunitárias, avaliar condições de segurança e construir gradualmente relações de confiança. A segurança dos trabalhadores deve ser considerada, sem que isso resulte no abandono assistencial.

Para refletir sobre sua prática!

  • Sua equipe conhece os territórios onde ocorre o uso de álcool e outras drogas ou atende principalmente quem chega à UBS? 
  • Existem agentes redutores de danos no território que poderiam contribuir para aproximar a equipe dessas pessoas?

Intervenções psicossociais na APS

O cuidado às pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas pode envolver diferentes estratégias, construídas conforme as necessidades, os objetivos de cuidado e o contexto de vida de cada pessoa.

Clique nas abas para conhecer algumas possibilidades de intervenção na APS.

Estratégia estruturada e de curta duração, indicada especialmente para pessoas com uso de risco ou prejudicial. Envolve identificar padrões de consumo, avaliar a motivação para mudanças e construir estratégias possíveis para reduzir riscos e danos ou interromper o uso, quando essa for a meta pactuada.

Abordagem colaborativa que busca compreender a relação da pessoa com a substância e explorar suas dúvidas e motivações para mudar. Por meio da escuta, de perguntas abertas e do respeito à autonomia, o profissional apoia a construção de decisões e planos de cuidado sem impor mudanças ou confrontar a pessoa.

Os grupos favorecem a troca de experiências, a apoio entre pares, o fortalecimento de vínculos e a construção coletiva de estratégias de autocuidado. Podem assumir diferentes formatos, como rodas de conversa, grupo de redução de danos, atividades de convivência e grupos de apoio a familiares, conforme as necessidades do território.

Os grupos favorecem a troca de experiências, a apoio entre pares, o fortalecimento de vínculos e a construção coletiva de estratégias de autocuidado. Podem assumir diferentes formatos, como rodas de conversa, grupo de redução de danos, atividades de convivência e grupos de apoio a familiares, conforme as necessidades do território.

Os grupos favorecem a troca de experiências, a apoio entre pares, o fortalecimento de vínculos e a construção coletiva de estratégias de autocuidado. Podem assumir diferentes formatos, como rodas de conversa, grupo de redução de danos, atividades de convivência e grupos de apoio a familiares, conforme as necessidades do território.

Clique aqui para consultar o e-book da disciplina e aprofundar seus conhecimentos sobre os fundamentos, os instrumentos e as orientações práticas para desenvolver essas intervenções no cotidiano da APS.

Manejo das necessidades relacionadas ao uso de diferentes substâncias na APS

O manejo clínico varia conforme a substância, os sinais e sintomas apresentados e as necessidades de cada pessoa.

Na APS, é importante reconhecer situações que exigem atendimento de urgência, avaliar as possibilidades de acompanhamento e articular o cuidado com os demais pontos da rede.

Explore os principais aspectos do manejo relacionados a cada substância.

Manejo do uso de álcool

Atenção aos sinais de gravidade!

Alterações importantes da consciência, convulsões, comprometimento respiratório e instabilidade clínica exigem avaliação urgente.

Manejo do uso de cocaína e crack

O cuidado prioriza a abordagem psicossocial, a redução de riscos e danos e o acompanhamento longitudinal, considerando as condições de vida e as necessidades de cada pessoa.

Atenção aos sinais de gravidade!

Dor torácica, convulsões, hipertermia, psicose grave ou instabilidade clínica exigem atendimento de urgência.

Manejo do uso de maconha

A abordagem considera os efeitos do consumo, os possíveis prejuízos e os objetivos da pessoa. O cuidado é predominantemente psicossocial, com redução de riscos e danos e acompanhamento longitudinal.

Lembre-se

A frequência do consumo, isoladamente, não determina a existência de um transtorno. É necessário avaliar os riscos, os prejuízos e o contexto de vida.

Para conhecer os fluxos de avaliação, os protocolos clínicos, os critérios para encaminhamento e as possibilidades de manejo de cada situação, clique aqui e acesse o e-book da disciplina.

Na prática!

Estudo de caso: utilização da estratificação de risco no planejamento de ações no território

A equipe de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), localizada em um território urbano com aproximadamente 60.000 pessoas adscritas, identificou aumento no número de casos de dengue nas últimas semanas, associado à presença de áreas com acúmulo de lixo e abastecimento irregular de água.

A partir da análise dos dados de notificação da Vigilância em Saúde e das informações coletadas pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) durante visitas domiciliares, a equipe decidiu utilizar ferramentas de estratificação de risco para qualificar o planejamento das ações no território.

Inicialmente, foi construído um MAPA DE CALOR, considerando:

A análise evidenciou três microáreas classificadas como de alto risco (cor vermelha), concentrando maior número de casos e condições ambientais desfavoráveis.

Paralelamente, a equipe aplicou a TORRE DE RISCO para classificação das famílias, identificando:

Essas famílias foram classificadas como de maior risco para agravamento.

Ações realizadas pela equipe (integração APS + VS)

A partir da estratificação, foram definidas ações integradas:

Clique nos botões para visualizar o conteúdo.

Resultados observados

Após quatro semanas de intervenção:

Este caso evidencia que a estratificação de risco, quando utilizada de forma integrada entre APS e VS, permite:

Para saber mais sobre a estratificação de risco na APS, o uso de ferramentas para territorialização, o planejamento de visitas domiciliares e outras estratégias relacionadas à organização das ações no território, acesse as demais disciplinas deste módulo e consulte os materiais disponíveis.

Manejo compartilhado na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)

Ao longo da disciplina, foi discutido como a APS tem papel central na coordenação do cuidado e no acompanhamento longitudinal das pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Para isso, ela articula-se com os demais pontos da RAPS, por meio de estratégias como o matriciamento, a discussão de casos e a construção do PTS.

O encaminhamento para outros serviços não significa transferir a responsabilidade pelo cuidado. A APS permanece como referência no território, contribuindo para a continuidade do acompanhamento e para a construção compartilhada das estratégias de cuidado.

Clique nos ícones a seguir para conhecer alguns serviços e estratégias que compõem essa rede.

Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD)

Os CAPSs acolhem pessoas em sofrimento psíquico e, conforme sua modalidade, pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. O CAPS AD atende especificamente esse público, oferecendo cuidado multiprofissional e articulado com o território.

Como se articula com a APS?

A APS pode compartilhar casos, participar do matriciamento e construir o PTS com conjunto com o serviço especializado. O encaminhamento deve considerar as necessidades da pessoa, a gravidade do quadro e os recursos disponíveis na rede.

Clique aqui para saber mais detalhes sobre o CAPS e o CAPS AD.

Consultório na Rua (CnR)

As equipes de Consultório na Rua ampliam o acesso à saúde das pessoas em situação de rua, por meio de abordagens no território, construção de vínculo e estratégias de redução de danos. Também contribuem para identificar necessidades clínicas e psicossociais e facilitar o acessos aos serviços.

Como se articula com a APS?

A articulação com a APS pode envolver compartilhamento do cuidado, acesso às equipes de Saúde da Família, construção conjunta dos PTS e continuidade do acompanhamento clínico e psicossocial.

Clique aqui para saber mais detalhes sobre o Consultório na Rua.

Unidade de Acolhimento (UA)

A Unidade de Acolhimento oferece suporte residencial temporário a pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas que necessitam desse recurso e não demandam internação hospitalar. O cuidado busca fortalecer a autonomia, os vínculos e a construção de projeto de vida.

Como se articula com a APS?

A UA atua articulada ao CAPS de referência, à APS e aos demais pontos da RAS. A construção do PTS e o planejamento da continuidade do cuidado ajudam a preservar o vínculo com o território durante e após o acolhimento.

Clique aqui para saber mais detalhes sobre o Unidade de Acolhimento.

Câncer de mama

Como prevenir

Educação, fatores de risco e acesso à mamografia, quando indicada.

Quem rastrear / quando indicado

Conforme diretriz vigente do Ministério da Saúde, vista anteriormente. 

Principais sinais e sintomas de alerta

Nódulo mamário sólido e fixo, secreção sanguinolenta, retração de pele ou mamilo, alteração na pele com aspecto de casca de laranja, linfonodo axilar suspeito. 

O que a APS faz

Realiza acolhimento e avaliação clínica, identifica sinais e sintomas suspeitos, registra as informações no prontuário, solicita ou encaminha para investigação diagnóstica, conforme protocolos/diretrizes, acompanha o percurso da usuária na Rede de Atenção à Saúde e promove o cuidado compartilhado e longitudinal.

Câncer do colo do útero

Como prevenir

Vacinação contra HPV, educação em saúde sexual, promoção de práticas preventivas  e incentivo à participação no rastreamento organizado.

Quem rastrear / quando indicado

Conforme diretriz vigente do Ministério da Saúde, vista anteriormente. 

Principais sinais e sintomas de alerta

Sangramento pós-coito, dor pélvica persistente, corrimento fétido e lesão friável.

O que a APS faz

Realiza acolhimento e avaliação clínica, identifica sinais e sintomas suspeitos, registra as informações no prontuário, solicita ou encaminha para investigação diagnóstica, conforme protocolos/diretrizes, acompanha o percurso da usuária na Rede de Atenção à Saúde e promove o cuidado compartilhado e longitudinal.

Câncer de próstata

Como prevenir

Educação em saúde sobre saúde do homem, promoção de hábitos de vida saudáveis e apoio à tomada de decisão compartilhada sobre a investigação do câncer de próstata.

Quem rastrear / quando indicado

Evitar rastreamento populacional indiscriminado; seguir diretrizes e fluxo local.

Principais sinais e sintomas de alerta

Sintomas urinários persistentes, hematúria, dor óssea e toque retal com achados suspeitos, quando realizado.

O que a APS faz

Realiza acolhimento e avaliação clínica, identifica sinais e sintomas suspeitos, registra as informações no prontuário, solicita ou encaminha para investigação diagnóstica, conforme protocolos/diretrizes, acompanha o percurso da usuária na Rede de Atenção à Saúde e promove o cuidado compartilhado e longitudinal.

Câncer colorretal

Como prevenir

Alimentação saudável, incentivo à prática regular de atividade física e redução de fatores de risco (álcool e tabaco).

Quem rastrear / quando indicado

Conforme diretriz vigente do Ministério da Saúde, vista anteriormente. 

Principais sinais e sintomas de alerta

Sangramento retal, alteração intestinal persistente, anemia e perda de peso inexplicada.

O que a APS faz

Realiza acolhimento e avaliação clínica, identifica sinais e sintomas suspeitos, registra as informações no prontuário, solicita ou encaminha para investigação diagnóstica, conforme protocolos/diretrizes, acompanha o percurso da usuária na Rede de Atenção à Saúde e promove o cuidado compartilhado e longitudinal.

#Fica a dica!

O cuidado às pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas nem sempre acontece de forma linear. Por isso, é importante respeitar o tempo de cada pessoa, reconhecer suas necessidades e construir estratégias possíveis para cada realidade.

Na APS, manter o diálogo aberto, acompanhar as mudanças e articular o cuidado com outros profissionais e serviços são atitudes que ajudam a sustentar esse processo, mesmo quando surgem dificuldades ou a pessoa ainda não deseja mudar seu padrão de uso.

Finalizando

Chegamos ao final desta jornada de aprendizagem! Ao longo desta disciplina, refletimos sobre a complexidade do uso de álcool e outras drogas e sobre como a APS pode contribuir para um cuidado integral, baseado na escuta, na redução de danos e no respeito à singularidade de cada pessoa.

Esperamos que esses aprendizados ampliem seu olhar sobre as possibilidades de cuidado no território, fortalecendo o trabalho em equipe, a articulação com a RAPS e a construção de estratégias compartilhadas. 

Que você possa levar essas reflexões para sua prática, reconhecendo que cada vínculo fortalecido e cada possibilidade de cuidado construída fazem diferença na vida das pessoas.

Continue sua trajetória formativa!

Para alcançar um bom desempenho nos estudos, é fundamental acessar e utilizar todos os recursos didáticos disponibilizados na disciplina. Nesse sentido, recomendamos que você:

Até a próxima disciplina!

FICHA TÉCNICA

Em validação

Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves – SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – SAPS/MS
Ana Paula Neves Marques de Pinho – A.C. Camargo
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Mauro Junqueira – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS

Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Danylo Santos Silva Vilaça – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata – CONASEMS
Marta de Sousa Lima – CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – CONASEMS
Thaís Coutinho de Oliveira – SAPS/MS

Elaboração de Conteúdo:
Adriana Santos Barbosa

Designer Educacional:
Gustavo Henrique Faria Barra – CONASEMS

Coordenação de Desenvolvimento Web e Gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS

Desenvolvimento Web:
Alexandre Itabayana – CONASEMS
Caroline Boaventura – CONASEMS

Projeto Gráfico e Design de Experiência:
Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS

Ilustração:
Lucas Corrêa Mendonça – CONASEMS

Revisão Linguística:
Renata Alves Pires – CONASEMS

Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Flickr CONASEMS
Flickr Ministério da Saúde
Flickr OPAS
Freepik
https://br.freepik.com

0 %

Já haviam experimentado bebidas alcoólicas. 

Entre esses estudantes, 68,5% tiveram a primeira experiência aos 13 anos ou antes.

0 %

Já haviam experimentado cigarros. 

Entre esses estudantes, 62,3% fumaram pela primeira vez aos 13 anos ou antes.

0 %

Já haviam experimentado alguma droga ilícita. 

Entre esses estudantes, 48,3% tiveram a primeira experiência aos 13 anos ou antes.

Instrumental

Quais recursos e habilidades a pessoa utiliza para exercer sua autonomia e participar da vida cotidiana e social?

Psicossocial

Quais experiências, relações, sentimentos e afetos fazem parte de sua história de vida?

Corporal

Como está a saúde física, a capacidade funcional e laboral e a relação da pessoa com o próprio corpo?

Quadro 01 – Substâncias psicoativas: efeitos comportamentais agudos, manifestações de abstinência e efeitos do uso prolongado

Selecione uma substância para consultar os efeitos associados.

Fonte: OMS, 2018, pág. 115.

Território

No seu território, quais substâncias são mais consumidas? 

Quais estão relacionadas a maiores prejuízos e agravos à saúde física e mental?

Uso e prejuízos

Todas as pessoas que apresentam algum prejuízo relacionado ao uso precisam interrompê-lo?

Escolha e autonomia

É responsabilidade de quem usa parar? 

Ou essa decisão envolve outros fatores além de uma escolha consciente e voluntária?

História e sociedade

Desde quando a humanidade estabelece relações com essas substâncias?

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